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Itamar e o futuro

Obras lançadas pelo ex-presidente para a região ainda não cumpriram plenamente a sua vocação, a despeito de sua importância para a Zona da Mata

Por Tribuna

11/06/2019 às 07h05

Já no final de sua gestão como governador de Minas, Itamar Franco apresentou dois projetos que, em seu entendimento, mudariam o vértice econômico da região: o Aeroporto Regional, que hoje leva o seu nome, e o Centro de Convenções Expominas. Terminado o seu mandato, a responsabilidade de inaugurá-los passou ao seu sucessor. Durante evento de campanha na Associação Comercial, o então candidato a governador Aécio Neves prometeu que iria terminar as duas obras. Foi eleito, cumpriu a palavra, mas as previsões do ex-presidente ainda não se consolidaram. O aeroporto, com a vocação industrial, pode ser incrementado, porém não terá condições de cumprir sua missão se não forem realizadas obras complementares, principalmente de acesso.

A MG-353, via que liga Juiz de Fora ao terminal, não tem condições mínimas para ser uma via de trânsito de veículos de grande porte. Não tem acostamento e, em vários trechos, sequer pontos de ultrapassagem. O máximo que se fez até agora foi a ligação desta com a BR-040, tirando o trânsito pesado da região de Grama. Mas e o resto? Este é um dado a ser considerado, sobretudo, em um tempo em que a falta de recursos é uma realidade. A duplicação, necessária sob todos os aspectos, não tem sequer previsão, indicando que o aeroporto, mesmo com os investimentos, ainda terá problemas de operação. E não se trata da distância, visto que quase todos, hoje, estão afastados dos centros urbanos. O acesso é o problema.

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A situação do Expominas é mais crítica. Um espaço de tal porte, com custo mensal em torno de R$ 120 mil, não tem condições de ser rentável com apenas 13 eventos ao ano. Estes números são atuais e indicam que o Governo de Minas tem, de fato, um problema em mãos, pois nem mesmo parcerias público-privadas avançaram. Ademais, em um cenário de crise, espaços de tal porte tornam-se inviáveis, ainda que com a capacidade de operar em módulos. E aí surge outra questão: sua única saída é direta numa rodo via federal de tráfego intenso, como a BR-040. Qualquer evento à noite torna-se um risco. Há anos fala-se em um acesso pela Alameda Santo Antônio, entre a rotatória de acesso ao Condomínio Alphaville e a entrada do Centro de Convenções. A Prefeitura considera que não haveria necessidade de uma obra de urbanização da alameda se a BR-440 for considerada como alternativa de acesso; no entanto, destaca ser a competência do DNIT, que não se manifestou, embora procurado pela reportagem da Tribuna.

Lideranças empresariais acentuam que a gestão do Expominas está afastada das demandas da região, não demonstrando interesse em otimizá-lo. Há controvérsia, uma vez que o Expominas de Belo Horizonte passa por situação semelhante. Falta, sim, uma conversa envolvendo todas as partes, para colocar todas as questões à mesa, não descartando, sequer, a possibilidade de dar ao local outra vocação.

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