Tópicos em alta: coronavírus / vacina / tribuna 40 anos / polícia / obituário

Margarida Salomão é eleita prefeita de Juiz de Fora

Em sua quarta empreitada eleitoral, a petista é a primeira mulher a assumir o comando da Prefeitura da cidade


Por Gabriel Ferreira Borges

29/11/2020 às 19h15- Atualizada 29/11/2020 às 21h21

Logo após o resultado, prefeita eleita conversava com imprensa na Praça da Estação (Foto: Leonardo Costa)

A candidata Margarida Salomão (PT), 70 anos, foi eleita, neste domingo (29), por 54,98% dos votos válidos – 144.529 votos, a próxima prefeita de Juiz de Fora. Margarida deixará o mandato como deputada federal na Câmara dos Deputados para ser a primeira mulher na história a ser eleita para chefiar o Executivo juiz-forano. A petista sucederá o prefeito Antônio Almas (PSDB) após três empreitadas eleitorais frustradas no segundo turno, inclusive em 2008, quando, a exemplo deste ano, liderou a votação em primeiro turno. Entretanto, à época, na etapa plebiscitária, foi derrotada pelo ex-prefeito Custódio Mattos. O adversário Wilson Rezato (PSB) recebeu 118.349 dos votos válidos (45,02%). Brancos e nulos, somaram, respectivamente, 7.992 votos (2,74%) e 19.972 votos (6,87%).

A eleição da coligação “Juiz de Fora vale à pena” dará ainda ao vereador Kennedy Ribeiro (PV) o posto de vice-prefeito. Eleito para o primeiro mandato enquanto vereador em 2016, Kennedy abriu mão de buscar a reeleição neste ano para integrar uma chapa majoritária. Além de ser a primeira mulher eleita para a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), Margarida ainda levará não apenas o PT, mas também a esquerda a estrear no comando do Executivo local. Entre 2008 e 2016, a candidata sempre chegou ao segundo turno, mas fora derrotada em todas as ocasiões – em 2008, por Custódio, e em 2012 e 2016, pelo ex-prefeito Bruno Siqueira (MDB). Em 2008, inclusive, foi superada por apenas 10.418 votos.

Embora desde então tenha parado em patamar de 42% dos votos válidos em segundo turno, a deputada federal foi a única capaz de viabilizar uma candidatura majoritária à esquerda competitiva nas eleições municipais, já que apenas a prefeita eleita conseguiu representar o espectro político em segundo turno, por exemplo. Antes de Margarida, nenhum candidato do PT havia se aproximado de vitória nas urnas em Juiz de Fora. Entre 1988 e 2000, Jorge Lima de Souza, Paulo Delgado e Agostinho Valente apresentaram votações insuficientes. Em 2004, por sua vez, a sigla sequer lançou candidatura própria à PJF.

Desde o início na dianteira

Os 144.529 votos recebidos consolidam uma campanha confortável de Margarida na corrida pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), sob tom propositivo, desde as entrevistas concedidas às peças eleitorais veiculadas no horário eleitoral gratuito. Embora não tenham sido contratadas quaisquer pesquisas eleitorais durante o segundo turno, a própria postura da candidata denunciava o favoritismo. Aliás, as únicas pesquisas eleitorais realizadas durante a campanha, ambas em primeiro turno, contratadas pela TV Integração, sempre apontaram a petista na dianteira na preferência dos eleitores.

Na primeira sondagem Ibope – MG-04070/2020 -, divulgada ainda em 14 de outubro, a deputada federal aparecia empatada tecnicamente com Wilson na liderança. Na ocasião, a petista tinha 25% de intenção de votos, e o empresário, 29%. Já na sondagem publicada em 10 de novembro – MG-07641/2020 -, Margarida assumiu a primeira colocação ao se isolar com 32% dos votos contra 21% de Wilson Rezato. Os 102.489 (39,46%) votos recebidos em primeiro turno por Margarida confirmaram a posição confortável, uma vez que Wilson recebeu apenas 59.633 (22,96%). A diferença superou 40 mil votos.

O conteúdo continua após o anúncio

Em segundo turno, somaram-se ainda ao projeto da candidata PCdoB, PSOL, Rede Sustentabilidade e PSTU, representados, respectivamente, no primeiro turno, por Fernando Elioterio, Lorene Figueiredo, Marcos Ribeiro e Victória Mello. A prefeita eleita ainda teve os apoios do ex-deputado federal Marcus Pestana (PSDB), do deputado estadual Noraldino Júnior (PSC) e do ex-vereador e ex-secretário de Saúde José Laerte (PSDB).

Planejamento regionalizado foi o principal mote

Desde o início da campanha, Margarida investiu na proposta de planejamento territorializado como o mote principal, inclusive no combate à pandemia de Covid-19. A prefeita eleita prometeu levar até o cidadão a participação nos rumos de empreendimentos nos próprios bairros. A aposta na regionalização do planejamento da Administração municipal reforçou o ordenamento urbano, bem como temas adjacentes, como a principal pauta das eleições juiz-foranas, por meio da qual tanto Margarida quanto Wilson expuseram as diferenças nos projetos de governo.

margarida-sacada-by-leonardo-costamilitancia-pt-by-leonardo-costa
<
>
Da sacada de um edifício na Praça da Estação, Margarida saúda apoiadores (Foto: Leonardo Costa)

A prefeita eleita, aliás, sinalizou a recriação do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Juiz de Fora (Ipplan), bem como a possibilidade de instituir o IPTU progressivo e a outorga onerosa. Em campanha, Margarida apontou ainda para a necessidade de redesenhar o transporte coletivo urbano, sob contrato ainda com os consórcios Manchester e Via JF ao menos até 2026. Conforme pontuou a petista, um novo processo licitatório seria promovido apenas caso necessário seja.

Outra proposta reforçada por Margarida foi a distribuição paritária por gênero do secretariado a ser nomeado por ela assim que for empossada como prefeita. Além disso, em programa eleitoral veiculado durante o Dia da Consciência Negra, a petista prometeu a nomeação de negros e negras para postos-chave no Poder Público, ainda que, a exemplo da distribuição por gênero, não tenha garantido a distribuição paritária dos postos-chave por raça.

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade pelo seu conteúdo é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.



Desenvolvido por Grupo Emedia