Silenciar não vale

Por Tribuna

09/08/2018 às 07h00 - Atualizada 09/08/2018 às 07h23

O combate à violência doméstica é uma causa comum a mulheres e homens, para reverter o cenário de intolerância que tem marcado as relações familiares
A cada cinco dias, uma mulher é morta pelo seu companheiro numa média assustadora de casos de feminicídios, que são a etapa final de longos processos de agressões e humilhações. A Lei Maria da Penha, aprovada há 12 anos pelo esforço de uma enfermeira que também vivia situações de risco, é importante, mas a sociedade ainda carece de outras ações do Estado para dar fim a essa perversa estatística.

Nos últimos dias, o noticiário revelou situações revoltantes, como a de uma mulher agredida pelo marido dentro de um elevador e, horas depois, encontrada morta jogada da sacada de seu apartamento. Situação semelhante ocorreu no Distrito Federal, em que o autor sequer sabia o que tinha feito por estar embriagado. Lá, também, a mulher foi atirada do terceiro andar do prédio onde morava. Se as histórias forem contadas, não haverá espaço para tantos relatos. No Rio, um jovem matou a mulher grávida por ciúmes, por suspeitar que o filho não era dele.

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A discussão deve ser profunda e permanente, pois está claro que ainda há um longo trecho a ser trilhado. Em todas as faixas sociais, há casos de violência contra a mulher. Em determinadas situações, a própria vítima não se dá conta do que está ocorrendo, pois tudo começa com simples gestos, como um questionamento fora do tom, controle de suas ações, retenção de recursos pelo provedor até a etapa seguinte, quando começam as humilhações e as agressões. Por isso, devem ficar atentas e não se intimidar.
Autoridades policiais têm dito com frequência que não denunciar não impede a violência. Muitas vítimas dizem não denunciar o parceiro, já que temem ser mortas, mas são exatamente estas que engrossam as estatísticas de vítimas fatais. Não há espaço para o silêncio.

Mas a discussão vai para além do fato. A sociedade precisa discutir a relação para quebrar paradigmas que se formam em simples brincadeiras, mas suficientes para explicitar o machismo e a intolerância. Num momento em que são maioria da população e ocupando cada vez mais cargos de liderança e de provimento familiar, as mulheres (os homens também) devem abraçar a mesma causa de combate à violência.

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