Julgamento de acusados pela morte de Brunna Letycia entra na fase de debates em Juiz de Fora
Com acusação já apresentada aos jurados, defesa dos réus inicia sustentação em julgamento que deve ser concluído ainda nesta sexta-feira
A sessão de julgamento de Renata Alexandre Sant’Ana e Herick Patrick Soares Dornelas, acusados pela morte de Brunna Letycia Vicente Alves de Souza Leonel, ocorrida em janeiro de 2024, foi retomada nesta sexta-feira (17), no Tribunal do Júri de Juiz de Fora, para a fase de debates. A expectativa é que a sentença seja divulgada durante a tarde.
Após a oitiva das 15 testemunhas arroladas pela defesa e acusação, e do o interrogatório dos réus, na quinta, o segundo dia de julgamento começou com a exposição do Ministério Público. Por mais de duas horas, o promotor Flávio Hamacher expôs aos sete jurados os principais pontos de sua denúncia, pedindo a condenação dos dois réus por homicídio triplamente qualificado e pelo crime de destruição e ocultação de cadáver. “Se Renata estivesse mesmo com medo de também ser morta, de ter o mesmo destino de Brunna, ela não acompanharia Herick e o ajudaria (a desovar o corpo).”
Para o promotor, Renata teve pelo menos duas chances de pedir ajuda: ao porteiro do edifício no Previdenciários, Zona Sul, quando o casal deixou o prédio carregando o corpo de Brunna dentro de uma mala; e ao motorista de aplicativo, que levou o casal até o Bairro Milho Branco, Zona Norte, onde o corpo foi queimado e jogado em uma vala em um terreno próximo à caixa d’água da Cesama.
Ainda segundo o MP, os réus tentaram apagar todos os vestígios, inclusive ateando fogo no cadáver e nos pertences da vitima, e acreditaram que haviam cometido o crime “perfeito”, após a discussão motivada por ciúmes, durante o encontro a três. No entanto, Brunna havia mandando mensagem e tentado ligar para o ex-marido e dois amigos naquela noite, supostamente para pedir ajuda. Ela também chegou a chamar um carro por aplicativo, mas não teve tempo de ir até embora. Acabou morta e colocada dentro de uma mala.
O promotor destacou o empenho dos amigos da vítima, que ajudaram a desvendar o crime, e a ação do síndico do prédio no Previdenciários, que decidiu olhar as câmeras. As imagens revelaram que Brunna havia entrado no edifício, acompanhada de Herick, que desceu para buscá-la. No entanto, ela não foi embora. “É a prova de que ela não saiu.”
Além de detalhar o laudo de levantamento de local do crime, o MP relembrou o laudo de necropsia, que apontou esganadura como causa da morte de Brunna. “Ela urinou e teve convulsões antes de morrer. Se ele não quisesse matá-la, poderia ter soltado seu pescoço.”
O que disse a defesa
Após a fala do promotor, os advogados Laura de Almeida Schefer, Karen Santos, Luiz Eduardo Lima e Márcio Leonardo Grossi, deram início a defesa de Herick, ainda na fase de debates. Foi pedido o declínio da condenação do crime de homicídio triplamente qualificado para lesão corporal seguida de morte. “Ele teve a intenção de afastá-la (ao segurar a vítima pelo pescoço), e não de matá-la.”
Além disso, a defesa de Herick tentou convencer os jurados de que “todos agiram sob violenta emoção”, sob uso de drogas lícitas e ilícitas. Para reforçar a tese de que o réu tentou afastar a vítima, os advogados lembraram que Brunna o teria agredido primeiro ao tentar reaver seu celular, embora ele só tenha sofridos escoriações leves. Também citaram possíveis “provocações” da vítima durante a discussão, que culminou na morte dela.
Os advogados também pediram a retirada das qualificadoras do homicídio: motivo torpe (ciúmes), meio cruel (asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima. “Quem teve ciúmes foi a Renata, por ter sido deixada de lado na relação.” Ainda conforme a defesa, Herick não agiu com brutalidade. “A asfixia da vítima foi acidental.”
Já a defesa de Renata pediu a absolvição dela do crime de homicídio e afirmou que a ré pediu a Herick para ir embora da casa dela “várias vezes” durante a discussão que terminou na morte de Brunna. Os advogados afirmaram que ela vivia um “relacionamento abusivo”. “Ela sofria violência psicológica.”
A defesa também lembrou que o réu disse, em depoimento na sede policial após sua prisão, “que fez tudo sozinho, que Renata não teve participação no homicídio”. Ainda conforme os advogados, naquela noite, Brunna é quem teria ligado para Renata, “querendo conversar”.
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