Entrevista com Maria Elizabeth Sacchetto, escritora


Por MARISA LOURES

11/08/2015 às 07h00- Atualizada 11/08/2015 às 14h12

Beth é organizadora dos livros

Beth é organizadora dos livros “Contos – Esportes” e “Crônicas – Esportes”, voltados para o público infanto-juvenil (Fernando Priamo)

“Todo leitor se inicia na arte de ler, ouvindo, primeiramente, histórias que lhe são contadas.” Foi assim que aconteceu com a menina nascida em Juiz de Fora e hoje autora dessa frase, Maria Elizabeth Sacchetto, ou Beth Sacchetto, como muitos a conhecem. Professora de língua portuguesa, doutora em literatura e coordenadora de cultura do Colégio Academia, Beth descobriu cedo que a literatura determinaria sua vida e agora segue conduzindo crianças e adolescentes para o mágico mundo das histórias. Convidada pela Franco Editora, ela organiza e assina cinco textos nos livros “Crônicas – Esportes” (64 páginas) e “Contos – Esportes” (64 páginas), que será lançado nesta quinta-feira, às 19h, na Livraria Arco Íris. O público-alvo é o infantojuvenil.

No time de cronistas, também estão os editores da Tribuna Isabel Pequeno e Wendell Guiducci, além de Dad Squarisi, Maria Diva Boechat e Rodrigo Barbosa. Já os contistas são Alexandre Lobão, Eliane Dourado, Maria de Lourdes Abreu de Oliveira, Maria Helena Sleutjes e Rosângela Vieira Rocha. “O Fernando Franco (editor) e eu acreditamos que bons leitores se formam quando entram em contato com bons livros. Como estamos próximos das Olimpíadas, criamos esse projeto, promovendo escritores de Juiz de Fora e de outras cidades”, afirma a organizadora, entrevistada do “Sala de Leitura”, da Rádio CBN Juiz de Fora. O quadro vai ao ar aos sábados, às 10h30, com reprise na segunda, às 14h30. Ao mesmo tempo em que se encarrega com a divulgação do projeto, Beth planeja a coleção “Bichinhos sonhadores”, voltada para os pequenos. “O Fernando vem trabalhando muito com escritores da cidade e fazendo lançamentos muito significativos.”

Tribuna – Por que contos e crônicas de esportes para o público infantojuvenil?

Maria Elizabeth Sacchetto – A escolha veio justamente determinada por serem textos mais breves. O conto é uma narrativa condensada. E a crônica é quase que um flash do cotidiano, além de ser um texto voltado para a reflexão, para um questionamento, o que atende o leitor atual.

– Alguns dos autores são do meio esportivo, outros não. A intenção foi misturar cronistas e contistas de várias áreas?

– Sim, mesclar jornalistas que podem produzir textos literários com uma linguagem mais jornalística. Inclusive, esses textos foram para o livro de crônicas. Nossa intenção também foi dar oportunidade a escritores com trajetória de publicações para que pudessem participar do livro sem, necessariamente, serem grandes conhecedores de esportes.

– Você diz que aprendeu a amar os livros ainda pequenina. Como fazer as crianças de hoje amarem os livros?

– No livro “Como um romance”, o pedagogo e escritor francês Daniel Pennac aborda justamente essa questão de como desenvolver, na criança e no jovem, o gosto pela leitura. Geralmente, as pessoas pensam que isso começa na escola, mas é em casa, vendo o pai e a mãe lendo. Se há em casa momentos de leitura e de discussão sobre a leitura, se os pais levam a criança para vivenciar o espaço de uma livraria, o leitor se constitui. Claro que os professores também são grandes incentivadores.

– Seu conto “Um passe para gol” traz um menino tímido, de família simples, que é um craque do futebol. A trajetória dele é muito parecida com a de vários jogadores. Você se inspirou em alguma história específica?

– Já li várias histórias de jogadores de futebol que têm ou tiveram uma trajetória semelhante. Inspirada nelas, criei um menino franzino que tem o sonho de ser um jogador. É um conto inspirado na realidade, mas há muito de imaginação, de fantasia, porque o escritor trabalha com isso. Ele transfigura a realidade, ficcionalizando-a.

– E o projeto continua?

– Juiz de Fora tem uma grande quantidade de escritores que estão, inclusive, adormecidos. Já escreveram durante um tempo, pararam e agora estão querendo voltar, como é o meu caso. Temos pessoas muito competentes aqui, grandes escritores que estão calados, ficam, às vezes, inibidos, não gostam de mostrar seus textos e que deveriam ter uma chance. Eu também não gosto muito de mostrá-los. Juiz de Fora precisa investir mais no seu potencial literário.

CRÔNICAS E CONTOS DE ESPORTES

Lançamento dos livros nesta quinta, 13, às 19h

Livraria Arco Íris

(Galeria Constança Valadares 26 – Centro)

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