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Minas Gerais já vive pico de contágio pela Ômicron, diz Governo

Estado segue na onda verde e mantém retorno das aulas presenciais para 7 de fevereiro


Por Renato Salles

27/01/2022 às 19h02- Atualizada 27/01/2022 às 22h11

Secretário Fábio Baccheretti fez uma avaliação do atual momento da pandemia no estado (Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG)

O governador Romeu Zema (Novo) e o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, fizeram uma avaliação do atual momento da pandemia em Minas Gerais. Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (27), eles alertaram que o pico de contágio pela nova variante, a Ômicron, deve acontecer entre esta e a próxima semana. Independentemente do cenário de preocupação, o Zema e o secretário ressaltaram que será mantida a onda verde dos protocolos estaduais de enfrentamento à crise sanitária. Da mesma forma, o retorno das aulas presenciais da rede estadual de educação segue agendado para o próximo dia 7 de fevereiro.

“Estamos em um momento especialmente delicado, devido à explosão no número de casos da pandemia. A variante Ômicron, apesar de não levar a sintomas graves, tem se mostrado com potencial de contágio extremamente agressivo, fazendo com que diversas instituições, inclusive do Estado e do setor produtivo, passem a ter dificuldades de operar devido ao número de pessoas afastadas”, avaliou Zema.
Já o secretário de Estado de Saúde pontuou que, nos últimos dias, as cidades mineiras vêm batendo sucessivos recordes de casos de pessoas infectadas pela nova variante. “Entre essa e a semana que vem é a previsão do nosso pico. Diante disso, há o aumento de casos em 24 horas. Batemos o recorde ontem. Hoje, mais uma vez, acima de 30 mil casos em 24 horas, com 55 óbitos. Estamos aumentando bastante a incidência, mas ainda sem aumentar na mesma proporção os óbitos.”

De cada dez mil infectados, uma vai para o CTI

Baccheretti ressaltou, no entanto, que o atual perfil da pandemia é diferente do que foi visto nos piores momentos da crise sanitária iniciada ainda em março de 2020, uma vez que a curva de crescimento do número de casos confirmados de Covid-19 cresce de uma maneira muito mais acentuada que a traçada pelo número de óbitos em decorrência da doença provocada pelo coronavírus. “A incidência de casos é algo diferente e muito maior do que nós vivenciamos no pior momento do ano passado, entre março e abril, na onda roxa. Mas, quando a gente olha os óbitos, é completamente desproporcional em relação à incidência de casos.”

Para detalhar a avaliação, o secretário exemplifica que na penúltima semana, o estado computou 1.820 pessoas internadas com síndrome respiratória aguda grave, o que inclui várias doenças, entre elas, a Covid-19. “Quando a gente olha para março do ano passado, na semana com maior número de internações, foram 9.370 pessoas internadas. Então, apesar de termos uma incidência três vezes maior nesse mesmo período, nós estamos observando que a internação é muito inferior à observada no ano passado.”

Para o secretário, o menor índice de internações e também de óbitos, observados na comparação com o ano passado, comprova a eficácia da vacinação contra a Covid-19. “Isso mostra como a vacinação é eficaz diante de uma variante menos grave. Apesar de a gente ter uma incidência muito alta, a gente tem uma menor pressão sobre os leitos de CTI. Mas ela (a variante) ainda gera internação. Então, temos que tomar cuidado”, avalia.

Para exemplificar os efeitos da vacinação no atual momento da pandemia, Baccheretti apresentou números que mostram que, no auge da pandemia em 2021, entre março e abril, de cada cem pessoas infectadas pelo coronavírus, três acabavam internadas em unidades de terapia intensiva. “Hoje, a cada cem pessoas que pegam a doença, 0,09% interna. É como se a cada dez mil pessoas infectadas, uma vai para o CTI. É um dado muito menor do que nós vivenciamos ano passado.”

