Criança morreu depois de ser espancada e estuprada


Por Tribuna

17/01/2017 às 03h00- Atualizada 17/01/2017 às 09h36

acusado
Suspeito, que está preso no Ceresp, foi levado ontem à delegacia de Santa Terezinha. Ele teria confessado o crime com frieza e disse perdeu a cabeça e que estava em surto (Foto: Leonardo Costa)

A Polícia Civil apresentou ontem o homem de 24 anos suspeito de matar e estuprar Lady Dayane da Silva Otaviano, de 1 ano e 10 meses. O suspeito, que era guardião da criança, está no Ceresp desde a última sexta-feira, quando foi preso em flagrante ainda no IML, enquanto aguardava a liberação do corpo da menina. O titular da Delegacia de Homicídios, Rodrigo Rolli, afirmou que o preso confessou o crime com frieza. O exame de necropsia apontou que Lady Dayane morreu em decorrência de hemorragia aguda grave causada por politraumatismo, possivelmente em decorrência de espancamento. Foram constatadas lesões nos órgãos da menina, principalmente no fígado, que foi dilacerado, e no pulmão esquerdo, perfurado por uma costela que foi quebrada. Ela ainda teve o intestino estourado por conta do abuso sexual. Lady Dayane é irmã da garota de 2 anos assassinada pelo padrasto em 2015 e estava sob os cuidados de um casal de parentes. A mãe das vítimas também chegou a ser acusada da morte da menina mais velha, Luana Silva da Rocha, mas foi absolvida. Na época, ela e o companheiro haviam sido presos em flagrante durante o velório da criança. Por este motivo, a guarda de Lady estava com o suspeito e sua esposa, que é prima da mãe das garotas. A juíza da Vara da Infância e da Juventude, Maria Cecília Gollner Stephan, esclareceu ontem que Lady Dayane estava com a família da prima de sua mãe desde 2 de dezembro de 2015. Desde então, não se tinha ocorrência envolvendo a família, que inclusive havia entrado com o pedido de adoção da criança.

De acordo com o delegado Rolli, o homem preso na sexta-feira primeiro alegou que a criança, que deu entrada na unidade médica já sem vida, teria caído de uma rampa em um barranco no dia 2 de janeiro e que estava tendo crise asmática. “O legista acionou a Delegacia de Homicídios depois de examinar o corpo. As lesões eram incompatíveis com a queda. Além disso, o aspecto era de lesões recentes, ainda estavam roxas”, comentou. Conforme o delegado, o suspeito disse que “apenas deu tapas fortes na região da barriga. Porém, as lesões foram causadas por espancamento, que pode ser por soco, chute, paulada ou outro instrumento. Ela tinha lesões na região anal, houve abuso sexual recente”, acrescentou Rolli.

O delegado afirmou que fará a reconstituição da suposta queda da menina. “Agora iremos montar o histórico recente dessa criança, saber se ela já vinha sendo agredida e abusada. Vamos ouvir vizinhos, parentes para efetivar melhor esta situação.” A princípio, a mulher que tinha a guarda não tem participação no crime, mas a polícia vai apurar se houve omissão.

A Secretaria de Saúde informou que Lady Dayane havia dado entrada na UPA de Santa Luzia no último dia 2 e que havia o relato de que ela se feriu em uma queda. Da unidade de saúde, ela foi encaminhada para o HPS com fratura na perna direita. Ela foi atendida pelo Setor de Traumatologia e liberada.

O Conselho Tutelar da Região Sul-Oeste afirmou que o órgão não tinha registro de ocorrências envolvendo a família.

Frieza

De acordo com o inspetor Anderson Gibi, que fez a prisão do homem, ele deu detalhes do crime e não demonstrou arrependimento. Anderson foi também quem prendeu o padrasto da irmã de Lady e sua mãe, no velório da menina, em maio de 2015. O preso no primeiro crime, condenado a mais de 20 anos de prisão, é pai de Lady Dayane. “Tenho 23 anos de polícia e realmente essas situações nos deixam transtornados, são casos muito complexos”, disse.

Em entrevista ontem, o suspeito disse que “perdeu a cabeça” e que estava em surto. Ele afirmou que deu três tapas fortes no abdômen da menina. Sobre o abuso, negou-se a dar detalhes e disse que se a perícia comprovou “estava comprovado”. Ele deve ser indiciado por homicídio triplamente qualificado e estupro de vulnerável.

Juíza critica falta de informação

Até que Lady Dayane chegasse ao casal, ela viveu com outros familiares. “Existe um critério muito grande para entregar uma criança. O Estatuto da Criança diz é que a prioridade é manter com a família. No caso desta menina, após a morte da irmã, apareceram vários familiares querendo a guarda. Ela chegou a ficar por algumas horas em um abrigo, depois com a avó materna, a avó paterna e com uma tia materna. Estudos mostraram que eles não tinham condições. Ela, então, ficou sob os cuidados de uma família acolhedora, até que buscássemos outros familiares aptos. Após seis meses de estudo desta prima, ela foi entregue”, detalhou a juíza da Vara da Infância, Maria Cecília Stephan.

Segundo a magistrada, desde então, o casal, que tem um filho, é acompanhado por psicólogos e assistentes sociais da Vara. Em agosto, o suspeito e a esposa entraram com processo de adoção. O procedimento estava sob análise. “Vendo as fotos deles anexadas no processo, você não pode imaginar que tenha acontecido uma coisa dessa”, disse a magistrada, mostrando uma foto da menina no colo de seu assassino, junto com o filho do casal e a esposa, cuja legenda usada pela família é “o começo de todos os dias de nossa vida”.

Maria Cecília levantou o fato de não ter sido comunicada sobre a entrada da garota no HPS e na UPA, em 2 de janeiro, com uma fratura. “Não poderíamos imaginar, com todos os relatórios excelentes deste rapaz. O que me aborreceu foi o fato de os hospitais não terem informado à Vara que ela foi atendida. Se tivessem feito, minha equipe teria ido até o local e socorrido esta criança, talvez o crime não teria ocorrido.”

A Secretaria de Saúde informa que todos os procedimentos indicados para o atendimento de Lady Dayane foram adotados na ocasião de sua entrada pela UPA Santa Luzia em 2 de janeiro. “Atendida pela equipe médica daquela unidade, a criança foi encaminhada ao HPS por motivo de queda, para o setor de ortopedia, não havendo em seu atendimento naquele dia, tanto na UPA quanto no HPS, qualquer indício que pudesse levar a equipe a suspeitar de agressão. Em casos de qualquer suspeita de maus-tratos, é procedimento padrão de todas as equipes de nossas unidades o comunicado imediato à PM e à Vara da Infância.”

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