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‘Não existe bala de prata’, diz vice-governador eleito

Paulo Brant fala dos desafios do Partido Novo em seu debute em uma experiência executiva e considera que não há solução mágica para equacionar a crise financeira de Minas


Por Renato Salles

25/11/2018 às 07h00

“Temos claro que o governo, para se viabilizar, não pode ser um governo só do partido, mas algo suprapartidário. O Partido Novo ganhou as eleições, mas o Novo não vai para o poder. Quem vai para o poder são as ideias e os valores do Partido Novo, que vai ter que construir uma governabilidade suprapartidária” (Foto: Fernando Priamo)

Vice-governador eleito de Minas Gerais, o economista Paulo Brant visitou a redação da Tribuna na última quinta-feira (22), quando concedeu uma entrevista exclusiva. Como não poderia ser diferente, o principal tema da conversa orbitou em torno da profunda crise financeira pela qual passa o estado, que vivencia contingenciamentos, como o escalonamento dos salários do funcionalismo público e atraso de repasses constitucionais para os municípios. Brant foi taxativo ao considerar não existir uma solução mágica para equacionar a situação e reforçou propostas apresentadas pelo Partido Novo ao longo da campanha que elegeu o empresário Romeu Zema (Novo) como futuro governador. Assim defendeu o enxugamento da máquina pública e, em especial, um acordo com o Governo federal para o refinanciamento da dívida com a União.

“A situação é muito ruim. A gente não sabe o tamanho do déficit, mas é muito grande. Temos os servidores recebendo parceladamente; os municípios recebendo com atraso os repasses constitucionais; dívidas com fornecedores em todas as áreas. Como resolver isto? Não existe bala de prata. O Governo vai fazer sua parte, com ajustes, a redução do número de secretarias e corte de cargos comissionados redundantes. Além disto, vai ser essencial um acordo com o Governo federal. Hoje o Estado gasta quase 80% da receita com o servidor público. O serviço da dívida é de quase 13%. Aí, já acabaram os recursos. Sem acordo com a União, o Estado fica ingovernável”, avaliou Brant.

Apesar das dificuldades financeiras, o futuro vice-governador vê alternativas para o incremento dos serviços públicos de responsabilidade do Governo estadual. “Quando a gente se debruça sobre as questões financeiras, os números são alarmantes. Mas quando a gente começa a discutir as áreas temáticas, em que são mais emblemáticas a saúde, a segurança e a educação, a gente identifica um conjunto enorme de possibilidades de melhoria sem a necessidade de aporte de recursos financeiros. Apenas com melhorias na gestão. Assim, temos muitas possibilidades de melhorar significativamente a prestação dos serviços”, avaliou.

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Marco Maciel como referência

Apesar de admitir estar desempenhando um papel mais ativo durante a transição de governo, Paulo Brant cita a discrição de Marco Maciel, que foi vice-presidente entre 1995 e 2002, durante os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como inspiração. “Ele dizia que o vice tem que ser leal, companheiro, discreto e sincero. Além das atribuições constitucionais, como substituir o governador em eventualidades, terei o papel fundamental de ser um companheiro. O exercício do poder é muito solitário. Pelo fato de haver, normalmente, em todas as relações do governador hierarquia, as pessoas, muitas vezes, têm um certo constrangimento de dizer as coisas que o governador não gostaria de ouvir isso. Já falei com o Zema que irei dizer para ele as coisas que talvez ele não gostaria de escutar. Este é o meu papel”, antecipou o vice-governador.

Para além das funções institucionais no futuro governo, Brant tem atuado na articulação, em busca de garantir a governabilidade do Novo em sua primeira experiência no Poder Executivo, mas, descarta, no entanto, ocupar alguma pasta na gestão Zema. No dia a dia, a minha ideia é ser uma espécie de ‘líbero’ do Governo. Nesta transição, por exemplo, minha função está sendo mais na questão de ajudar a construir a governabilidade e relação com o Poder Legislativo, Judiciário e Ministério Público, por exemplo, fazendo, assim, o papel de um chefe da Casa Civil. Mas não vou ser secretário da Casa Civil.”

Para o vice-governador eleito, a administração de Romeu Zema não pode se fechar dentro de si mesma. “Temos claro que o governo, para se viabilizar, não pode ser um governo só do partido, mas algo suprapartidário. O Partido Novo ganhou as eleições, mas o Novo não vai para o poder. Quem vai para o poder são as ideias e os valores do Partido Novo, que vai ter que construir uma governabilidade suprapartidária”, afirma, lembrando que, por essência, o Novo deve pautar suas ações “em gestão e em colocar pessoas qualificadas nos diversos cargos”. “O grande desafio é construir uma governabilidade de maneira republicana, fazer política com todos os partidos e fazer acordos no sentido positivo do termo, republicanamente, sem fazer negociatas.”

Tópicos: eleições 2018

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