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Mamm volta a receber público a partir desta terça-feira

Duas exposições marcam a reabertura das visitações ao Museu de Arte Murilo Mendes, fechado desde março de 2020 por causa da pandemia


Por Júlio Black

23/11/2021 às 14h03

Exposição “Aquisições recentes” reúne obras de artistas modernos e contemporâneos adquiridas pelo Mamm a partir de 2018 (Foto: Fernando Priamo)

Assim como todos os espaços destinados à arte e cultura em Juiz de Fora, o Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) fechou as portas em março de 2020 devido à pandemia de Covid-19. Pouco mais de 20 meses depois, o espaço reabre suas portas ao público a partir desta terça-feira, com as exposições “Sentado à beira do tempo”, com releituras de obras de Murilo Mendes, e “Aquisições recentes”, com obras adquiridas pela instituição a partir de 2018.

Num primeiro momento, o Mamm terá um horário de funcionamento reduzido. Até o final do mês, o espaço estará aberto de terça a sexta-feira, das 13h às 18h; em dezembro, o horário será de terça a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, das 13h às 18h. Por enquanto, o museu não vai abrir aos domingos e feriados, como acontecia antes da pandemia, mas o superintendente da instituição, Ricardo Cristofaro, espera que o horário pleno (terça a sexta das 9h às 18h, e sábado, domingo e feriados das 14h às 18h) seja retomado em algum momento de 2022. Ele orienta o público a ficar atento às redes sociais da instituição para conferir eventuais alterações.

“Ensaiamos a reabertura em alguns momentos, mas não foi possível”, revela Cristofaro. “Ficamos com nossa programação indefinida por um bom tempo, mas pudemos começar a trabalhar o retorno há cerca de dois meses, depois que a situação começou a melhorar, sempre seguindo os protocolos municipais, estaduais e da própria UFJF.”

Por ainda ser um momento de retomada, atividades que faziam parte do cotidiano da instituição, como as visitas guiadas e o programa que levava crianças da rede de ensino para visitar as exposições, seguem suspensas. “Estamos agindo com o máximo de prudência para que as coisas possam acontecer gradativamente. Sabemos que é um momento de transição, que não é possível retornar a todo vapor. E seguimos ansiosos para começar a trabalhar com a programação para 2022, torcendo para que possamos permanecer abertos.”

Artista plástico Manabu Mabe é um dos nomes mais conhecidos dentre as novas aquisições para o acervo do Mamm (Foto: Fernando Priamo)

Novidades do acervo

Uma das exposições que marcam a reabertura do Mamm, “Aquisições recentes” vai ocupar a galeria Convergência com as obras adquiridas pelo museu desde que conseguiu, em 2018, o selo “Museu registrado”, concedido pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museu) e que permite às instituições participarem de editais para aquisição de obras apreendidas pela Receita Federal. Cristofaro conta que uma lei federal de 2013 determina que todas as apreensões de obras de arte devem ser repassadas ao Instituto, que distribui para os museus por meio de editais.

Foi graças a esse selo que o Museu de Arte Murilo Mendes – único da cidade a consegui-lo até o momento – foi selecionado para receber um dos lotes de obras de artes apreendidas, muitas delas que haviam entrado no país de forma irregular. Outra parte do acervo veio do Instituto Itaú Cultural, que fez uma parceria com o Ibram para doar, por meio de editais, mais de 700 obras que pertenciam à instituição. O Mamm também recebeu, por meio de doação, obras de artistas parceiros que já realizaram exposições no espaço, e também dos Museus Castro Maya, por meio do projeto “Os amigos da gravura”, e 67 obras de Fayga Ostrower, doação realizada por seus filhos, Noni e Carl Ostrower. Alguns dos trabalhos da artista polonesa, inclusive, estavam na galeria virtual inaugurada pelo Mamm durante a pandemia.

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Parte dessas doações poderá ser vista pela primeira vez em Juiz de Fora a partir desta terça, e Ricardo Cristofaro destaca que há um novo acervo suficiente para outras futuras exposições. Por enquanto, além de Ostrower, a mostra terá trabalhos de Manabu Mabe, Vik Muniz, Roberto Burle Marx, Andréa Lanna e Glauco Rodrigues, entre outros. “São obras que estávamos com desejo de mostrar ao público há muito tempo, pois são conquistas que tivemos nos últimos anos. São cerca de cem obras que acrescentamos ao nosso acervo, com algumas conquistas muitos singulares”, afirma.

“Essa exposição tem um recorte do que de mais significativo recebemos nesses quatro anos, com diferentes linguagens e reunindo artistas que se aproximam por certas escolas ou estilos”, prossegue. “Temos um núcleo que trabalha com a política de aquisição e descarte, instituída em 2017, que desde então tem trabalhado de forma coerente, afinada com a visão do Mamm de buscar obras que estejam alinhados aos nossos critérios, que desde a época em que não existia o museu, mas o Centro de Estudos Murilo Mendes, já vinha reunindo obras de artistas brasileiros modernos e contemporâneos. Por isso mesmo, não participamos de todos os editais do Ibram.”

Murilo revisitado

“Sentado à beira do tempo” reúne 64 trabalhos de 55 artistas brasileiros e estrangeiros inspirados na obra de Murilo Mendes, entre pinturas, desenhos, gravuras, fotos, colagens, esculturas, objetos, vídeos e performances que poderão ser visitados pelo público até 6 de março de 2022.

A concepção da mostra é do Acesso Arte Contemporânea, formado pelas curadoras Marilou Winograd, Gilda Santiago e Aline Toledo. Juiz de Fora será a segunda cidade a receber a exposição – antes, ela esteve em cartaz no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro. Na cidade, a mostra terá o artista plástico Petrillo como curador convidado.

“Esse coletivo apresentou a proposta da exposição, que acabou adiada por causa da pandemia. Os trabalhos, inclusive, ficaram guardados aqui em Juiz de Fora, que já estava prevista para ser a segunda cidade a receber a exposição. Achamos até que não aconteceria agora porque já havia outras cidades na lista, e por sorte houve essa janela depois da temporada no Rio”, comemora.

Sobre os trabalhos que compõem a mostra, Ricardo Cristofaro argumenta que ela é representativa de um movimento que vem sendo feito há bastante tempo de articulação entre literatura e artes visuais. “É algo que o Murilo já construía em sua obra e que passou a ser tema em muitas exposições, inclusive no Mamm e no antigo Centro de Estudos, por conta da possibilidade de releituras. É uma forma de trabalhar na mesma perspectiva com que ele trabalhava, e fazer com que as pessoas possam reler o Murilo ou procurar conhecer o poeta. É uma forma interessante e importante de manter sua poesia viva.”

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