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Cartas a JF: Lembranças da cidade nos 1970/80

Por Tribuna

14/05/2019 às 06h49- Atualizada 14/05/2019 às 20h18

Em 1973, Juiz de Fora!

 

Lembro a primeira vez em que dormimos em Juiz de Fora: 11 de julho de 1973. Vindo de Brasília, passamos a morar no edifício Osasco, na Avenida Rio Branco, esquina com a Getúlio Vargas. Guardei esta data porque foi no dia em que o avião da Varig caiu antes de pousar no aeroporto de Orly, em Paris, causando a morte de centenas de passageiros.

Meu pai escolheu Juiz de Fora por gostar muito da cidade, levando-se em conta o seu clima e a tranquilidade. Eu tinha 10 anos de idade, e 44 anos se passaram. Nasci em Volta Redonda, mas me considero mineiro desta cidade que nos acolheu muito bem! Diversas situações e cotidianos marcaram bastante minha vida por aqui: o cheiro da torrefação do café Apolo próximo à linha de trem na Benjamim Constant, o trem de prata que ligava Belo Horizonte ao Rio de Janeiro e que fazia uma parada em Juiz de Fora, o trem Xangai, a energia elétrica que faltava todos os domingos pela manhã na época da Companhia Mineira de Eletricidade, a TV Industrial que transmitia os jogos do campeonato carioca, a TV Globo do Rio de Janeiro que repetia o sinal para Juiz de Fora e que, para revolta dos juiz-foranos, passou a receber o sinal da TV Globo de Belo Horizonte, o campo de pouso ao lado do Bairro Nova Era, a pista de motocross no bairro Cascatinha, o antigo Shopping Del Center quase em frente ao prédio da Prefeitura, a Telemusa que depois passou a ser Telemig, a lanchonete Café Apolo na Marechal Deodoro, a rodovia União Indústria que ligava Juiz de Fora ao Rio de Janeiro, as ruas Halfeld, Marechal Deodoro e a São João sem calçadão, a antiga rodoviária Assis Chateuabriand, na esquina Getúlio com a Rio Branco… São muitas histórias…

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Depois de morar por alguns bairros da cidade, fomos para São Pedro, bem ao lado da UFJF, que no tempo ainda, experimentava ares de zona rural: transitar na UFJF era proibido entre 18h e 6h, o acesso se dava pela atual estrada, ainda de calçamento, sem iluminação pública, sem acostamento e com o perigo de dar de cara com “a noiva” que aterrorizava na curva do castelinho, hoje, Privilège. Ônibus no bairro: de uma em uma hora, e me lembro da linha Nova Califórnia: era um ônibus bem antigo! Na represa de São Pedro, a pescaria era liberada, e a estrada do bairro Cruzeiro dava acesso a outros sítios porque a BR-040 sequer existia.

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Quanto aos meios de comunicação, não tem como esquecer a rádio PRB-3 e o programa do João de Barros logo pela manhã. Ligava o rádio para não atrasar para a aula no Grupo Central. Tivemos ainda a rádio Difusora FM, a Manchester FM, o Diário Mercantil, Diário da Tarde… Chegava da aula, e minha mãe escutava o programa da Helena Bitencourt na PRB-3, marcada por uma música de piano, cujo nome não me vem a lembrança, mas sei que é música clássica!

E o frio que fazia? Hoje não chega nem aos pés… Juiz de Fora… ontem, hoje e sempre!

 

Gustavo Alves Rattes

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