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Festival ‘É tudo verdade’ inaugura mostra de clássicos

Evento em formato híbrido vai até 10 de abril, com exibição gratuita de 77 títulos de 34 países


Por Mariane Morisawa, especial para o Estadão

31/03/2022 às 11h19

Depois de dois anos tendo de se adequar à pandemia com edições online, o Festival É Tudo Verdade volta às salas de cinema – mas ainda com cautela. O evento, que vai desta quinta, 31, até 10 de abril, com exibição gratuita de 77 títulos de 34 países, terá uma versão online nas plataformas É Tudo Verdade, Itaú Cultural Play e Sesc Digital, e sessões presenciais em quatro salas de São Paulo e duas do Rio de Janeiro.
“A programação quase inteira do festival está em streaming porque a maior parte das pessoas não voltou ainda às salas. E nosso compromisso é atender o público”, disse o diretor-fundador Amir Labaki, em entrevista ao Estadão, por videoconferência.
A edição passada teve um recorde de audiência, com 216 mil espectadores. “Para reafirmar nosso comprometimento com o cinema em sala grande, vamos fazer, quase de maneira simbólica, algumas sessões nos cinemas, cumprindo o ritual de um festival.”
Assim, os longas brasileiros em competição, por exemplo, terão a chance de fazer suas estreias na tela grande, com presença dos realizadores sempre que possível, respeitando o distanciamento social – só 50% da ocupação -, uso de máscaras obrigatório e apresentação de certificado de vacinação.
Para a abertura, Labaki escolheu dois longas do cineasta irlandês Mark Cousins. Em São Paulo, A História do Olhar é exibido hoje, no Espaço Itaú de Cinema Augusta, às 20h. Uma hora depois, o filme fica disponível por 24 horas, para todo o País, na plataforma É Tudo Verdade, com limite de 1.500 acessos. O filme discute o olhar a partir da história da arte e também dos problemas de visão que o diretor enfrentou.
No Rio, A História do Cinema: Uma Nova Geração passa amanhã, às 20h, no Espaço Itaú de Cinema Botafogo. A obra, que traça um panorama das transformações no cinema nos últimos anos, também fica disponível uma hora depois, por 24 horas, na plataforma É Tudo Verdade, com 1.500 acessos. “O Mark conseguiu fazer dois ensaios muito pessoais e muito diferentes entre si discutindo o olhar”, explicou Labaki. “Quando assisti, me pareceu que os dois me ofereciam a possibilidade de repensar minha relação com o olhar, saindo da pandemia, de maneira muito generosa e sofisticada.”
O festival também tem uma novidade: a mostra Clássicos do É Tudo Verdade, que começa com três produções. É Tudo Verdade, versão de 1993, reconstitui a obra de Orson Welles rodada na América do Sul nos anos 1940 e jamais finalizada por ele.
Chico Antônio – O Herói com Caráter, de Eduardo Escorel, é um trabalho de 1983 que resgata um personagem mencionado pelo escritor Mário de Andrade em seus trabalhos. Completa a programação A História da Guerra Civil, filme de Dziga Vertov de 1921 sobre a guerra civil na Rússia, dado como perdido e recuperado no ano passado. É a terceira exibição da obra na história. “Criamos a seção por causa da importância de defender o patrimônio mundial e brasileiro, ainda mais com a crise da Cinemateca”, disse Labaki. “Me parece que um festival do cinema tem de chamar a atenção para o cinema clássico. Gosto de citar Peter Bogdanovich: ‘Não existe filme velho, existe filme que você não viu’.”

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INQUIETAÇÕES DO MUNDO
Ao todo, a curadoria assistiu a cerca de 2 mil produções do mundo inteiro. Labaki não observa um vetor temático ou estilístico muito definido. “Mas algo tem sido bem forte nos últimos anos: as grandes inquietações do mundo estão muito rapidamente virando documentário”, lembrou. Neste ano, além da pandemia, há diversos filmes sobre a crise das democracias, que já vinha forte, examinando o que acontece no Brasil, nos Estados Unidos, na Rússia, em países da Ásia. Também aparecem vários filmes sobre a crise democrática no passado recente, como a Europa do nazi-fascismo. “Porque subitamente ficou claro que isso foi ontem, não está tão longe na história”, garantiu Labaki
A emergência climática é outro tema recorrente. “Nem sempre a obra fala disso diretamente, mas há uma implicação porque faz parte da crise global.” O longa de encerramento, The Territory, de Alex Pritz, trata da luta do povo indígena uru-eu-wau-wau, em Rondônia, contra a presença de grileiros e o desmatamento em sua terra. O festival ainda preparou um filme-surpresa, que tem exibição no sábado, 9, às 20h, em São Paulo e no Rio.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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