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Na rota do tráfico

Situada estrategicamente entre três das maiores cidades do país, Juiz de Fora, cortada por duas rodovias federais, tornou-se uma referência para os traficantes, ora inibida pelas ações da polícia

Por Tribuna

11/08/2019 às 07h00

Os números apresentados pela Polícia Rodoviária Federal, publicados na edição de sábado da Tribuna de Minas, são reveladores: a cidade, por ser cortada por duas rodovias federais, que, por sua vez, se interligam com umas tantas outras, tornou-se uma importante conexão para o tráfico de drogas e outros ilícitos, como armas e combustíveis. Desvendar esse enredo foi resultado do trabalho da Polícia Rodoviária Federal em diversas ações baseadas em dados de inteligência, tão necessários para esse tipo de apuração.

Recentemente, quando os próprios agentes fizeram uma apreensão acima de uma tonelada, aqui neste mesmo espaço, discutiu-se o ponto estratégico que a cidade representa, embora nem sempre seja a escala final dos produtos. Como ficou claro no encontro organizado pela Polícia Rodoviária Federal, tais números indicam que essas conexões levam o município a entrar no mapa do tráfico, exigindo, por conta disso, mais ações policiais, que, por sua vez, implicam a necessidade de maior efetivo.

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O combate ao tráfico e seus similares é uma ação permanente do Estado, que não pode reduzir suas investigações sob o risco de a situação sair de controle. O crime, com métodos cada vez mais sofisticados, exige, por outro lado, uma repressão qualificada. Quando isso acontece, o jogo vira, como o expressivo volume de material apreendido.

O enfrentamento passa por outras frentes, como uma legislação moderna, capaz de facilitar as investigações. As ações de campo devem ser complementadas com medidas de combate às fontes de financiamento, pois só seguindo o dinheiro é possível chegar à origem da questão. Nos últimos dias, a Polícia Federal também entrou em campo para cortar a linha de financiamento das organizações do crime.

Esse somatório é uma necessidade num cenário no qual não há espaço para medidas paliativas. No Congresso, tramita o pacote anticrime organizado pela equipe do ministro Sérgio Moro. Sua discussão deve ser serena e profunda, mas é necessário que avance, a fim de dar ao país um elenco de leis que facilite o trabalho dos agentes públicos e cause constrangimentos ao mundo do crime.

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