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‘Gente que fez a Tribuna’: Márcio Guerra, a palavra e o esporte

Em celebração aos 40 anos da Tribuna, 40 profissionais que já passaram pelo jornal compartilham suas memórias, publicadas no portal, de 7 de julho a 31 de agosto, em contagem regressiva para o aniversário da Tribuna, no dia 1º de setembro


Por Tribuna

22/07/2021 às 07h00- Atualizada 03/08/2021 às 22h21

Troquei uma Copa do Mundo pela Tribuna

Márcio Guerra, trabalhou na Tribuna entre 1981 e 1987 e entre 1991 e 1994

Tenho o orgulho de ter feito parte da equipe que fundou a Tribuna de Minas. Um jornal novo nas ideias e objetivos, como dizia do doutor Juraci Neves. Eu teria muitas reportagens para destacar durante os mais de dez anos que atuei como jornalista esportivo, a maior parte como editor de esportes. A primeira manchete do jornal foi da minha editoria. A desistência da Monark de vir para Juiz de Fora, onde seria instalada no terreno do fracassado projeto de estádio municipal, no bairro Borboleta. A inauguração do estádio, anos mais tarde, no bairro Aeroporto. Ou o bicampeonato do Sport, no vôlei feminino.

Mas vou contar um fato pré-Tribuna. Eu trabalhava no Jornal dos Sports, no Rio de Janeiro, começando minha carreira. Vinha de minha primeira viagem internacional, como jornalista da delegação do Fluminense, que tinha feito um giro na Guiana Holandesa e antes em Manaus e Itacoatiara. Na chegada ao Aeroporto do Galeão, fui recebido pela minha família e o jornalista Renato Henrique Dias. Minha mãe, com um sorriso enorme, nem me perguntou pela viagem. Foi logo dizendo: você vai voltar para Juiz de Fora. Está sendo criado um jornal novo, e você vai ser o editor de esportes.

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Renato me contou sobre o projeto. Uma ideia tentadora. Com dois anos de formado, já ser editor. Ficar perto da família de novo. Um projeto de Redação dos sonhos. Mas, paralelo a isso, eu estava começando a me projetar no Rio, cenário ideal para quem sempre sonhou em atuar como jornalista esportivo. Na primeira vez que conversei com meu chefe no Jornal dos Sports, ele reagiu mal. Dizia que eu estava louco de trocar minha carreira por uma aventura.

Durante dois meses, vivi o conflito. Vinha para Juiz de Fora e sofria a pressão para voltar. Retornava ao Rio, e meu chefe falando que era para esquecer o convite da Tribuna. Até o dia em que pedi demissão no JS. Foi quando meu editor me falou: “Mineirinho (era assim que me chamavam), você não pode fazer isso com sua carreira. Você vai ser contratado pelo jornal O Globo e vai para a Copa do Mundo da Espanha”. Minha cabeça deu um nó. Mas fui firme e anunciei que minha decisão era pela Tribuna.

E assim, em outubro, estava de volta. E passei a fazer parte de todos os preparativos e ensaios para o surgimento do jornal. Até que, na madrugada em que o jornal rodou na rotativa, junto com todos os que sonharam com o novo jornal e viram seu nascimento. Perdi uma Copa do Mundo, mas vivi o nascimento de um jornal, o que poucos tiveram o privilégio. E não me arrependo nem um dia por isso. Minha trajetória ficou sem um mundial de futebol, mas está repleta de grandes reportagens, de um convívio fantástico. Ainda mais com o orgulho de ter sido o autor da matéria da primeira manchete da Tribuna. Um furo de reportagem. Um dia que nem todas as copas teriam a mesma emoção.

Tópicos: tribuna 40 anos

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