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Estudo liderado por professor de Harvard desafia ideia de que correr faz parte da natureza humana

Professor de Harvard Daniel Lieberman explica por que o ser humano não evoluiu para correr por vontade própria


Por Yasmin Henrique

03/07/2026 às 11h05

Estudo liderado por professor de Harvard desafia ideia de que correr faz parte da natureza humana
(Foto: reprodução/Maksim Goncharenok/Pexels)

A afirmação de que o ser humano “não nasceu para correr” ganhou repercussão após declarações do professor de biologia evolutiva da Universidade Harvard, Daniel Lieberman. As falas foram interpretadas por parte do público como uma contestação à capacidade natural de correr. No entanto, o pesquisador defende que a evolução moldou o organismo humano tanto para realizar corridas de longa distância quando necessário, quanto para economizar energia.

Segundo Lieberman, os seres humanos não evoluíram para praticar exercícios por vontade própria, mas para se movimentar quando havia uma finalidade, como obter alimento, fugir de predadores ou acompanhar o grupo. 

Natureza humana para correr

Nesse contexto, o cérebro desenvolveu mecanismos para evitar gasto energético desnecessário, já que conservar calorias aumentava as chances de sobrevivência. Essa interpretação é sustentada por dois estudos de Lieberman que analisam diferentes aspectos da evolução humana.

 O primeiro, publicado em 2004 na revista Nature:

  • Investigou como o gênero Homo desenvolveu adaptações para correr longas distâncias.
  • Identificou características como suor eficiente, estabilidade do tronco, pernas longas, tendão de Aquiles elástico, pés com arco plantar rígido e glúteos desenvolvidos.
  • Concluiu que essas adaptações surgiram há cerca de 2 milhões de anos, especialmente com o Homo erectus.

Já o segundo estudo, publicado em 2015 na revista Current Sports Medicine Reports:

  • Explicou por que muitas pessoas evitam praticar exercícios, apesar dos benefícios para a saúde.
  • Defendeu que os ancestrais eram ativos por necessidade, e não por lazer.
  • Apontou que economizar energia foi uma adaptação evolutiva que favoreceu a sobrevivência.
  • Destacou que o repouso era uma estratégia natural, sem deixar de reconhecer a importância da atividade física para a saúde atual.

Perspectiva evolutiva

Para Lieberman, essa perspectiva evolutiva ajuda a entender por que muitas pessoas demonstram resistência para iniciar ou manter uma rotina de exercícios, preferem deslocamentos que exigem menos esforço físico ou sentem satisfação ao encerrar uma atividade intensa. 

A conclusão dos estudos é que, embora o organismo humano tenha desenvolvido adaptações para a corrida de resistência, o cérebro ainda preserva mecanismos ancestrais que priorizam a conservação de energia sempre que o esforço não é indispensável.