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Aglomerações preocupam população de Juiz de Fora

Durante feriado, Prefeitura recebeu reclamações de três eventos realizados com grande concentração de gente; baile funk, no Bairro Sagrado Coração de Jesus, trouxe temor a moradores.


Por Marcos Araújo

04/11/2020 às 08h21- Atualizada 04/11/2020 às 18h35

Vídeo mostra pessoas dançando sob uma iluminação colorida com música que tocava no local (Foto: Reprodução Redes Sociais)

Circulam pelas redes sociais imagens do que seria um baile funk realizado, no último sábado (31), no Bairro Sagrado Coração de Jesus, na Zona Sul de Juiz de Fora. O evento foi promovido em um imóvel, que seria uma granja, na Rua Marciano Pinto, gerando a aglomeração de pessoas no interior do local onde o baile aconteceu e ao longo da via pública, já que uma grande fila de pessoas que aguardavam para entrar na festa foi formada.

Nas imagens que circulam pela internet é possível ver pessoas aglomeradas no interior da granja em um pavimento térreo ao redor de uma piscina. Ainda é possível ver pessoas dançando sob uma iluminação colorida e ouvir a música que tocava no local. Em seguida, o vídeo mostra uma fila com pessoas que estariam esperando para entrar no local. Tanto nas imagens que mostram o lado de dentro da festa, quanto nas que aparecem o lado de fora, os frequentadores estão sem máscara e sem respeitar o distanciamento que deveriam ter um dos outros. Além desse caso, que não foi denunciado à Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), a fiscalização municipal registrou três ocorrências de descumprimentos às normas de enfrentamento à pandemia neste fim de semana, envolvendo um bar, uma rede de fast-food e um restaurante.

Flagrante também mostra uma fila com pessoas que estariam esperando para entrar no local (Foto: Reprodução Redes Sociais)

As imagens postadas nas redes sociais acerca da realização do evento, no Sagrado Coração, geraram críticas de internautas no que se refere à aglomeração e à proliferação do coronavírus e também acerca da falta de fiscalização, por parte do Município, para garantir a segurança das pessoas que optam em participar desse tipo de evento. Duas moradoras da Rua Marciano Pinto ouvidas pela Tribuna relataram preocupação com a realização dessa festa. Uma delas, de 66 anos, disse que, além da aglomeração, houve som alto e gritaria na via pública.

“É uma situação preocupante. Eu e meu marido somos idosos e estamos no grupo de risco. Desde março, temos evitado sair de casa. Só vou ao supermercado por necessidade, quando não é minha filha que faz as compras para mim. Não sei como as pessoas têm coragem de frequentar essas festas, pois é só olhar os jornais e ver que já tem países na Europa que estão entrando na segunda onda da Covid. Então, ainda é preciso se prevenir”.

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A outra moradora, de 61 anos e diabética, também afirmou preocupação com a situação. “Essa granja sempre foi um local de eventos, que não acontecem desde o início da pandemia. Neste sábado, foi a primeira vez que foi realizado, depois que entramos em quarentena. Realmente, houve aglomeração na rua, e as pessoas não estavam usando máscaras, o que é um problema quando pensamos na proliferação do vírus”, ressaltou.

A Associação de Moradores do Bairro Sagrado Coração de Jesus foi procurada pela Tribuna a fim de que pudesse passar informações sobre ter recebido reclamações acerca da realização do evento, todavia o jornal foi informado pela presidente da associação que a entidade não tinha ciência sobre o evento e que só soube da realização dele depois que foi acionada pela reportagem. O jornal também não conseguiu o contato do responsável pela promoção da festa.

A PJF, por meio da assessoria da Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano (Semaur), informou que nenhuma denúncia acerca do evento em área particular foi recebida pelo seu setor de fiscalização ou pela Guarda Municipal. Ainda conforme a pasta, durante os finais de semana, uma equipe realiza o atendimento de denúncias prévias em todas as regiões da cidade, inclusive no período noturno. Também informou que esse evento não foi licenciado pelo Município.

