Saiba como fazer o pão do Hiram ou de quem fizer (com carinho)

Fotógrafo ensina receita do pão que fez durante a pandemia


Por Cecília Itaborahy

23/04/2023 às 07h00

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(Foto: Felipe Couri)

De primeira, Hiram Azevedo Witt deixa claro: “Eu não sou padeiro, sou apenas um fotógrafo”. Mas, então, quase assume que tem, sim, quase como que uma vocação a esse trabalho tão manual, também, que é fazer e criar os pães. “Conhece a palavra ‘vocação’? É a voz dentro de você que diz o que você faz. Quando você começa a lidar com uma coisa, tem a impressão de que fez isso a vida inteira. É como se fosse meu isso. Quando eu comecei a tratar as fotos, antes do photoshop, todo o meu processo era manual: revelava, lixava, colava as fotos, trabalhava tudo. Parece que é vocação. É como se a voz dentro da gente diz isso. Mas não vai dizer que eu nasci para ser padeiro, não. Meus amigos padeiros é que são”, brinca. “Eu sempre fui sensível a sabores”, completa.

Imerso na fotografia, no jardim de casa, em tantos outros trabalhos manuais, Hiram, na pandemia, comprava pães caros pelo prazer. Mas, depois, pensou que, ao invés de comprar, poderia fazer ele mesmo o seu pão diário. Por que não? “Uma amiga nossa fazia um pão delicioso. Era apaixonante. A partir dele, eu fui fazendo uma mistura minha que deu certo.” Ele misturou alguns ingredientes e fez uma receita rápida e deliciosa. Dagmar Witt, esposa de Hiram, afirma com veemência: “A gente, hoje em dia, só come ele”. Durante a pandemia, depois de vizinhos pedirem pelo pão, ele começou a vender. Mas, agora, Dagmar alerta, brincando: “Só por encomenda, para não perder o comércio”.

O nome do pão é Hiraniano. Sim: vem de Hiram. E ele explica: “É pessoal o resultado da massa que terá sabor e crescerá proporcional ao carinho de quem o fez. Por isso, se você fizer, vai chamar Ceciliano, por exemplo, se o Felipe fizer, vai ser Felipiano, porque é de cada um mesmo”. Pela rapidez, ele afirma que é realmente fácil fazer. Mistura, deixa crescer e assa. Rapidinho. Dagmar orienta comer com uma manteiga ou com um “queijinho”, acompanhado de um café passado na hora.

A receita que Hiram passou rende dois pães e, no fim, ele explica o motivo: “Quando o cheiro se espalha por toda a casa é sinal de que o pão está pronto. Ofereça o outro pão a um vizinho, que, a essa altura, atraído pelo cheiro, já está batendo em sua porta”.

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(Foto: Felipe Couri)

Pão hiraniano

Por Hiram Azevedo Witt

Ingredientes
3 canecas de farinha de trigo
2 canecas de farinha de centeio
1 colher de fermento biológico seco
1 colher de azeite
1 colher de sal
400 ml de água morna
Sementes de girassol

Modo de preparo
Misture as farinhas, as sementes de girassol, o fermento e o sal em recipiente. Acrescente o azeite e a água e misture até obter uma massa homogênea com consistência semelhante a de um purê. Unte uma forma de bolo do tipo inglês até a metade, já que a massa dobra de tamanho. Salpique semente de girassol ou de abóbora sobre a massa. Use uma colher para pressionar as sementes de maneira que elas se fixem sobre a massa. Deixe crescer por, no mínimo, 4h. Leve ao forno pré-aquecido a 200º e deixe assar por 45 minutos.

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