‘Se não fosse eu, será que minha amiga teria sido achada?’: testemunhas de acusação do caso Brunna Letycia são ouvidas
Sessão do julgamento ocorre no Fórum Benjamin Colucci nesta quinta
Todas as seis testemunhas de acusação do julgamento de Renata Alexandre Sant’Ana, 32, e Herick Patrick Soares Dornelas, 33, réus pelo homicídio de Brunna Letycia, foram ouvidas no Fórum Benjamin Colucci, nesta quinta-feira (16), em Juiz de Fora.

A última delas foi o amigo que conseguiu descobrir para onde Brunna havia ido naquela madrugada. Depois de registrar boletim de ocorrência sobre o desaparecimento da amiga, o líder técnico Nicolas Rachid, 29, postou nas redes sociais um vídeo de câmeras de segurança de onde Brunna morava, no Bairro Aeroporto, Cidade Alta. Nas imagens, aparecia uma moto e um carro por aplicativo, no qual a vítima embarcou.
Ao ver as imagens, o motociclista, que também fazia transporte por aplicativo, reconheceu que era ele quem havia estado no local, mas Brunna havia cancelado a corrida e chamado um carro por conta da chuva. Com a ajuda do motociclista, Nicolas chegou ao endereço dos acusados, no Bairro Previdenciários.
“Eu tinha visto que ela não estava em casa, mas tinha deixado um carregador de telefone e ficado muito tempo fora, achei meio estranho. Desci até a porta da casa dela e vi que tinha uma câmera do vizinho. Pedi a ele, expliquei toda a situação do desaparecimento.”
Ao chegar ao prédio, os acusados tentaram negar que Brunna esteve lá, mas Nicolas permaneceu na portaria mais um tempo junto com um amigo, até que o casal desceu, supostamente para tentar fugir. O amigo insistiu sobre o desaparecimento dela e teve acesso ao apartamento dos suspeitos. “Nunca vi um apartamento tão bagunçado, tão revirado. Não dá pra explicar. Foi como se um furacão tivesse passado naquele lugar. Então, com certeza, alguma coisa muito louca aconteceu”, recorda.
Nicolas juntou todas as provas que conseguiu, incluindo as imagens das câmeras de segurança do prédio no Previdenciários, que mostram a chegada de Brunna e a saída do casal com uma mala no elevador horas depois, e repassou à polícia. A testemunha diz esperar por justiça.
“Nada vai suprir a falta dela. A gente também perdeu o pai da Brunna recentemente, há um ano.” Depois de praticamente solucionar o caso, questiona: “se não fosse eu, será que minha amiga tinha sido achada? Pedimos justiça da melhor forma possível e, se Deus quiser, tudo vai ser concretizado.”
Além de Nicolas, foram ouvidos no Tribunal do Júri: o porteiro e o síndico do prédio no Previdenciários – onde ocorreu o crime -, outro amigo que ajudou a desvendar o caso, um policial civil que participou das investigações e o motorista de aplicativo que transportou o casal e a mala onde o corpo de Brunna foi colocado.
Testemunhas de defesa já começaram a ser ouvidas
Após a oitiva das testemunhas de acusação, é a vez das testemunhas de defesa. Conforme o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), nove serão inquiridas em sessão presidida pela juíza Joyce de Souza de Paula. A primeira testemunha ouvido foi a mãe de Herick, seguida por um amigo do julgado.
Depois da realização de todo o processo de oitivas, os réus serão interrogados no júri popular. Em seguida, haverá a fase de debates. De acordo com apuração da Tribuna, o Ministério Público e defesa dos réus terão até duas horas e meia cada para falar, já que o julgamento envolve dois réus.
O casal foi indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe (ciúmes), mediante asfixia e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver, todos em concurso de pessoas, já que os dois teriam agido juntos.
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