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Ônibus pegou fogo após pane elétrica, diz registro dos Bombeiros

Incidente no Cerâmica envolveu veículo com 40 passageiros, mas ninguém se feriu; CPI dos ônibus manifestou-se

Por Gabriel Silva, estagiário sob supervisão do editor Wendell Guiducci

03/07/2019 às 13h05

O ônibus que pegou fogo no Bairro Cerâmica na noite da última terça-feira (2) teve como causa uma pane elétrica, de acordo com a ocorrência registrada pelo Corpo de Bombeiros após a intervenção realizada no local. O incidente aconteceu por volta das 19h, na Rua Coronel Vidal, quando o coletivo urbano da linha 722, Bairro Santa Cruz, transportava cerca de 40 passageiros. Com o auxílio do motorista, no entanto, todos os usuários foram retirados e ninguém se feriu.

Conforme o registro dos Bombeiros, o veículo estava se deslocando sentido Centro quando sofreu uma pane elétrica total e, em seguida, iniciou o incêndio que se propagou rapidamente por toda a extensão do ônibus. As chamas foram controladas pelos militares e, durante a atuação dos Bombeiros, a via pública permaneceu interditada.

Em nota, a Secretaria de Transporte e Trânsito informou que “as causa do acidente estão em investigação”. Também por meio de nota, a Viação São Francisco afirmou que se tratava de um veículo de fabricação 2016, e que “a empresa vai tentar apurar o que originou o fogo com o que sobrou do carro, mas ainda não há como especular sobre as causas do incêndio”.

CPI dos Ônibus

A CPI dos Ônibus, composta por parlamentares da Câmara de Vereadores de Juiz de Fora, se manifestou na manhã desta quarta-feira (3) sobre o caso. Por meio de nota, foi informado que o relatório final da CPI será divulgado em agosto – não em julho, como estava previsto – e que todas as ocorrências, como o incidente registrado na terça, constarão no documento com as conclusões das análises da comissão.

Em contato realizado pela reportagem da Tribuna de Minas, o vereador Adriano Miranda (PHS), presidente da comissão que apura irregularidades no transporte público juiz-forano, confirmou a alteração da previsão do relatório final para agosto. De acordo com o parlamentar, a mudança de prazo foi uma solicitação do relator da CPI, vereador Sargento Mello (PTB).

Miranda também comentou sobre um vídeo divulgado em suas redes sociais na última terça-feira (2), no qual ele mostra ônibus com carroceria datada de 2009 circulando pelo Centro de Juiz de Fora. Conforme reportagem da Tribuna do último dia 26 de junho, 45 veículos do transporte urbano devem ser substituídos em julho; de acordo com o presidente da CPI dos ônibus, o prazo expirou nesta segunda-feira (1º), ou seja, os ônibus já deveriam estar fora de circulação. “Os ônibus que estão circulando de forma irregular, ou seja, de 2009, as empresas têm que ser autuadas ou multadas. Só que isso é meio que um engodo, porque, se a Settra só autuar ou mesmo que ela multe, se a empresa recorrer para a segunda instância dentro da própria Settra, o processo caduca, porque a Settra não criou a segunda instância. Então isso é tudo uma enganação”, denunciou Miranda.

A Astransp divulgou nota ainda na terça-feira sobre a substituição dos veículos de 2009. De acordo com o órgão, as providências necessárias para a atualização da frota já foram tomadas, mas o processo não é automático, necessitando de um procedimento de vistoria para a verificação das ferramentas obrigatórias nos ônibus, como o sistema de GPS, câmeras de monitoramento e wi-fi. Conforme a nota, “só após liberados pela Secretaria, estes carros serão incluídos na frota, e inseridos no sistema para iniciarem suas escalas, substituindo os de 2009.”

Nota completa da CPI:

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“O episódio da vez é um ônibus que pegou fogo e foi totalmente queimado numa das principais vias de acesso à zona Norte de Juiz de Fora. Felizmente, não houve feridos. Mas, a pergunta permanece presente e assustadora, até quando? O que será preciso acontecer mais para alguma providência, realmente, efetiva seja tomada?

Senão vejamos, a CPI foi iniciada no dia 26 de novembro de 2018 com um objetivo claro: investigar o cumprimento do contrato de licitação do transporte coletivo em Juiz de Fora. De lá pra cá, analisamos mais de 30 mil páginas de diversos documentos – sem nenhuma ajuda tecnológica como pedimos a presidência da Câmara, tudo no papel mesmo -, ouvimos depoimentos, constatamos irregularidades nas ruas, nas empresas, fizemos fotos, vídeos, enfim, temos trabalhado de maneira séria e imparcial durante todo esse período.

O relatório final com a conclusão de todo essa apuração será divulgado no primeiro dia do oitavo período de reunião ordinária na Câmara Municipal em agosto. Agora em julho, durante o recesso parlamentar, vamos trabalhar ao lado da relatoria para redigir esse documento, que será de conhecimento público. O mesmo documento que após ser lido em plenário, será entregue ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e a Prefeitura de Juiz de Fora.

Até lá, tudo o que acontecer, como o incidente com o ônibus que pegou fogo, servirá para reforçar o documento. Apenas isso. Porque a ineficácia do Sistema, o desrespeito com o usuário e, o mais grave, a irresponsabilidade no ato de fiscalização e no cumprimento das obrigações fiscais das partes envolvidas nos contratos, são evidências notadamente divulgadas, inclusive, durante o curso das investigações.

A Comissão Parlamentar de Inquérito não tem o poder de punição, não é capaz de reverter o decreto que aumentou a tarifa do transporte coletivo e nem mesmo de retirar a maioria dos ônibus das ruas. Mas, temos o compromisso, e assim o faremos, de entregar as autoridades competentes todas as provas recolhidas e, com elas, as nossas recomedações sobre as medidas que precisam ser tomadas, imediatamente, para regularizar a situação sob o risco de novos acidentes e prejuízos aos usuários do transporte coletivo urbano e também ao contribuinte de nosso Município. A Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito – Settra – é o orgão responsável pela fiscalização e a Prefeitura precisa tomar providências para sanar todos os problemas, que não são poucos.”

Nota completa Astransp:

A Astransp esclarece que a substituição dos ônibus com carroceria 2009 é um compromisso das empresas e está sendo providenciada. Mas não é automática, diferentemente do que tem sido dito nas redes sociais.

As empresas que compõem a Astransp – Consórcio Manchester (Tusmil e Gil) e Viação São Francisco – reafirmaram em ofício a Secretaria de Transporte e Trânsito – Settra -, seu compromisso com a determinação, prevista em contrato, e já tomaram as providências necessárias para atualização da frota.

Todas já deram entrada nos trâmites, mas o fluxo de substituição também prevê um processo de vistoria para verificação de itens obrigatórios, como validadores (para controle da Bilhetagem Eletrônica), sistema de GPS, câmeras de monitoramento e wi-fi. Só após liberados pela Secretaria, estes carros serão incluídos na frota, e inseridos no sistema para iniciarem suas escalas, substituindo os de 2009.

Tópicos: CPI dos ônibus

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