Caso Brunna Letycia: julgamento de réus começa com 15 testemunhas previstas
Julgamento no Tribunal do Júri começa com depoimentos-chave e deve ouvir 15 testemunhas entre acusação e defesa
Com o plenário completamente ocupado, começou por volta das 10h30 desta quinta-feira (16), no Fórum Benjamin Colucci, o julgamento que vai decidir o futuro de Renata Alexandre Sant’Ana, 32, e Herick Patrick Soares Dornelas, 33, réus pelo homicídio de Brunna Letycia, de 24 anos – sufocada, colocada em uma mala e parcialmente incinerada em janeiro de 2024.
O primeiro a falar para o Tribunal do Júri, composto por sete pessoas sorteadas – quatro mulheres e três homens -, foi o porteiro do prédio no Bairro Previdenciários – local em que ocorreu o crime e onde a jovem foi vista com vida pela última vez. Em seguida, sentou ao banco de testemunhas o síndico do prédio e o motorista de aplicativo que transportou o casal e a mala onde o corpo de Brunna foi colocado. A corrida saiu do Bairro Previdenciários, na Zona Sul e seguiu até o Milho Branco, na Zona Norte, onde o cadáver foi desovado e parcialmente queimado. A primeira parte da sessão, que entrou em intervalo, foi finalizada com o relato de um dos policiais civis que participaram da investigação do caso. Ele confirmou que o Herick indicou onde o corpo de Brunna havia sido deixado, e que a identidade da vítima foi encontrada à época intacta perto do local, diferente do celular, que foi parcialmente queimado.
Ao todo, seis testemunhas de acusação e nove de defesa serão inquiridas, conforme o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em sessão presidida pela juíza Joyce de Souza de Paula. O casal foi indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe (ciúmes), mediante asfixia e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver, todos em concurso de pessoas, já que os dois teriam agido juntos.
Familiares pedem justiça e ressaltam a memória de Brunna

Brunna nasceu no estado do Rio de Janeiro, casou-se com um mineiro, morou em Ubá e posteriormente em Juiz de Fora. Na cidade, ela começou a cursar Direito e depois estética. Conforme contou a família à Tribuna, ela foi professora de balé, modelo, fez curso de teatro e, na escola, sempre foi uma ótima aluna. “Sempre foi destaque, rainha da primavera, fez circo, o sonho dela era ser artista, estava concluindo curso de DJ quando aconteceu isso.” Brunna também deixou um filho prestes a completar 3 anos na ocasião, a mãe, o pai, um irmão e vários amigos.
A mãe de Brunna, Jane dos Santos Vicente, 59 anos, esteve na porta do fórum com uma camisa estampada com uma foto do rosto da filha, mas preferiu não participar da sessão. “Eu brincava com ela (Brunna) e com meu neto nesta praça” lembra a mãe, no Parque Halfeld. “Hoje meu neto tá com dificuldade de falar, mora com o pai e está fazendo tratamento.” A criança completou 5 anos recentemente.
Ela relembra que recebeu a notícia da morte da filha no dia 5 de janeiro, data em que faz aniversário. “Eu não acredito até agora. Choro muito e não acredito, parece que ela vai voltar, ouço ela me chamando, parece que ela vai entrar em casa a qualquer momento”, desabafa a mãe, que relembra os sonhos da filha e mantém seu quarto intacto, segundo ela “como se fosse um altar”.
“O pai não aguentou a dor e faleceu”, disse o irmão, Humberto Brendon Vicente Cotta Júlio, 32 anos, sobre a morte do pai, João Batista, em janeiro do ano passado. Outros familiares e amigos de Brunna também participam deste primeiro dia de julgamento. Eles trazem consigo faixas e cartazes com o pedido de justiça.
A advogada Laura de Almeida Schefer, que representa a defesa de Herick ao lado dos advogados Karen Santos, Luiz Eduardo Lima e Márcio Leonardo Grossi, afirmou que “nosso objetivo primordial é que possamos contar a história de Herick, para que a sociedade tenha acesso ao que aconteceu naquela noite”.
A advogada de Renata, Eleonora Barbosa Nogueira de Lucena, disse que a defesa trabalha com as provas dos autos. “Existe o processo legal justamente para isso, para angariar provas, para que a verdade dos fatos venha à tona.” Ela preferiu não revelar detalhes. “A defesa vai se manifestar em plenário. Estamos muito confiantes na Justiça, e a ré, também.”









