Banda Daki volta a ocupar a Avenida Rio Branco com tradicional desfile

Após hiato de três anos sem o cortejo, bloco tomou a principal avenida da cidade; entre os foliões, clima foi de animação pela retomada do legado de Zé Kodak


Por Elisabetta Mazocoli

10/02/2024 às 14h05- Atualizada 10/02/2024 às 15h47

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(Fotos: Leonardo Costa)

Após hiato de três anos sem tradicional desfile, a Banda Daki voltou a tomar a Avenida Barão do Rio Branco, no Centro de Juiz de Fora, neste sábado (10). Centenas de foliões participaram do mais tradicional bloco de carnaval da cidade,  que começou às 10h com a concentração no Largo do Riachuelo, ao lado da estátua em homenagem a Zé Kodak, General da Banda, inaugurada no ano passado.

Com a presença de famílias, diversas pessoas completamente fantasiadas, figuras tradicionais do carnaval da Zona da Mata e grupos de amigos de todos os cantos de Juiz de Fora, o bloco celebrou o carnaval pela 50ª vez. Trazendo, ainda, três trios elétricos e a ampliação do trecho de desfile. Entre os foliões, o clima foi de animação pela retomada do desfile e do legado de Zé Kodak. 

Entre o público, Gilberto Matheus, de 56 anos, acompanhava a neta Alice, 8 anos, enquanto se fantasia de Darth Vader. Já faz mais de 20 anos que ele comparece ao carnaval da Banda Daki, e garante que trazer a terceira geração pra a festa é um verdadeiro prazer. “A Banda é uma família, nós brincamos, curtimos muito. Essa é a melhor parte do Carnaval”, diz.

Para Marisa Diaz, que desfila com o Bloco do Batom, com cerca de 30 mulheres fantasiadas de debutantes, próximas dos trio elétricos da Banda Daki, essa é uma forma de reunir pessoas queridas e aproveitar uma das melhores épocas do ano. “Eu já vou fazer oitenta anos. Sou apaixonada por carnaval, aproveito cada momento. Hoje estou viva, mas não se sabe o amanhã.” 

Da mesma forma, Ivani Ferreira e suas três outras amigas desfilaram próximas ao trio elétrico vestidas de “filhas de Gandhi”, que remete a um bloco fundado em Salvador e que faz parte do afoxé.

“As filhas de Gandhi saem do terreiro de candomblé, com orixás e muita fé. Trazemos pra cá nossa força enquanto mulheres.” Para ela, a melhor parte é poder estar junto de pessoas que a despertam tanta alegria. “A gente se solta e vive o sonho de criança que existe dentro da gente”, conta.

Já Cláudio Trompine, conhecido como o palhaço “Trombetinha”, conta que foi há 10 anos a primeira vez que curtiu o carnaval da Banda Daki, por convite de Zé Kodak. Voltar aos desfiles é seu modo, agora, de relembrar do amigo e de músicas que marcaram a sua vida. “Espero poder vir sempre”, diz. Como conta, foi o carnaval de rua de Juiz de Fora que descobriu o amor pela festa “mais animada do Brasil”. 

Rei e Rainha da Banda Daki celebram o carnaval

Neste ano, Carlos Guedes e Liliane Gonzaga desfilam como Rei e Rainha da Banda Daki, animando o bloco em um dos carros que vão até a Avenida Itamar Franco. Estar presente no dia dessa festa, no entanto, não é nenhuma novidade para os dois, já que Liliane afirma estar presente no desfile há 28 anos, sem faltar sequer um sábado. “Já estou há dois desfiles como Rainha e é uma emoção muito grande”, conta.

Para Carlos, que está nos desfiles desde que eles se iniciaram, a empolgação permanece a mesma. Quando começou a frequentar a banda, ele vinha acompanhado do irmão Júnior, falecido há dez anos. “Venho sozinho, mas sinto ele aqui comigo e ao meu lado sempre”, diz. 

Para ele, o melhor é a possibilidade de aproveitar com sua comunidade. “O que eu mais gosto da Banda é essa alegria e confraternização desse povo que me deixa emocionado com tanto carinho, saudação, amor e segurança. Precisamos disso no carnaval. Me sinto seguro e à vontade aqui, todo mundo me beija e me abraça.”

 

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