35% de ocupação
Fábio Baccheretti faz ainda outro comparativo. Enquanto, na última semana, Minas computou 87 óbitos em decorrência da Covid-19, no pior momento do mês de março do ano passado, foram registradas 2.777 mortes pela doença em uma mesma semana. Segundo o secretário, no momento, menos de 35% das UTIs estão ocupadas no estado. “Temos 96 pacientes aguardando leitos de UTI. É uma fotografia, uma vez que eles estão sendo internados durante o dia. Mas, chegamos a mais de 800 pessoas aguardando por leitos de UTI na época da onda roxa.

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Minas tem quase um milhão de doses pediátricas

Para o secretário, a aproximação do atual pico da onda de contágio pela Ômicron só acontece sem tantos casos graves por conta da vacinação. “Ultrapassamos 37 milhões de doses aplicadas. No público-alvo, com idade acima de 12 anos, já chegamos a 87,3% com as duas doses aplicadas No público geral, 21% já tomaram a dose de reforço.”

Ainda de acordo com Baccheretti, Minas já tem 958 mil doses de vacinas para crianças disponíveis para aplicação pelos municípios. “Vamos receber mais vacinas na semana que vem, da CoronaVac e da Pfizer. A expectativa é de que toda criança esteja vacinada com uma dose em fevereiro. Isso só vai acontecer se pais e responsáveis entenderem que a vacina é segura e é a única saída que nós temos para a pandemia. A prova está nos dados de hoje. Se tivéssemos a Ômicron há um ano atrás, sem vacina, estaríamos vivendo um momento difícil”, avalia o secretário.

Destinação de R$ 45 milhões aos municípios

Segundo o secretário de estado de saúde, Fábio Baccheretti, a preocupação agora está em garantir o atendimento da população. “Iremos repassar mais de R$ 45 milhões para os municípios, para que eles consigam melhorar o atendimento das UPAs, dos hospitais, além de garantir leitos. O Estado está investindo na manutenção de leitos e do atendimento. Especialmente, do pronto atendimento.” De acordo o governador, os recursos destinados aos municípios serão encaminhados “em especial para Belo Horizonte, que foi uma das cidades mais afetadas”.

Baccheretti disse ainda que o objetivo é ampliar a testagem. “Iremos distribuir na semana que vem mais cerca de um milhão e meio de testes rápidos.”

Com Covid-19 há 11 dias, Zema pede consciência aos mineiros

Em sua fala durante a entrevista coletiva, Romeu Zema lembrou que foi diagnosticado com a Covid-19 há 11 dias e afirmou que o Estado está fazendo a sua parte no enfrentamento à atual onda de contágio da pandemia. Assim, o governador pede cuidado aos mineiros, principalmente no que tange a vacinação contra a Covid-19. “Se as pessoas não tiverem consciência, a situação não vai ser resolvida. Já aplicamos mais de 37 milhões de doses. Estamos caminhando rapidamente para 40 milhões. Mas ainda temos muitas pessoas que não fizeram ou não completaram o seu ciclo de vacina. A dose de reforço é importantíssima. Os meus sintomas foram relativamente leves”, disse Zema, que já tomou, inclusive, dose de reforço.

O governador considerou ainda que, no momento, são as pessoas que não se vacinaram que estão sendo hospitalizadas com quadros graves da Covid-19. “O que nós estamos assistindo é uma sobrecarga, em alguns momentos, devido algumas pessoas não darem crédito para a ciência. As vacinas foram desenvolvidas por cientistas e pessoas capacitadas e não por curandeiros. Então, nós temos de dar crédito. Nós precisamos lembrar que o maior trunfo que nós temos na pandemia é a vacinação. Mais do que qualquer outro fator”, disse Zema.

O governador Romeu Zema pontuou que as medidas paliativas de enfrentamento à Covid-19 traz reflexos em toda a rede estadual de saúde. “Toda vez que se destina mais profissionais, mais recursos e leitos para atender Covid, é menos cirurgia eletiva que é realizada e menos pessoas que poderiam ser salvas. Então, não é hora de politizar a saúde. Saúde é assunto para quem é da área, para quem estudou, e para quem se formou nisso”, afirmou.

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