A culpa não é só das chuvas
O debate deve passar por uma discussão ampla, que abrange o planejamento urbano e a conscientização sobre a importância do meio ambiente
Episódios recentes de quedas de árvores em Juiz de Fora evidenciaram os transtornos causados à população: queda de energia elétrica, bloqueio de vias, retenções no trânsito e prejuízos financeiros para quem teve veículos e casas atingidos, conforme noticiado pela Tribuna nas últimas semanas.
Sabemos que a realidade pode ser ainda pior, como aconteceu na zona rural da cidade mineira de Araxá, onde um homem morreu após uma árvore cair na residência em que ele trabalhava como caseiro, no dia 28 de dezembro de 2024.
Quase sempre, as quedas de árvores são associadas às chuvas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) define a estação chuvosa em Minas Gerais como o período entre os meses de outubro a março, quando é comum o alerta sobre riscos e a recomendação de cuidados à população.
No entanto não cabe apenas “culpar” as chuvas por perigos e transtornos. A queda de árvores pode ter razões multifatoriais. As mudanças climáticas – que modificam a intensidade dos fenômenos naturais -, a falta de cuidados para a preservação das árvores plantadas – que pode ocasionar o apodrecimento e o adoecimento de raízes – e a escolha de espécies erradas para o plantio também interferem na situação. Apontar as causas do problema, com certeza, requer uma investigação mais aprofundada.
O fato é que a questão precisa ser debatida com urgência. E o debate deve passar por uma discussão ampla, que abrange o planejamento urbano e a conscientização sobre a importância do meio ambiente, e envolver os agentes públicos, a iniciativa privada e a população.
Nesta edição, abrimos espaço para essa conversa. A manchete escrita por Bernardo Marchiori, ilustrada com imagens do fotógrafo Felipe Couri, retrata a realidade vivida por moradores da cidade no último dia 5 de janeiro, quando Juiz de Fora registrou o segundo maior vendaval em 35 anos, com rajadas vento que chegaram a 98km/h e um volume de 40mm de chuva. A Defesa Civil da Prefeitura de Juiz de Fora contabilizou mais de 70 quedas de árvores. A matéria também traz a análise de especialistas sobre a arborização na cidade e a importância do planejamento urbano para ajudar no controle desses episódios.
A realidade vivida em Juiz de Fora, e em outros municípios brasileiros, deixa clara a necessidade de atenção de todos à causa. Os processos de urbanização e os avanços tecnológicos devem integrar o meio ambiente de maneira sustentável e responsável. Se isso não foi feito no passado, é hora de mudar. A mudança exige engajamento de toda a sociedade, afinal, é ela quem sofre os efeitos drásticos da situação.