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Conheça Max Alves, juiz-forano que assinou contrato profissional com o Flamengo

Em momento mágico de sua vida, jovem de 19 anos do Bairro Dom Bosco será pai e tem na família a inspiração


Por Bruno Kaehler

08/11/2020 às 07h00

Max Alves. Se você costuma acompanhar o futebol local, sobretudo na base, mas não se recorda deste nome, grave na memória. Se você é flamenguista ou mesmo apaixonado pelo esporte, idem. Aos 19 anos, o jovem juiz-forano, de família do Bairro Dom Bosco, assinou, nesta semana, seu primeiro contrato profissional no Rubro-Negro carioca.

Momento da assinatura de contrato profissional até dezembro de 2021 com o Flamengo (Foto: Arquivo pessoal)

Atleta do sub-20 do Flamengo, Max é meia de criação e já tem se destacado na Gávea há uma temporada por sua habilidade e capacidade técnica. “Está sendo uma experiência enorme, porque nunca tive uma estrutura dessa na minha vida. Quando cheguei no Flamengo tudo mudou. Minha cabeça também. Estou muito mais concentrado, querendo trabalhar firme para dar o melhor para a minha família e me dedicando cada vez mais”, comemora o meia canhoto.

Max iniciou sua trajetória no futebol de campo pelo Dom Orione. “Era treinado pelo Rafael Monteiro e de lá fui para o Futebol UFJF. Fiquei alguns anos, disputei a segunda divisão do Mineiro de base e cheguei a defender o Uberabinha também, até quando tinham parceria com a UFJF. Aí tive um tempo no A.M.D.H. (Associação Mineira de Desenvolvimento Humano, de Betim) e voltei para Juiz de Fora jogando no Tupi”, contou.

No Galinho, pela categoria sub-20, Max foi peça essencial na caminhada histórica que resultou no vice-campeonato mineiro de 2019 e na ida até a terceira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano. Nesta última competição, inclusive, ele já vestiu a camisa 10 do Tupi, mesmo número que tem usado em algumas partidas pelo sub-20 do Flamengo. Sua ida do Alvinegro de Santa Terezinha ao time da Gávea não rendeu quantia financeira ao clube local.

Dentro das quatro linhas, Max quase sempre atuou pelo meio-campo, mas em diferentes funções. “O professor Wesley Assis, no Tupi sub-20, sempre me colocava de meia-atacante, mas cheguei a atuar também como primeiro volante e fui bem. Me destaquei e, ainda no Mineiro, cheguei a atuar até de ponta-esquerda. Já no Flamengo tem variado, mas jogo mais no meio mesmo”, explica.

Treino com os profissionais

Na última quinta-feira, Max viveu nova experiência que certamente não irá esquecer e leva como combustível para seguir evoluindo em sua ascendente e promissora carreira. “Treinei com os profissionais. Meu sonho é chegar lá e estar do lado dos caras. Ficar nos profissionais do Flamengo seria um momento maravilhoso, com o Gabigol, Gerson e tantos outros. E é um clube maravilhoso, todos me trataram muito bem desde que cheguei”, destaca o juiz-forano que já vem sendo observado pelo técnico Domènec Torrent e demais integrantes do estafe rubro-negro.

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O meia Gérson, aliás, é um dos espelhos de Max em campo. “No Flamengo é ele, porque ajuda na marcação e na criação, características que eu tenho como jogador também, mas claro que sem comparar. E também assisto muitos vídeos do Messi, do Neymar, que gosto bastante”, conta o juiz-forano.

Inspirado pela família e pelo futuro de Heitor

De origem humilde, Max vê no talento e esforço diário no mundo do futebol uma chance de subir o patamar de suas condições e das pessoas ao seu redor. Por isso deixou sua mãe, Ângela da Conceição em Juiz de Fora, rumo ao brilhantismo nos campos da Cidade Maravilhosa.

“É minha mãe que sempre está comigo, me mandando mensagem, até porque estou aqui por ela. É uma felicidade poder conquistar novas coisas também para ela”, destaca o jovem de 19 anos, que perdeu seu pai, Altair Aparecido, prematuramente, ainda na adolescência, no ano de 2013. Ainda assim, traz consigo recordações que servem de mola propulsora na árdua caminhada de um sonhador com a bola no pé.

Max tem como uma de suas maiores inspirações a mãe, Ângela da Conceição (Foto: Arquivo pessoal)

“Meu pai, por mais que não tive muito contato com ele, é minha inspiração também. Ele vendia picolé nas ruas, todo mundo conhecia na região. Ele sempre ia em casa e me falava para acreditar no meu potencial e que queria me ver jogar no Flamengo. Levei isso para dentro de mim. Toda vez que entro em campo, agradeço a Deus por meu pai e por minha família, sempre me apoiando”, revela o talento rubro-negro.

Mas o momento mágico de Max é comemorado também por outro motivo para lá de especial. A namorada Poliana está gravida e eles serão pais do menino Heitor. “É uma felicidade enorme. É claro que a responsabilidade aumenta, mas estamos todos felizes, minha mãe também ficou e minha família sempre é um incentivo. Vou trabalhar bastante para ver ele bem sempre e conseguir dar aquilo que eu não tive.”

Max comemora gol marcado sobre o Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro sub-20 (Foto: Paula Reis/Flamengo)

Após superar tantas dificuldades, Max parece valorizar cada pingo de alegria e, principalmente, a companhia daqueles que estão com ele desde o começo. “Tenho que agradecer a muitas pessoas, como ao Régis (de Oliveira), meu empresário, que me conheceu quando em Betim, em 2016, quando ainda jogava na AMDH. Ele foi ver um amigo meu, o Kassinho (juiz-forano ex-América, Tupi e seleção brasileira de base), e acabou que eu fui muito bem, estava com a camisa 10. O Régis gostou de mim e acabou virando meu empresário. Depois disso ainda conheci pessoas como o Evandro, empresário do Rio que me dá muita força e não posso deixar de mencionar”, agradece Max.

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