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Patrícia de Almeida: ‘Alguns espaços fortaleciam laços de pertencimento’

Pesquisadora investigou espaços de sociabilidades, como bares e praças, onde os negros se encontravam no início do século XX na cidade


Por Mauro Morais

28/06/2020 às 06h55- Atualizada 28/06/2020 às 09h12

Patrícia, no final de seu livro, elaborou um mapa com a localização dos espaços retratados em sua pesquisa. (Foto: Fernando Priamo)

A Roda da Tumba ficava na altura do Alto dos Passos. Já o Cabaré da Maria Birimbó e do João Bruziguinha se localizava no Centro, próximo à Boate Elite, ao Bar da Sereia e ao Quem Pode Pode. No mapa ao término do livro “Elos de permanência: O lazer como preservação da memória coletiva dos libertos e de seus descendentes em Juiz de Fora no início do século XX”, fruto da dissertação de mestrado em história da pesquisadora Patrícia Lage de Almeida, é possível identificar alguns dos espaços de lazer frequentados por negros libertos e seus descendentes na Juiz de Fora do início do século passado. Investigados através da história oral, esses espaços revelam uma segregação que, ainda hoje, persiste em novas formas e lugares.

De que forma a dinâmica geográfica de Juiz de Fora no início do século XX conformou os espaços de sociabilidade de escravizados libertos e seus descendentes? O que eles ofereciam aos clientes?
Encontrar tantos espaços de sociabilidades negras em Juiz de Fora mostra a força, a presença e a resistência desse grupo. Vale ressaltar que estamos tratando de uma cidade que tinha suas origens cunhadas pelo mito do empreendedorismo imigrante. Esses espaços fortaleciam os laços de pertencimento e solidariedade do grupo. Ali eles podiam encontrar emprego, moradia, amor ou buscar qualquer outro auxílio.

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Na Boate Elite, você conta, era exigido um traje para que os negros adentrassem a casa. Como era isso? E o que esse dado revela sobre a sociabilidade que era permitida aos negros naquela época?
Para frequentar a Boate Elite era obrigatório o uso de gravata (quando chegavam à porta sem o acessório, a própria casa oferecia uma). Pode-se inferir que esse uso de gravata era sinônimo de civilidade, respeito e pertencimento àquela Juiz de Fora.

Em seu livro você conta que a igreja condenou alguns espaços, mas também serviu como ambiente para o lazer. Como isso se deu? 
O adro da igreja é público e a festa católica acolhe todo mundo. No entanto, vale lembrar que mesmo os espaços públicos têm suas regras, ainda que implícitas.

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