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Sindicato pede interdição do prédio da Delegacia Regional de JF

Espaço fica no Bairro Santa Terezinha, Zona Nordeste da cidade. Inspeção sindical encontrou condições consideradas precárias


Por Michele Meireles e Renan Ribeiro - Repórteres

17/09/2021 às 08h13

Imagens compartilhadas pelo próprio sindicato, após vistoria no prédio, relevam condição deteriorada da estrutura (Foto: Divulgação/Sindpol)

O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol/MG) pediu a interdição e a condenação do prédio onde funciona a Delegacia Regional de Juiz de Fora, no Bairro Santa Terezinha, Zona Nordeste da cidade. A decisão ocorreu após uma visita da entidade ao local, na quarta-feira (15), quando teriam sido constatados problemas estruturais que, segundo o Sindpol, podem colocar em risco a vida dos servidores e de quem frequenta o espaço. O local é onde fica a maioria das delegacias e também o plantão, para onde são levadas as pessoas presas em flagrante pela Polícia Militar.

O Sindpol fez um manifesto direcionado ao delegado regional, Armando Avolio Neto, assinado por diversos policiais, onde estão descritas as condições encontradas por eles no prédio, que foi construído na década de 1970. O sindicato pede providências e informa que encaminhará ofício à Prefeitura de Juiz de Fora, ao Governo do Estado e a deputados, além de solicitar vistoria para o Ministério Público e para o Corpo dos Bombeiros.

Em fotografias da delegacia feitas pelos sindicalistas e divulgadas em redes sociais, aparecem mobiliários danificados, paredes descascadas, fiações à mostra, mato e sujeira. De acordo com o vice-presidente do Sindpol/MG, Marcelo Armstrong, em 2019 havia sido feita uma outra inspeção sindical e constatadas irregularidades, porém, nada teria sido feito.

Armários e móveis danificados também são mostrados em imagens divulgadas pelo sindicato (Foto: Divulgação/Sindpol)

“Só foi deteriorando até agora. A situação atual está insustentável. É um local insalubre, está quase melhor o policial fazer o atendimento na rua, ele teria mais dignidade. Para nós, é preciso fazer a interdição desse prédio, porque não tem condições dessa delegacia funcionar da forma como está, colocando em risco a integridade física dos policiais civis e da sociedade. Nós, do Sindpol/MG, já estamos tomando as providências cabíveis em relação a isso, levaremos ao conhecimento de todas as autoridades competentes e vamos cobrar providências”, disse Marcelo Armstrong, acrescentando que pode ser ajuizada uma ação civil pública pedindo o fechamento do local e a transferência dos serviços para outro espaço até que os problemas sejam resolvidos.

O diretor regional da subsede do Sindpol Zona da Mata, Givanildo Guimarães, ressaltou que, após fazer vistoria na delegacia, foi constatada “uma série de irregularidades absurdas”, que, de acordo com ele, condenam totalmente a infraestrutura da delegacia. “A nossa análise é a condenação total desse prédio e a construção de um prédio novo”, afirmou Givanildo.

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Instalações hidráulicas e elétricas também são consideradas precárias (Foto: Divulgação/Sindpol)

Por meio de nota, o delegado regional, Armando Avolio, ressaltou que houve uma reunião com representantes do sindicato, na qual foi abordado item por item sobre o manifesto. Segundo o delegado, um grupo já havia sido formado para tratar das melhorias estruturais do local. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros e a perícia técnica fizeram laudos do local. “Todas as providências estão sendo tomadas para que melhorias ocorram”, destacou Avolio.

Problemas nas instalações e em viaturas

Segundo o manifesto elaborado pelo sindicato, as condições das instalações hidráulicas e elétricas são “precárias e comprometem não só a segurança, mas também a integridade física dos servidores com riscos permanentes de acidentes de trabalho, incêndio e etc”. Além disso, o sindicato apontou precariedade na frota de viaturas, sobretudo dos veículos descaracterizados, usados para investigações.

Os integrantes do sindicato constataram ainda uma infestação de pombos que estaria contaminando a água da caixa d’água, “tornando-a imprópria para o consumo, sendo necessário que os servidores, por meio de recursos próprios, arquem com a aquisição de galões de água para suas unidades, inutilizando os bebedouros destinados à população”.

Outro problema que o Sindpol destacou é relacionado à segurança do prédio. Conforme o manifesto, não há muros que cercam o local, possibilitando a entrada nas dependências da delegacia pelos fundos, onde há um matagal com dificuldade de observação dos policiais do expediente e plantonistas. A preocupação é maior durante a noite e aos finais de semana, quando poucos policiais ficam no local.

Providências

No documento do Sindipol, a entidade reivindica medidas emergenciais a “serem apreciadas pela chefia localmente e, se possível, encaminhada a órgãos superiores”. A entidade pediu uma vistoria do Corpo de Bombeiros para avaliar a situação real do prédio, a reforma da caixa d’água e a construção de um gradil em toda a delegacia, além da criação de um protocolo de segurança para o controle de acesso ao prédio. Também foi pleiteado um plano permanente de manutenção das viaturas e a criação de um depósito para veículos e materiais apreendidos.

O Sindpol quer também que seja implementado um grupo de estudos e planejamento para buscar verbas para projetos específicos visando a melhorias estruturais de toda a delegacia, como estande de tiros, quadra e outros espaços. A categoria pede uma manifestação oficial dos órgãos superiores da Policia Civil e do Estado com a apresentação de soluções para os problemas apontados.

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