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Fatores emocionais podem contribuir para surgimento do câncer

Estresse e ansiedade, por exemplo, geram reações fisiológicas do corpo, e podem afetar diversos órgãos. No caso das mamas, seios proporcionam troca de energia e, por isso, precisam de equilíbrio psicológico


Por Carolina Leonel

18/10/2018 às 07h00- Atualizada 18/10/2018 às 10h52

As vivências, experiências e atitudes comportamentais podem influenciar diretamente a manifestação de doenças e outros distúrbios. A ansiedade e o estresse, por exemplo, podem estar ligados ao surgimento de tipos de câncer mais graves, de acordo com um estudo que começou a ser conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em 2012. Segundo a pesquisa, existe o ‘bom’ e o ‘mau’ estresse. O primeiro é positivo, pois motiva o funcionamento do sistema imunológico, o qual prepara o corpo para enfrentar doenças. O segundo, no entanto, enfraquece o corpo e, por isso, rompe com a capacidade do organismo de lutar contra patógenos.

A partir desta premissa, a Tribuna conversou com a antropóloga e terapeuta menstrual, Janaína Morais, que, por meio da ginecologia autônoma, prática natural, busca levantar e discutir questões relacionadas à arte menstrual. Na conversa, Janaína, que também é doutoranda do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), aborda questões sobre seu foco de estudo, a medicalização da menstruação, e sobre como as questões psicológicas e emocionais refletem em nosso estado de saúde, contribuindo para a manifestações de doenças como o câncer de mama. A reportagem é a quarta da série Outubro Rosa.

Antropóloga e terapeuta menstrual, Janaína Morais promove oficinas e debates sobre sexualidade e transformações do corpo feminino (Foto: Brenda Marques)

Conforme a especialista, tudo que a pessoa vive influencia na saúde física, podendo levar o corpo a gerar reações fisiológicas. “O ciclo menstrual, por exemplo, é um ciclo muito sensível a mudanças do nosso entorno, às nossas mudanças fisiológicas. O estresse, as toxinas ambientais, a alimentação, o estilo de vida e emoções pelas quais a pessoa passa, influenciam não só o ciclo, mas qualquer tipo de distúrbio em relação ao corpo”, diz. A relação existe porque, conforme a terapeuta, estímulos emocionais e psicológicos desencadeiam uma resposta biológica-hormonal no corpo humano. “Se a gente passa por situações traumáticas ou um estresse contínuo, o nosso corpo passa a produzir determinado tipo de hormônio continuamente, e isso gera uma resposta muitas vezes negativa, que vai acumulando aquele tipo de energia”, explica.

É o que pode acontecer com os seios, por exemplo. No caso específico das mamas, a antropóloga cita o ato de nutrir e de alimentar uma vida como os principais canais de troca da carga energética. “É um órgão que está relacionado ao que esta mulher está oferecendo para si, para o mundo. Se ela está muito sobrecarregada, se doando excessivamente aos outros – como mãe ou esposa, por exemplo -, e esgotando suas próprias energias, é importante rever este desequilíbrio. Então, tem que problematizar o tipo de relação que está sendo desenvolvida com os filhos, com a família. Os seios são lugares nos quais a gente guarda muita energia, e doa também. A manifestação de doenças no corpo está muito relacionada a um equilíbrio do tanto de energia que você doa, e do tanto de energia que você armazena”.

Estresse e ansiedade

O estresse e a ansiedade, no entanto, não costumam apresentar sinais somente de maneira generalizada. Janaína cita que na tradição das medicinas orientais, por exemplo, determinado tipo de emoção afeta diretamente órgãos específicos do organismo. “O estresse é o tipo de emoção que afeta o coração, a raiva afeta o fígado e o medo, os rins. Portanto, se passamos por estas emoções de uma maneira continuada, o funcionamento do nosso sistema de um modo geral, e destes órgãos em específico, é afetado”.

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Além destes fatores, grandes insatisfações, hábitos comportamentais ruins, alimentação desbalanceada e demasiadamente ácida são elementos que contribuem para uma reação negativa do organismo e das mamas, o que pode propiciar distúrbios e, até mesmo, lesões cancerígenas. Entretanto, a terapeuta afirma que é preciso ser levado em conta o histórico de cada mulher, e as questões que envolvem o feminino, a maternidade e a fertilidade.

Ginecologia autônoma incentiva autoconhecimento

A terapeuta começou a se dedicar à temática quando teve viabilizado seu projeto ‘Meu Corpo, Meu Sangue’ pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura Murilo Mendes, em 2015. Por meio da iniciativa, como contrapartida social, ela desenvolveu oficinas de ginecologia autônoma, e procura incentivar que mulheres conheçam seus corpos, ciclos menstruais e sexualidade, ao mesmo tempo que observam as transformações do próprio corpo. Os encontros, segundo ela, são uma troca de experiências e, também, de aprendizado entre as participantes. Temas como autoconhecimento e consciência corporal são abordados.

De acordo com a antropóloga, a ginecologia autônoma e natural não busca romper com a ginecologia convencional, mas proporcionar maior consciência corporal e emocional, além de autonomia na relação médico-paciente. “Não é uma questão de romper completamente com a ginecologia convencional, e sim utilizá-la em benefício próprio. Inclusive a prática de terapias alternativas tem modificado muito. Há, por exemplo, as terapias integrativas, que têm sido assimiladas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Conforme o Ministério da Saúde, essas práticas cumprem um papel de prevenção de saúde, evitando que as pessoas adoeçam ou que distúrbios se agravem. Segundo a pasta, o Brasil é o país que oferece maior número de práticas integrativas na atenção básica de saúde – atualmente são quase 30 tratamentos diferentes. Somente no ano passado, conforme o Ministério, foram realizados 1,4 milhão de atendimentos individuais.

Oficina

Janaína afirma ter um material extenso e rico, e vem compartilhando sua pesquisa e conteúdo com diversas mulheres, por meio de experimentos metodológicos. “Há uma parte teórica, de troca de saberes e, também, prática para reconhecimento do próprio corpo, uma alfabetização corporal”. A próxima edição da oficina de ginecologia autônoma acontece nos dias 10 e 11 de novembro (módulo I) e 24 e 25 de novembro (módulo II). Os módulos têm carga horária de 12 horas e vão acontecer no espaço Studio Michelle Marques (Rua Silva Jardim 654 – Centro). Outras informações sobre conteúdo e inscrição estão disponíveis na página do evento no Facebook ‘Oficina de Ginecologia Autônoma‘.

 

Tópicos: outubro rosa

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