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Ponto de não retorno

A agenda climática deve ser uma pauta permanente na agenda dos governos, a despeito da prioridade ora voltada para o enfrentamento à Covid e às suas consequências sociais e econômicas


Por Tribuna

13/01/2022 às 07h00

O mundo vive uma nova onda de contaminação pela Covid, e os países, de novo, já avaliam restrições para ampliar o controle da doença, embora os níveis de letalidade – graças especialmente à vacina – sejam bem menores do que na fase mais aguda da pandemia. Entretanto, além desse, outros desafios se apresentam para o futuro, especialmente na instância ambiental. De acordo com o jornal “Valor Econômico”, o novo relatório de riscos globais, que norteia as discussões realizadas na cidade suíça de Davos – entre 17 e 21 deste mês -, aponta para o risco do fracasso em lidar com as mudanças climáticas. Tal agenda lidera o ranking das maiores preocupações nos três horizontes de tempo do levantamento: “No curto prazo, em um horizonte entre zero e dois anos, os entrevistados colocaram no topo dos temores o clima extremo. E tanto para o médio prazo, em um intervalo entre dois a cinco anos, e no longo, de cinco a dez anos, os líderes globais apontaram o fracasso nas ações para evitar as mudanças climáticas como maior risco a ser enfrentado pela humanidade”.

A pandemia é o risco de curto prazo, contra o qual o mundo vem travando um duro embate, com avanços e recuos que levam países a tomarem medidas para o controle de casos e a manterem pelo menos um novo normal, mas o ranking destaca que há problemas de médio e longo prazo que estão sendo negligenciados. E aí o cenário é preocupante, pois, se nada for feito ou os governos continuarem com políticas meia-boca, há a possibilidade de se chegar a um ponto de não retorno, no qual todos os esforços já terão sido em vão, ante a irreversibilidade do problema. Evitar essa última fronteira deve ser um compromisso coletivo da humanidade.

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A questão climática tem fortes implicações econômicas. Agências globais de seguridade têm adotado políticas cada vez mais duras com empresas que colocam o tema fora de sua agenda. No Brasil, a matéria está em quarto lugar na preocupação das lideranças, sendo superada por preocupações como a “erosão da coesão social”, as “crises de subsistência” e a “deterioração da saúde mental”. De fato são demandas preocupantes, sobretudo por serem fruto do atual cenário provocado pelo coronavírus. Devem, pois, continuar na lista de preocupações, mas olhar adiante é fundamental.

O Brasil se prepara para uma eleição geral, na qual estarão em jogo os cargos majoritários que vão da Presidência da República aos governos estaduais, passando, ainda, por um terço do Senado, mas também estarão nas urnas a Câmara Federal e as assembleias legislativas. Chama a atenção a ausência de pautas nas agendas preliminares dos pré-candidatos. Envolvidos em negociações para a obtenção de alianças, têm considerado que os programas de governo são a última etapa antes de irem às ruas à busca do voto popular.

Pode ser, de fato, uma estratégia, mas, independentemente dos aliados que buscam nessa etapa, deveriam antecipar os temas que terão prioridade nos seus mandatos. A questão climática não é uma proposta menor, a ser discutida apenas em fóruns como Glasgow, no final do ano passado, ou em Davos, na segunda quinzena deste mês. Deve ser uma proposta de governantes e governados, pois, se o mundo chegar ao preocupante ponto de não retorno, só haverá derrotados.

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