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Monólogo ‘Aurora’ estreia neste sábado no Paschoal Carlos Magno

Idealizada por Ulisses Belleigoli e Déa Stallone, a peça reflete sobre destino, crenças, feminino, escolhas éticas e laços com outros seres vivos


Por Júlio Black

13/05/2022 às 07h00

Com Déa Stallone sozinha no palco, monólogo “Aurora” estreia neste sábado após dois anos de adiamento (Foto: João Paulo Brum/ Divulgação)

Ao visitar o apartamento da falecida mãe para cuidar das plantas que herdou, uma mulher reflete sobre seu destino, suas crenças, o feminino, suas escolhas éticas e os laços com outros seres vivos, fazendo um entrelace entre seu passado e futuro. Estes são os temas da peça teatral “Aurora”, que tem apresentações, neste sábado (14) e domingo (15), às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno, e também nos dias 21 e 22, no mesmo horário. Idealizado como um monólogo, o espetáculo tem dramaturgia e direção de Ulisses Belleigoli e Déa Stallone interpretando a personagem que dá título à peça, além de ser responsável pelo figurino.

Ulisses conta que a peça foi idealizada pela dupla a partir de um desejo dos dois – que trabalham como contadores de histórias no Colégio Granbery – de trabalharem juntos, em um projeto que congregasse coisas importantes para a dupla a respeito de temática e formato. “A Déa falou que tinha esse desejo de fazer uma peça onde contasse histórias e cantasse, e começamos um processo de construção desse texto e formato, e conversávamos sobre coisas importantes para a gente. Trocamos muitos textos que estávamos lendo, músicas, e escolhemos assuntos que fossem importantes para mim e para a Déa, buscando essa interseção, principalmente, em lugares em que tínhamos muitas afinidades ou muitas disparidades”, explica. “Esses lugares do luto, da crença, do gênero, foram povoando nossas conversas e culminaram na criação da Aurora.”

Um “balde de água fria”

A dupla passou quase um ano nesse processo, antes de Ulisses começar a escrever o texto. Os ensaios tiveram início, nos primeiros meses de 2019, e a estreia estava agendada para 2 de maio de 2020, mas a pandemia fez com que os planos fossem adiados em dois anos. “Adiar o trabalho durante tanto tempo em função da pandemia gerou muitas incertezas, mas também nos deu oportunidade de buscar um olhar diferente sobre o texto, de experimentá-lo também na plataforma digital”, conta Déa Stallone. “De certo modo, nos ajudou a reforçar a importância da memória para essa personagem. Podermos hoje, depois de um longo e doloroso período, levar essa peça ao palco é um prazer enorme, dá um frio na barriga, deixa a gente com o coração a mil.”

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Ulisses, por sua vez, lembra que foi “um balde de água fria” a notícia de que o espetáculo seria adiado. “A gente estava naquele caminho final para estrear a peça quando veio o isolamento social. E foram dois anos (sem poder encenar), foi muito ruim, mas a gente amadureceu não só como artistas, mas também como pessoas, e eu acho que estamos muito alegres por poder fazer a peça, voltar aos palcos, estar em contato com as pessoas”, diz. “A gente também está num momento político muito difícil do país, com o governo Bolsonaro, e entendemos que a arte é uma forma de engendrar vida nas pessoas, pensar sobre a vida. Se cada um se apropriar um pouco de suas questões, talvez tenhamos mais chances de passar por esse momento, esse longo inverno, e chegar de novo na primavera.”

Ulisses e Déa falaram, ainda, das possíveis mudanças no projeto que tinham há dois anos em relação ao que vai estrear, no próximo sábado, tendo em mente os variados efeitos da pandemia. “Acho que o principal impacto que a pandemia gerou na peça talvez seja mesmo no que aparece para o público, mas fica para a gente nas entrelinhas, que é a maneira como a gente está se portando diante desses temas”, acredita Belleigoli. “A peça fala sobre subjetividade, religião, o feminino, que são assuntos que estão na boca do povo, tanto para o bem quanto para o mal. A peça mexeu com a maneira como a gente enxerga o teor que essa personagem fala no contexto social. Temos conversado sobre o lugar em que esse texto pode entrar na vida de cada pessoa.”

“Tudo parte do encontro desta personagem com suas muitas verdades, com seu passado”, acrescenta Déa Stallone. “Aurora tem um desejo imenso de acreditar em algo, e desse desejo surge uma necessidade de se agarrar às memórias da relação com sua mãe nesse lugar já vazio, mas tão cheio de presença. É um pouco do que fazemos na vida, quando contamos sobre nós, sobre nossos encontros, sobre como as relações nos marcam.”

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