A secretaria ressalta sobre a importância de colaboração da população em denunciar este tipo de evento não permitido, lembrando “que os protocolos de segurança em relação à pandemia são amplamente divulgados”. Entre eles, estão o da Ouvidoria Geral do Município, pelo Fala.br; o telefone 3690-7507, da Semaur, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h ao meio-dia e das 14h às 18h; o da Central da Guarda Municipal, pelo 153; e o aplicativo “Cidade Segura”.

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Estabelecimentos notificados por desrespeitar normas

A Prefeitura informa ter realizado três registros de descumprimentos às normas de enfrentamento à pandemia ao longo do fim de semana. As diligências foram realizadas após denúncias aos canais da PJF. Conforme a Secretaria de Segurança Urbana e Cidadania (Sesuc), um bar, na Rua Monsenhor Gustavo Freire, no Bairro São Mateus, Zona Sul, foi notificado por infringir os protocolos, como ultrapassar o horário limite.

A segunda ocorrência diz respeito a uma promoção realizada por uma rede de fast-food, que levou centenas de pessoas a se juntarem em fila para retirada gratuita de hambúrguer. O estabelecimento teria sido orientado e notificado, atendendo prontamente às exigências. Por último, um complexo de gastronomia, no Salvaterra, foi notificado por várias infrações. O local mantinha em funcionamento espaço kids e autosserviço e não respeitava o distanciamento mínimo de dois metros entre as mesas. Conforme informou a pasta, nesta segunda (2), os fiscais voltaram ao local e confirmaram o atendimento às exigências.

Onda verde

Bares e restaurantes tiveram ampliação do horário de funcionamento até meia-noite, com a onda verde. Antes, a permissão era até as 22h. Mas as atividades de entretenimento continuam vedadas. De acordo com o Comitê Municipal de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 (coronavírus), essas promoções, como música ao vivo, atraem público, favorecendo a permanência de pessoas em pé, gerando aglomeração. Assim, estão proibidos autosserviço e ocupação máxima de 50% dos espaços. É necessário manter área mínima de dois metros entre as mesas, inclusive no ambiente externo. Também não é permitida venda de qualquer produto para o público, em pé, nestes estabelecimentos.

Minas libera 500 pessoas, mas assunto será debatido

Na última quinta, Minas Gerais liberou a presença de 500 pessoas em eventos nas cidades que já estão na onda verde do programa Minas Consciente. Em deliberação publicada no Diário Oficial de Minas Gerais, o Comitê Extraordinário Covid-19 do estado autorizou a realização de eventos públicos ou privados de qualquer natureza com até 500 pessoas. A capacidade máxima permitida, até então, era de 30 participantes. A alteração feita pela deliberação de número 97 ocorre sobre o primeiro inciso do artigo 6º da Deliberação nº17, de março de 2020, que trata exclusivamente dos eventos no estado. A mudança passou a valer no sábado (31).

Considerando as disposições sobre a onda verde do programa Minas Consciente, os eventos, reuniões e atividades precisam resguardar o distanciamento de quatro metros quadrados por pessoa em locais abertos. Em locais fechados, a distância obrigatória por pessoa será de dez metros quadrados. Esta regra inclui tanto reuniões festivas como atividades culturais.

A determinação alterada define as medidas emergenciais de restrição e acessibilidade de determinados serviços, bens públicos e privados e deve ser mantida em vigência enquanto durar o estado de calamidade pública em função da pandemia de coronavírus, em todo o território do estado. A publicação reforça que as excursões e os cursos presenciais seguem proibidos. A orientação ainda pode ser revista até o fim do ano, sendo que, já no dia 1º de dezembro, o Comitê Extraordinário Covid-19 irá analisar o impacto da mudança e, caso seja necessário, poderá propor novas alterações.

Entretanto, conforme a Prefeitura, a questão da presença de 500 pessoas em eventos em Juiz de Fora ainda será discutida pelo Comitê Municipal de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19, na próxima quinta-feira (5). A Prefeitura também pontua que os eventos licenciados pela Administração municipal, no momento, autorizados na onda verde, devem seguir as regras do decreto.

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