Julgamento de passageiro acusado de ter matado motorista de aplicativo tem início em Juiz de Fora
Com 11 testemunhas previstas, maioria indicada pelo Ministério Público, julgamento no Tribunal do Júri acontece ao longo desta terça
Com mobilização de motoristas de aplicativo e a presença de familiares e amigos da vítima, teve início por volta das 10h30 desta terça-feira (5), no Fórum Benjamin Colucci, o Tribunal do Júri que julga o passageiro acusado de matar o motorista Sandro Rodrigues Braz Pereira, de 47 anos, esfaqueado após um desentendimento sobre o uso de máscara durante a pandemia de Covid-19, em Juiz de Fora. A Tribuna realiza a cobertura do julgamento.

A vítima chegou a ser socorrida com vida, mas, após permanecer 16 dias internada em estado grave, em razão de ferimentos no abdômen, no peito e no ombro, morreu no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Juiz de Fora, no dia 19 de outubro de 2020. Mais de cinco anos após o crime na Rua Espírito Santo, na região central, 11 testemunhas devem ser ouvidas pelo júri ao longo do dia: seis arroladas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), uma pelo assistente de acusação e quatro pela defesa. A sessão será presidida pela juíza Joyce de Souza de Paula.
As duas primeiras testemunhas ouvidas foram os policiais militares que atenderam à ocorrência no dia do crime. Conforme os relatos, a polícia não teria sido informada imediatamente sobre a gravidade das lesões sofridas pela vítima, e o acusado alegou ter desferido o golpe em legítima defesa. O suspeito, de 36 anos, foi preso em flagrante à época do crime e indiciado pela Polícia Civil por homicídio qualificado por motivo fútil. No entanto, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), ele permaneceu no sistema prisional até 10 de maio de 2021, quando teve o alvará de soltura concedido pela Justiça.
Manifestações à favor da vítima e do réu
Motoristas de transporte por aplicativo – que exigem mais segurança para a categoria – e pessoas próximas à vítima realizaram uma mobilização em frente ao Fórum, utilizando máscaras como forma de lembrar que Sandro foi morto após um desentendimento com um passageiro ao exigir o cumprimento das normas de prevenção à Covid-19.
O ato incluiu ainda faixas estendidas no Parque Halfeld com a mensagem “Sandro vive em nossas memórias. Queremos e esperamos por justiça. Não ao silêncio, não à impunidade”, além do uso de camisetas com a hashtag “#UnidosContraAViolência”. Do outro lado, familiares e amigos do réu também compareceram ao local vestindo camisas em apoio ao acusado.
Tópicos: julgamento / motorista de aplicativo








