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Trabalhadores da Gil paralisam atividades

Conforme Sinttro, nenhum ônibus da empresa circula nesta sexta-feira; empresa acusa sindicato de impedir atividades dos trabalhadores


Por Carolina Leonel (colaborou Gabriel Silva, estagiário sob supervisão do editor Eduardo Valente)

30/10/2020 às 07h42- Atualizada 30/10/2020 às 11h20

Os trabalhadores da empresa Goretti Irmãos Ltda. (Gil) cruzaram os braços nesta sexta-feira (30), conforme orientação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Juiz de Fora (Sinttro-JF). A mobilização acontece devido a não quitação pela empresa, prevista para esta quinta, dos benefícios pendentes da categoria. Com a não circulação da frota da Gil, de acordo com a Settra, 20 linhas deixaram de ser atendidas: Floresta, Caeté, Jardim Esperança, Retiro, Terras Altas, Sarandira, Alto Grajaú, Nossa Senhora Aparecida, Vitorino Braga, Parque Burnier, Bom Jardim, Linhares, Santa Cândida, Aracy, Grajaú, São Sebastião, São Benedito, Vila Alpina, São Bernardo e Nossa Senhora de Lourdes.

Em comunicado emitido no fim da tarde de quinta, o sindicato informou que seus representantes estariam, a partir de meia-noite desta sexta, em frente à garagem da empresa, no Bairro Vitorino Braga, “orientando os trabalhadores para que voltassem para as suas residências”. Procurada pela Tribuna, a assessoria da Astransp, que representa a Gil, declarou que “não se manifesta em relação a questões individuais/administrativas das empresas”.

Na manhã desta sexta, o presidente do Sinttro, Vagner Evangelista, confirmou à Tribuna que os trabalhadores da empresa acataram a orientação da entidade e paralisaram as atividades. Conforme Evangelista, nenhum ônibus da Gil saiu da garagem até o momento.

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Nenhum ônibus da empresa Gil de Juiz de Fora saiu da garagem na manhã desta sexta
Nenhum ônibus da empresa saiu da garagem nesta manhã, segundo sindicato (Foto: Leonardo Costa)

600 rodoviários cruzam os braços, segundo Sinttro

Ao todo, 600 rodoviários teriam aderido ao movimento, segundo o Sinttro. E todos os 37 ônibus da Gil permanecem na garagem. Também há a possibilidade dos trabalhadores responsáveis pela manutenção dos veículos aderirem à paralisação, uma vez que eles têm os mesmos problemas de atraso nos benefícios complementares aos salários.

Ainda conforme o Sinttro, na quinta-feira (29), em reunião do sindicato com a Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra), foi solicitado que não houvesse decreto liberando a circulação de vans para circular em substituição aos ônibus. Na visão do sindicato, os transportes escolares não atendem aos moradores de Juiz de Fora, uma vez que circulam apenas pelas regiões centrais da cidade.

Ainda assim, a previsão é que a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) publique um decreto regulamentando o transporte alternativo ainda nesta sexta-feira. A Settra, em contato com a reportagem, confirmou que já encaminhou portaria liberando o atendimento das vans em substituição às linhas da Gil. A assessoria da pasta municipal ainda confirmou que, como a Gil não cumpre o decreto de greve que obriga a manutenção na circulação de 30% da frota, “a Settra está tomando as medidas cabíveis”.

‘Situação insustentável’

Em conversa com a reportagem, o secretário do Sinttro, Franklin Wilson Nunes, tratou o novo impasse entre os trabalhadores e a Gil como insustentável. “A situação chegou a um ponto que não dá mais para o trabalhador e para a população. Não tem condições de se trabalhar assim, sem saber se vai receber ou não”, afirma o secretário, que complementa: “Para a população também é difícil, não sabe se no dia seguinte vai ter ônibus que a atenda”.

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Para o representante do Sinttro, a solução seria a retirada da empresa do transporte coletivo urbano do município.”O que a gente quer é que a Prefeitura repasse as linhas da Gil e as obrigações trabalhistas para as outras empresas”, reivindica Franklin.

Gil alega que trabalhadores ‘foram impedidos de trabalhar’

À Tribuna, o diretor da Gil, Fernando Goretti, afirmou que os trabalhadores da empresa foram “impedidos (pelo Sinttro) de trabalhar”. “O sindicato chegou na garagem e falou que a empresa não iria funcionar a partir de hoje, mandando todos os funcionários para casa”, disse. Segundo Goretti, o Sinttro também estaria tentando restringir o trabalho dos funcionários do departamento pessoal da empresa. Apesar disso, o diretor afirmou que os setores administrativo e a manutenção estavam em “normal funcionamento”.

Ainda segundo Goretti, a única pendência da empresa com os funcionários é o pagamento de dois terços do valor do tíquete-alimentação. “Já foi feito o pagamento (dos salários), a entrega da cesta básica e o pagamento de um terço do valor do tíquete. Inclusive, o valor restante do vale iria ser pago em duas vezes, com o depósito de mais um terço realizado ontem (quinta-feira), mas a categoria não aceitou essa proposta, então o depósito não foi feito”, explicou.

Segundo o diretor, o pagamento parcelado foi sugerido em razão das dificuldades financeiras que a empresa enfrenta, cenário que foi agravado pelas circunstâncias impostas pela pandemia. Goretti afirmou que a Gil já está tomando as medidas judiciais cabíveis, já que a categoria não opera nem com 30% da frota, como determina a legislação vigente em caso de paralisações.

Reunião na próxima semana

Conforme o secretário Franklin Wilson Nunes, a orientação é para que os funcionários da Gil permaneçam em casa enquanto as pendências são resolvidas. Segundo ele, há uma reunião agendada para a próxima semana para tentar solucionar o impasse. “Temos uma reunião marcada para quarta-feira no Ministério Público do Trabalho (MPT-MG) para ver se a gente sai com uma solução de lá”, projeta.

Reflexos no trânsito

Embora os carros das demais empresas que operam o transporte coletivo urbano no município estejam em circulação, a paralisação dos quase 40 veículos da Gil comprometeu a mobilidade urbana, causando reflexos no trânsito na área central na cidade. Ao longo da manhã era intenso o fluxo de veículos particulares nas avenidas Brasil e Rio Branco, próximo ao Mergulhão.

 

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