Da cozinha à reciclagem: mitos e verdades sobre as embalagens longa vida

Das barrinhas coloridas ao descarte correto, representantes da Tetra Pak esclarecem as dúvidas que ainda cercam as caixinhas 


Por Nayara Zanetti

30/05/2026 às 06h00

Centro de Inovacao do Cliente CIC 5
(Foto: Divulgação/Tetra Pak)

Presentes no café da manhã, nas lancheiras das crianças e até nas prateleiras de suplementos alimentares, as embalagens longa vida fazem parte da rotina de milhões de brasileiros. Apesar disso, dúvidas sobre conservantes, reciclagem e até supostos “sinais secretos” impressos nas caixinhas ainda circulam entre a população. 

Com o objetivo de esclarecer alguns dos principais mitos e verdades sobre essas embalagens e orientar os consumidores sobre o descarte correto do material, a Tribuna preparou este conteúdo, que integra a série de matérias produzidas após visita da reportagem à fábrica da Tetra Pak, em Monte Mor, no interior de São Paulo. 

Muito além de acondicionar bebidas e alimentos, essas embalagens foram desenvolvidas para proteger os alimentos da luz, do ar, da água e de microrganismos, permitindo maior conservação sem necessidade de refrigeração antes da abertura. Ao mesmo tempo, o descarte correto e a reciclagem seguem sendo desafios importantes em muitas cidades brasileiras. 

Compostas por papel, plástico e alumínio distribuídos em diferentes camadas, as embalagens longa vida são recicláveis, mas exigem um processo específico para reaproveitamento dos materiais. Ainda assim, informações equivocadas sobre seu funcionamento e descarte continuam se espalhando. 

As barrinhas coloridas não indicam leite reaproveitado 

embalagens longa vida
(Foto: Reprodução redes sociais)

Uma das informações falsas mais populares sobre as embalagens longa vida envolve os quadrados coloridos impressos na parte inferior das caixinhas. Nas redes sociais, há quem afirme que as marcações indicariam leite reprocessado ou reutilizado. 

Segundo Salvador Marino, diretor industrial das fábricas da Tetra Pak de Monte Mor (SP) e Ponta Grossa (PR), as marcações ajudam a identificar rapidamente possíveis falhas no processo de impressão, evitando desperdícios de matéria-prima e garantindo a padronização das embalagens. 

Na prática, os símbolos funcionam apenas como referência técnica para controle de impressão durante a fabricação das embalagens. Cada cor corresponde a tintas utilizadas no processo gráfico, permitindo que técnicos monitorem a qualidade da impressão em tempo real. 

Além disso, o reprocessamento térmico do leite destinado ao consumo humano é proibido pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem (Riispoa).

Embalagem longa vida não deve ir ao micro-ondas 

Outro hábito comum é aquecer alimentos diretamente na embalagem. No entanto, as caixinhas não devem ser colocadas no micro-ondas nem utilizadas em preparações no fogo. 

Isso acontece porque as embalagens possuem alumínio em sua composição. No micro-ondas, o material pode provocar faíscas e até danificar o aparelho. Já em altas temperaturas, os componentes da embalagem também não foram projetados para cozinhar alimentos. 

Receitas que circulam na internet ensinando a preparar doce de leite diretamente na caixinha, por exemplo, não são recomendadas. 

Conservantes não são obrigatórios 

A crença de que produtos armazenados em embalagens longa vida precisam de conservantes também é incorreta. Na verdade, o produto envasado em embalagem cartonada dispensa o uso de conservantes e de refrigeração antes da abertura. 

A conservação ocorre principalmente por causa da combinação entre o processamento térmico dos alimentos — como o sistema UHT —, o envase asséptico e as múltiplas camadas da embalagem, que impedem a entrada de luz, ar e microrganismos.

Isso permite que muitos produtos permaneçam estáveis em temperatura ambiente antes da abertura. A presença de conservantes, quando existe, depende da formulação de cada fabricante e não da embalagem em si. 

Segundo a gerente técnica da Tetra Pak, Fernanda Miguel, a combinação entre processamento térmico, envase asséptico e estrutura da embalagem “garante maior segurança dos alimentos e amplia sua vida útil”. 

Afinal, a embalagem longa vida recicla? 

Centro de Inovacao do Cliente CIC 9
(Foto: Divulgação/Tetra Pak)

Sim. As embalagens longa vida são recicláveis e devem ser descartadas no lixo reciclável. Ainda assim, o reaproveitamento depende diretamente da coleta seletiva e do trabalho realizado por cooperativas e associações de catadores. 

A embalagem é formada principalmente por papel, além de plástico e alumínio. Durante o processo de reciclagem, esses materiais são separados para reaproveitamento.

O papel pode ser transformado em caixas de papelão, bandejas e novas embalagens cartonadas. Já o plástico e o alumínio podem ser reciclados juntos ou separados, sendo utilizados na fabricação de telhas, placas e outros materiais. 

Apesar disso, o fato de uma embalagem ser reciclável não significa que ela será efetivamente reciclada. Em muitas cidades, a coleta seletiva ainda enfrenta problemas estruturais, enquanto cooperativas lidam com dificuldades de transporte e escoamento do material. 

Na Zona da Mata mineira, iniciativas de logística reversa têm buscado ampliar, com o apoio da Tetra Pak, a destinação correta das embalagens longa vida. Em 2026, cerca de 85 toneladas de embalagens provenientes de cooperativas e estabelecimentos comerciais da região foram encaminhadas para recicladores. 

Como descartar corretamente 

Para facilitar a reciclagem, o ideal é retirar completamente o líquido restante da embalagem e fazer um enxágue rápido, preferencialmente utilizando água de reúso. Isso evita odores e reduz o risco de contaminação do material.

Depois, basta amassar a embalagem para diminuir o volume e descartá-la junto aos recicláveis.

Pequenas atitudes domésticas ajudam a fortalecer toda a cadeia da reciclagem, desde o trabalho dos catadores até o reaproveitamento dos materiais pela indústria.