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JF atinge incidência muito alta para dengue, mas continua sem fumacê

Mesmo com a confirmação de duas novas mortes em decorrência da doença, não há previsão para liberação do veículo para utilização no município

Por Carolina Leonel e Michele Meireles

11/06/2019 às 11h57- Atualizada 12/06/2019 às 07h59

O município de Juiz de Fora atingiu incidência muito alta de dengue, com 514,97 casos prováveis para cada cem mil habitantes, segundo boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), divulgado nesta terça-feira (11). O documento também confirmou outras duas mortes pela doença em Juiz Fora – dois outros óbitos já haviam sido confirmados. Ainda estão em investigação outros cinco óbitos que podem ter sido causados pela dengue. Apesar do crescente aumento no número de casos, o Estado adiou a força-tarefa que estava prevista para ser realizada entre estas segunda (10) e quinta (13) em Juiz de Fora pela Coordenação do Programa Estadual da SES, e ainda não liberou o carro fumacê para o município, que deveria ser utilizado na cidade durante a força-tarefa.

Na semana passada, a pasta encaminhou nota à Tribuna afirmando que o Estado atuaria em Juiz de Fora com ações de assistência, vigilância epidemiológica, controle vetorial e mobilização social e com reforço de agentes de controle de endemias municipais. Além disso, de acordo com a SES, existia a possibilidade de atuação do carro fumacê nas ruas da cidade. No entanto, nesta segunda-feira, questionada sobre a força-tarefa, a SES encaminhou nova nota, em que diz que “por uma questão de logística”, a força-tarefa foi adiada. A pasta não divulgou, no entanto, nova data para a ação.

Com a confirmação da ocorrência de mais dois óbitos em decorrência da dengue na cidade, a Tribuna voltou a questionar o Estado, nesta terça, sobre os reforços das ações e da liberação do carro fumacê para o município. Até o fechamento desta edição, contudo, a pasta não havia retornado. A solicitação do carro fumacê pela Secretaria de Saúde (PJF) foi realizada há três semanas, quando a cidade atingiu alta incidência para a dengue. Entretanto, “ainda está em avaliação a necessidade da utilização dessa ação no município”, pontuou o texto encaminhado à reportagem na segunda.

Dois novos óbitos confirmados são de idosas

Quatro óbitos em decorrência da dengue já foram confirmados em Juiz de Fora – a comprovação dos outros dois casos foi divulgada no dia 28 de maio. Segundo a Secretaria de Saúde (PJF), os óbitos confirmados nesta terça são de duas idosas. Uma delas tinha 87 anos e era moradora do Bairro Santa Luzia, Zona Sul da cidade. A outra, 67 anos, residia em Santa Cruz, na Zona Norte.

A pasta destacou que continua com as frentes de trabalho no combate à doença e ao mosquito, como a que será realizada nesta quarta-feira (12), no Bairro Dom Bosco, Zona Sul, onde servidores da Prefeitura vão realizar uma ação em uma casa de uma acumuladora. Também ocorrem palestras de conscientização sobre a doença.

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Apesar de o número de casos continuar aumentando, a expectativa da gerente do departamento de Vigilância Epidemiológica, Cecília Kosmann, é que haja uma redução no número de notificações nas próximas semanas. “O aumento observado no boletim não significa que foi de uma semana para outra. Como há um atraso para que os resultados do exame de sorologia sejam divulgados, os dados estão entrando aos poucos no sistema. Alguns resultados, de um mês atrás, estão chegando agora”, exemplifica. “Nos últimos dias a gente tem visto uma redução na temperatura e daqui a algumas semanas a gente acredita que as notificações também irão diminuir. Apesar disso, é importante ressaltar que, além do atraso nos resultados, as pessoas que foram picadas, nesta última semana, ainda poderão começar a apresentar os sintomas, já que existe o período de incubação do vírus na pessoa”, pontuou.

Dados
Conforme a atualização dos dados registrados pela PJF nesta semana, foram confirmados 2.275 casos de dengue e 158 de chikungunya no município. Com as duas novas confirmações de morte, Juiz de Fora é a terceira de Minas Gerais em número de óbitos. Uberlândia tem 14 mortes confirmadas, e Belo Horizonte,12. Conforme a SES, até o momento foram confirmadas 72 óbitos relacionados à doença em Minas Gerais neste ano.

Fumacê é eficaz somente na eliminação de mosquitos adultos

Para que o inseticida aplicado pelo carro fumacê seja eficiente na eliminação dos mosquitos, é necessário que a passagem do veículo pelas ruas da cidade siga um protocolo de aplicação. A gerente do departamento de Vigilância Epidemiológica, Cecília Kosmann, explica que uma das pautas da reunião de alinhamento com o Estado, que estava prevista para esta essa semana, trataria da avaliação e planejamento da circulação do veículo. A gerente acredita que o atraso na liberação se deve pelo alto número de demandas de outras cidades mineiras, algumas em situação ainda mais crítica que Juiz de Fora.

Para a medida ser eficaz, segundo a gerente, é necessário que haja três aplicações em cada quarteirão, em dias não consecutivos. “A passagem do fumacê é feita em ciclos. É preciso levar em conta fatores como vento, horário do dia e temperatura em que o inseticida é aplicado para que sua ação seja eficaz. Por isso é importante que sigamos o protocolo. O fumacê, quando bem aplicado, pode matar as fêmeas infectadas que possivelmente estão naquele lugar.”

Entretanto, Cecília chama atenção para o fato de que o inseticida é eficaz somente na eliminação de mosquitos adultos. “O fumacê não elimina os focos e criadouros do mosquito. Esta eliminação é feita por meio dos larvicidas usados pela Prefeitura, ou então por meio da eliminação direta dos criadouros”. Por esse motivo, ela reitera a importância da colaboração da população para as vistorias semanais dentro de suas residências. “O fumacê só é eficaz na fase alada do mosquito e, ainda assim, se for bem aplicado, conforme as especificações do protocolo citado. Sua ação é sim importante, ajuda a reduzir a população adulta do mosquito, mas a maneira mais eficaz de combater as doenças propagadas pelo Aedes aegypti é acabando com os criadouros”, ressalta.

Tópicos: dengue / saúde

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