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Centro de Juiz de Fora já teve três homicídios neste ano

Apesar do salto na região central, assassinatos na cidade recuaram 32 % na comparação com 2017

Por Sandra Zanella

22/02/2018 às 17h07- Atualizada 22/02/2018 às 17h18

Três homicídios já ocorreram no Centro de Juiz de Fora neste ano, enquanto um assassinato foi registrado em toda a região central nos 12 meses de 2017. O salto de óbitos por meio de ações criminosas em pleno coração da cidade não tem uma explicação, segundo o delegado da Especializada de Homicídios, Rodrigo Rolli, e realmente fugiu ao padrão da maioria das 137 mortes violentas contabilizadas pela Tribuna naqueles 365 dias. As três pessoas assassinadas foram atacadas com golpes de arma branca, como facas, em brigas aparentemente com motivos fúteis, ao contrário de grande parte das vítimas do ano passado, que morreram com tiros por questões ligadas ao tráfico de drogas. Apesar do aumento de casos na área mais movimentada do município, houve queda no total de crimes fatais e de tentativas de homicídio na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Enquanto em 2017 foram contabilizadas 25 mortes violentas até 23 de fevereiro, a soma até esta quinta-feira (23) chegava a 17, um recuo de 32%, conforme levantamento do jornal. Segundo a Especializada de Homicídios, houve 32 tentativas de assassinato nos dois primeiros meses do ano passado, contra 15 em 2018, com redução de 53%. Em janeiro, a Tribuna publicou a série de reportagens “Vidas perdidas- um raio-x dos homicídios em JF”, mapeando os 137 óbitos violentos ocorridos em 2017 e nos últimos seis anos – período em que houve explosão de assassinatos – e mostrando como as polícias Civil e Militar e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário têm se articulado para reverter essa realidade assustadora. “Estamos com boa impressão, porque estamos tendo uma redução satisfatória. Acreditamos que as investigações e as condenações do passado estão dando efeito. Está acabando aquela sensação de impunidade, com as prisões e penas pesadas causando repercussão no meio criminoso”, avaliou Rolli.

O primeiro caso de 2018 no Centro não foi divulgado na época e foi registrado depois pela Polícia Civil. Alessandro de Araújo Cunha, 43 anos, levou uma facada nas costas, que teria atingido o pulmão, e teria sido empurrado no Rio Paraibuna, no dia 7 de janeiro, durante a feira da Avenida Brasil, na altura do Terreirão do Samba. Segundo Rolli, ao cair no curso d’água, ele bateu a cabeça. Quando os bombeiros chegaram para socorrê-lo, já havia sido retirado por populares e estava às margens do rio, com um corte na cabeça. O homem, morador do Jardim de Alá, na Zona Sul, chegou a ser socorrido até o HPS, mas não resistiu e faleceu posteriormente. O boletim de ocorrência foi feito no dia 18 daquele mês, quando a esposa da vítima compareceu à delegacia. “Ele morreu em decorrência de complicações do traumatismo craniano, mas só bateu a cabeça porque foi agredido. Conseguimos imagens do Olho Vivo e visualizamos o autor. Os investigadores vão identificá-lo para finalizarmos a investigação”, disse o delegado. A motivação da briga ainda não foi esclarecida.

Morte na Getúlio Vargas

O caso que teve mais repercussão este ano no Centro foi a morte do vendedor ambulante Luiz Leandro Pereira de Souza, 38, ocorrida na Avenida Getúlio Vargas, na tarde do último dia 16. O crime violento à luz do dia e em uma das vias mais movimentadas chocou a população, além de levar caos ao trânsito. O suspeito, 46, foi localizado pela PM, com a ajuda das câmeras do Olho Vivo, no cruzamento da Rua São Sebastião com a Avenida Francisco Bernardino. Ele também estava ferido sem gravidade e teria brigado com a vítima por causa de pontos de venda de mercadorias, já que os dois seriam comerciantes ambulantes. O homem está no Ceresp, à disposição da Justiça, e deverá ser ouvido pelo delegado nesta sexta (23). Por enquanto, permanece a mesma motivação, segundo Rolli.

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Luiz Leandro sofreu quatro perfurações à faca no tronco, duas no braço e uma na face. O suspeito foi medicado no HPS, com ferimentos múltiplos na cabeça, ombro e braço esquerdos. Uma tesoura que teria sido usada pela vítima foi apreendida no local. Já a faca usada no assassinato, foi localizada suja de sangue na Praça do Riachuelo. A Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), responsável pela fiscalização dos vendedores ambulantes, informou, no dia do crime, que os envolvidos não eram licenciados pela Prefeitura.

Já no dia 6 deste mês, Tales Tiago de Almeida, 22, foi morto a facadas na Rua Benjamin Constant, próximo à Roberto de Barros, no Centro. Segundo a Polícia Militar, o crime aconteceu depois de a vítima ter ido a um bar com um amigo, 20, cobrar a devolução de um celular que teria sido furtado desse colega. O jovem foi atingido por cinco golpes, sendo quatro deles nas costas e outro no tórax. O suspeito do assassinato, 22, não foi localizado. A faca usada na ação criminosa foi encontrada no estacionamento de um hipermercado nas imediações. A PM orienta que atitudes como essa, de tentar reaver produtos roubados sem a presença da polícia, jamais devem ser tomadas. O delegado da especializada ponderou que o motivo ainda deve ser confirmado, mas tudo indica ter sido mesmo a questão do celular. “Como a vítima morreu, e as testemunhas não sabem dizer, vamos ver a versão do autor. Ele já está identificado e foi reconhecido. Vamos finalizar o inquérito esta semana e pedir a prisão preventiva dele.”

 

 

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