Pontos cegos

Trevo na Ladeira Alexandre Leonel tem excesso de veículos em momentos de pico e risco permanente pela falta de visibilidade

Por Tribuna

05/01/2018 às 07h00

Há cerca de 15 anos, quando começavam a ser anunciados os empreendimentos que mudariam a realidade da região do Cascatinha, a Tribuna fez uma série de matérias especiais avaliando o impacto na mobilidade urbana, levando em conta, sobretudo, o número de veículos, que aumentaria substancialmente. O Independência Shopping ainda estava no papel, e o Bairro Estrela Sul era apenas um sonho dos empreendedores. Já na ocasião, porém, o jornal advertia sobre a necessidade de discussão profunda sobre o tema, ante os efeitos que o trânsito poderia provocar na vida da população. Passado esse tempo, as previsões se confirmam. O fluxo de veículos nos momentos de pico tornou-se um drama diário de quem passa pelo trevo da Alameda Pássaros da Polônia com a Ladeira Alexandre Leonel, por conta do seu papel estratégico no fluxo: dá acesso ao shopping, ao novo bairro e à própria ladeira, nos seus dois sentidos.

Quando da implantação do Independência, foi criada uma nova via, ligando a ladeira à Avenida Itamar Franco, garantindo acesso fácil para ambos os sentidos. Com a implantação do Estrela Sul, criou-se uma nova demanda, não por conta das novas habitações. A despeito de estar ainda em clara expansão, o empreendimento não é a causa central das retenções que se observam, principalmente, na descida da Alameda Pássaros da Polônia. É que, como a universidade, a via tornou-se também uma ligação entre o Cascatinha e a Zona Sul da cidade, especialmente os bairros Alto dos Passos e Santa Luzia.

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Da mesma forma que no campus, os antigos usuários da Rua São Mateus migraram para a nova via. Como resultado, o trevo da Alexandre Leonel ficou sobrecarregado, e com o comprometimento de ter pontos cegos. Quem desce o Estrela Sul na busca do Cascatinha vive momentos de tensão, pois não tem visão dos veículos que sobem a ladeira, vindos da Rua São Mateus, e dividem espaço com os carros que ingressam vindos do acesso ao shopping. E é nesse contexto que a região tornou-se pródiga em acidentes.

O mais grave, porém, é que o pedestre, que em todas as políticas de mobilidade tem a preferência, não tem espaço para atravessar. Joga com a sorte, pois o acesso mais próximo está a cerca de 200 metros, já na altura do Shopping Spazio Design e do Hipermercado Bretas.

A Prefeitura, por meio da Settra, admite dificuldades financeiras – que de fato ocorrem na maioria dos municípios – e anuncia estudos em parceria com os empresários que têm negócios na região, a fim de buscar uma solução. E o caminho é esse, mas carece de urgência, pois há sempre vidas em risco na região, com a possibilidade permanente de ocorrências mais graves.

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