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Repórter Bruno Kaehler aceita desafio e aprende a pedalar com ciclista e professor Toninho Toledo

RankBrasil oficializa juiz-forano como profissional que mais ensinou pessoas a andarem de bicicleta no Brasil

Por Bruno Kaehler

04/03/2018 às 07h00- Atualizada 05/03/2018 às 07h40

Toninho com a aluna Ana Maria Camargo, 61 anos, que aprendeu a andar de bicicleta há três meses: “Não tomo mais remédios para pressão e glicose altas. E passei a dormir melhor, estou mais tranquila, a ansiedade que eu tinha desapareceu. Não quero parar de pedalar nunca mais”, diz a nova ciclista (Foto: Marcelo Ribeiro)

“Já ganhei muitos troféus na minha vida em 33 anos de competições, mas esse é o que tem real significado para mim. Obtive ele colocando as pessoas para frente e não as deixando para trás. É muito satisfatório e emocionante.” O sentimento do ciclista e professor Toninho Toledo, reconhecido pelo RankBrasil como o professor que mais ensinou alunos a pedalarem no país – 477 protocolados ao todo pela Bike School – foi comprovado pela reportagem da Tribuna na tarde da quinta-feira (1), na UFJF. Bastaram dez minutos para que eu, que não sabia andar de bicicleta, pedalasse pela primeira vez, em linha reta, com segurança e conhecimento das técnicas básicas, sem auxílio algum. O RankBrasil é uma empresa independente que atua há 17 anos em todo o Brasil registrando exclusivamente recordes brasileiros, sem vínculo com sistemas internacionais, como o Guinness World Records.

Com paciência, Toninho assegurou que não me deixaria cair e que, em uma aula, eu conseguiria andar numa magrela. Voltei a a ser criança ao deixar os receios para trás. Pedalei meus primeiros metros sobre duas rodas sozinho, empurrado também pela ciclista já mais confiante, Ana Maria Camargo, 61 anos, que comemorava minha conquista tanto quanto festejou a própria, há três meses atrás. Dona de casa, ela fez questão de ratificar como a bicicleta mudou sua vida, ao se tornar uma das 825 pessoas que aprenderam com Toninho, segundo números do próprio professor (nem todas foram protocoladas pelo critério do Rank Brasil).

O repórter Bruno Kaehler, que voltou a ser criança na última quinta, na Praça Cívica da UFJF, ao pedalar sozinho por alguns metros, com a orientação de Toninho (Foto: Marcelo Ribeiro)

“Tinha medo, não entendia nada de bicicleta, e com as aulas peguei mais coragem, confiança e foi muito bom para a minha saúde. Tinha pressão e glicose altas, agora emagreci 4kg, não me sinto mais obesa e pretendo melhorar ainda mais. Tenho artrose nos joelhos, na lombar, cervical. Pedalando, a glicose abaixou, sou outra pessoa”, festeja Ana Maria.

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Com as medicações deixadas de lado, ela conta que não consegue ver sua vida sem uma magrela. “O Toninho foi tranquilo e me tirou o medo que tinha até de sentar na bicicleta. Minha vida mudou completamente. Não tomo mais remédios para pressão e glicose altas. E passei a dormir melhor, estou mais tranquila, a ansiedade que eu tinha desapareceu. Não quero parar de pedalar nunca mais”, revela.

Perseverança, coragem e reciprocidade

Toninho dedica sua vida ao ciclismo desde 1980. Com início no bicicross, ele competiu em provas da modalidade, além de mountain bike e outras disputas até ensinar sua filha, Maria Eduarda, a andar de bike há 13 anos atrás. “Ela tinha 5 anos, hoje está com 18. Ensinei aqui mesmo na UFJF e deu muito certo. Depois fundei a Bike School, isso há dez anos”, relembra. Desde então, cada aluno é lembrado com carinho pelo mesmo motivo: a reciprocidade no aprendizado.

“Meu primeiro aluno tinha 4 aninhos apenas. Ainda não possuía o método de hoje, minha lombar doeu muito e, por causa disso, criei a metodologia em que com dez aulas deixo o aluno sabendo tudo. Passa marcha, anda bem, faz curvas. Andar para frente em uma ou duas aulas eu consigo, mas para ficar bom, demanda mais tempo”, relata. Entre os mais de 800 beneficiados, Toninho ensinou pessoas com síndrome de down, senhoras como a mais velha que teve, de 77 anos, e atualmente tem um aluno de 5 anos que é autista. “Jamais vou esquecer”, revela.

O resultado são sorrisos estampados na face dos novos ciclistas e do professor. “A cada dia aprendo uma coisa nova. Perseverança, batalha, porque a própria bike traz isso para as pessoas que precisam, normalmente, desenvolver essa coragem, acreditar em si mesmas. E cada pessoa reage de um jeito nessa situação. Número é consequência. Eu quero sempre estar fazendo o bem. Isso muda a vida das pessoas, que melhoram coordenação, a coragem, aprendem a controlar as próprias emoções numa bicicleta. Você cria competências na cabeça do aluno, que a cada dia tem uma vitória no curso e o faz se sentir bem.”

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