Demissão repentina de terceirizados paralisa atividades e espaços culturais da UFJF
Quase 50 trabalhadores teriam sido desligados após fim de contrato com empresa responsável por serviços da Procult
A demissão repentina de trabalhadores terceirizados ligados à Pró-Reitoria de Cultura (Procult) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na noite de quarta-feira (1º), gerou indignação e preocupação entre os funcionários afetados e a comunidade acadêmica. Conforme apurado pela Tribuna, os trabalhadores, vinculados à empresa Stark Tecnologia e Facilities Ltda., teriam sido avisados por mensagens, por volta das 18h, de que não deveriam comparecer ao trabalho na manhã desta quinta-feira (2), após o encerramento do contrato da empresa responsável pela prestação dos serviços. Ao todo, 47 trabalhadores teriam sido desligados.
A demissão provocou a interrupção imediata das atividades em diversos equipamentos culturais da universidade, como o Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), o Cine-Theatro Central, o Forum da Cultura, além da Galeria Guaçuí, estúdios e laboratórios utilizados por estudantes do Instituto de Artes e Design (IAD).
Em nota divulgada pelas redes sociais, o IAD classificou a situação como resultado de “falta de planejamento e negligência na renovação da licitação” e afirmou que a paralisação compromete diretamente o funcionamento dos espaços culturais e as atividades acadêmicas.
Segundo o instituto, o momento é especialmente crítico por coincidir com a reta final do semestre letivo. O documento destaca que disciplinas práticas foram interrompidas e que centenas de estudantes dependem diariamente dos laboratórios, estúdios e demais espaços para concluir avaliações, trabalhos finais e projetos de conclusão de curso (TCCs).
“O cenário se torna ainda mais grave e inadmissível diante do calendário acadêmico. Essa interrupção joga no lixo meses de dedicação e esforço acadêmico”, afirma a nota.
O IAD também criticou um comunicado da Pró-Reitoria de Gestão e Finanças (Progefi), que teria informado que a interrupção temporária das atividades não provocaria “danos irreparáveis” à universidade e que as consequências poderiam ser toleradas por determinado período. Para o instituto, a avaliação demonstra desconhecimento sobre os impactos da paralisação na formação dos estudantes.
Trabalhadores foram avisados horas antes do expediente
Uma funcionária terceirizada, que prefere não ter o nome o divulgado, afirmou à Tribuna que todos foram surpreendidos pela decisão. Segundo ela, o contrato da empresa terminou na quarta-feira (1º), e os trabalhadores receberam o comunicado de desligamento poucas horas depois.
“A gente recebeu uma mensagem mandando a gente já não ir hoje. Está todo mundo desempregado, sem saber como vai ser”, relatou.
A funcionária afirmou ainda que a empresa não encerrou as atividades por falência e atribuiu o problema à impossibilidade de renovação contratual em razão de pendências documentais. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente pela universidade.
Ela também contestou a avaliação de que a paralisação não causaria prejuízos significativos. “Hoje o Mamm está fechado, o Cine-Theatro Central não tem como funcionar, todos os projetos estão parados. Os terceirizados eram quem basicamente faziam tudo. Os espaços da reitoria estão todos fechados.”
Faculdade de Comunicação relata impacto no atendimento de laboratórios
Na Faculdade de Comunicação (Facom), as aulas não foram suspensas em razão da ausência de trabalhadores terceirizados do setor técnico. Segundo a diretora da unidade, Érika Savernini, o funcionamento foi afetado porque os três terceirizados atuavam no suporte aos laboratórios de ensino, que têm alta demanda neste período de encerramento de disciplinas.
De acordo com a direção da Facom, a redução da equipe técnica deve provocar sobrecarga sobre os três técnicos administrativos em educação que permanecem no setor. Apesar disso, a situação não implica cancelamento das aulas.
A diretora informou que teve conhecimento de um caso em que uma docente optou por cancelar gravações previstas para uma aula, diante da incerteza sobre a disponibilidade de auxílio técnico no estúdio. A gravação estava marcada para a noite de quinta-feira, e a unidade foi comunicada sobre a situação dos terceirizados na noite anterior.
Ainda conforme a direção, a comunidade acadêmica foi informada no início da manhã, antes do começo das aulas, e foi solicitada colaboração diante da redução da capacidade de atendimento das demandas dos laboratórios.
A reportagem procurou a Universidade Federal de Juiz de Fora para esclarecer os motivos da não renovação do contrato, confirmar o número de trabalhadores afetados, informar quais espaços e serviços permanecem interrompidos, detalhar as medidas adotadas para solucionar o problema e questionar se há previsão para a retomada das atividades. Até a publicação desta matéria, a instituição ainda não havia se manifestado.
Procurada pela Tribuna, a empresa Stark, responsável pelos serviços terceirizados na Pró-Reitoria de Cultura (Procult), informou apenas que “os colaboradores foram dispensados em razão do término da vigência do contrato firmado entre a empresa Stark e a UFJF”.









