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Cortar na carne

Estruturas de governo, em todas as instâncias, estão superdimensionadas; administradores terão que reduzir custos cortando postos por não haver outro caminho

Por Tribuna

07/11/2018 às 07h00- Atualizada 07/11/2018 às 08h04

Com a situação do Estado cada vez mais crítica, bastando ver seus efeitos na saúde — como a Tribuna mostrou na edição dessa terça-feira —, o governador eleito, Romeu Zema, tem desafios imensuráveis pela frente, mas começa bem ao abrir diálogo com setores do próprio Governo na busca de soluções. Terceirizar serviços não essenciais da Polícia Militar é um caminho, mas insuficiente para reverter o déficit de caixa acumulado nos últimos anos. Terá que ir mais fundo, o que implica, necessariamente, o corte de outros gastos.

Esse é o dilema das administrações em todas as suas instâncias, que agora se defrontam com estruturas superdimensionadas, fruto, especialmente, do aparelhamento da máquina pública para projetos de poder ou para atender interesses da base aliada. Desde a democratização, os chefes de Executivo são induzidos a cooptar parceiros que só topam o “negócio” se as contrapartidas forem cargos nas administrações. Isso sem entrar na questão dos acordos pessoais, em que deputados, senadores e vereadores indicam afilhados em troca de seu voto ou por terem atuado no período de campanha.

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Mudar essa cultura não é fácil, mas não há outro caminho. Os administradores desse período de transição terão que cortar na carne, sob o risco de não serem compreendidos pela opinião pública, por ser a única alternativa. A conta, hoje, não fecha, sobretudo quando a arrecadação continua abaixo das despesas.

Romeu Zema em BH viverá a mesma situação do prefeito Antônio Almas, prestes a encaminhar para a Câmara um pacote duro de medidas, reduzindo postos e fazendo fusões de secretarias. Também em Brasília, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, já anunciou que não há outra receita. O Estado é importante para os segmentos mais carentes, mas está superdimensionado. Por esse modelo, se torna ineficiente. No final da linha, a conta cai exatamente no colo daqueles que precisam de sua proteção.

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