O risco de deslizamentos de encostas

Situada em um vale, Juiz de Fora tem o risco de inundações e de deslizamentos de encostas no período das chuvas


Por Paulo Cesar Magella

24/12/2024 às 06h00

Felizmente ninguém se feriu, mas o deslizamento de um barranco, no último domingo, na Rua Munir Simão Sffeir, no Bairro Grajaú, região Sudeste de Juiz de Fora, deve servir de alerta para a população residente em áreas consideradas de risco. Situada em um vale, em período mais agudo de chuvas, Juiz de Fora está sujeita a duas situações: deslizamentos de encostas ou alagamentos.

É fato que a contenção das encostas avançou muito na cidade, mas a intensidade das chuvas, como tem sido visto nos últimos dias, é preocupante, sobretudo se for levado em conta que o período com chuvas mais intensas sequer começou.

Na entrevista à Rádio Transamérica e já disponível no YouTube da Tribuna, a prefeita Margarida Salomão destacou que vai cumprir todas as promessas feitas em campanha, e os serviços de drenagem estão nesse pacote. Trata-se de uma demanda de muitos anos, daí a expectativa dos moradores para um desfecho de sucesso.

As políticas estruturais estão entre as prioridades dos municípios, mas pelo país afora são registrados casos em que, mesmo com repasses dos estados ou da União, os projetos continuam engavetados.

O jornal “O Globo” destacou estudo elaborado pelo Departamento de Recursos Minerais do Estado indicando que em Petrópolis mais de 17 mil pessoas estão expostas a riscos altos e muito altos de deslizamento. Esse é o segundo mapeamento para Petrópolis, 13 anos depois da tragédia de 2011, que causou mais de 900 mortes. Um Plano Municipal de Redução de Riscos foi feito em 2017. No entanto, nas chuvas de 2022, 235 pessoas morreram sob as mesmas circunstâncias.

A Região Serrana não é a única em situação crítica, mas é a que mais chama a atenção, por conta da sequência de casos sem que os danos sejam mitigados. A tragédia de 2011 deveria ter servido de exemplo para que medidas fossem adotadas, mas as ações foram mínimas. A população também tem sua participação ao ocupar áreas ilegais mesmo diante dos sistemáticos alertas.

Esse é um dos principais problemas enfrentados pelas administrações, uma vez que nem sempre é possível controlar as invasões. O déficit habitacional nas metrópoles e a crise social que afeta tal população levam a esse cenário.

São recorrentes os alertas nesta época do ano, porque as chuvas se acentuam até o fechamento, com as águas de março, mas o desequilíbrio climático tem ampliado a intensidade dos temporais. Desde outubro – o que não é comum -, o volume de chuvas é alto para o período. Em outras regiões, as secas estão cada vez mais agudas. Em ambas as situações, não só a população, mas a economia, é severamente afetada.

No caso da Zona da Mata, a produção leiteira – já pressionada pelo baixo preço pago ao produtor – enfrenta os temporais que comprometem a produção. O plantio também sofre consequências, e o custo acaba chegando ao bolso do consumidor final.

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