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De Juiz de Fora a Tóquio

Situação enfrentada pelo JF Vôlei, que desistirá da disputa da Superliga por falta de dinheiro para pagar salários dos atletas, ilustra o porquê do Brasil não figurar entre os primeiros no quadro de medalha

Por Juliana Netto

22/07/2021 às 07h02 - Atualizada 21/07/2021 às 23h43

Daqui a poucas horas será dada a largada oficial para o maior evento esportivo do planeta. Aquele que reúne atletas e histórias como nenhuma outra competição mundial. Com Larissa Oliveira, Thiagus Petrus, Beatriz Ferreira e posteriormente, nas Paralímpiadas, com Gabriel Araújo, enorme será a nossa torcida para que uma das medalhas de Tóquio venha para Juiz de Fora.

Mas não há como escrever sobre o que está por vir sem lembrar do que se passou na cidade na última semana. Afinal, em tempos olímpicos, muito se cobra pela glória, sem avaliar todo um contexto envolvido por trás de um pódio e, porque não dizer, dos dias de lutas, como cantava Chorão.

Mesmo na iminência dos Jogos de Tóquio, não podemos esquecer do baque enfrentado pelo JF Vôlei. Com a vaga garantida na bola, com título invicto na Superliga B, num total de 12 vitórias em 12 jogos, a equipe juiz-forana entregou à CBV, na quinta passada, a carta de desistência da disputa da Liga A. Sem R$ 120 mil, aporte necessário para pagar o elenco, a direção optou abrir mão do acesso. Um valor tão irrisório que soa como um escárnio. Quantia ínfima, quando se comparado, por exemplo, ao extinto RJX, de Eike Batista, que calcula-se ter investido em uma única temporada cerca de R$ 5 milhões para contar com Bruninho, Lucão, Dante, Riad, Marlon, Mário Júnior e toda aquela seleção de galáticos.

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Sem loucuras, como a do milionário carioca, que durou apenas dois anos, os dirigentes do projeto juiz-forano buscavam algo bem mais modesto. E nem assim conseguiram. Para não fechar as portas, foi dado um passo atrás, e o JF deve manter-se na Superliga B, refazendo todo o árduo processo na busca pela elite nacional.

Quando, então, paramos para analisar que tal situação é enfrentada por um time de vôlei, segunda maior modalidade esportiva do país, favoritíssima a uma medalha olímpica, entendemos o porquê do Brasil não figurar entre os primeiros no quadro de medalhas. Sem investimento, por maior que seja o desejo de ver o verde-amarelo no pódio, nem sempre isso é possível. Muitas vezes o bronze, depreciado por muitos, seja um feito até maior do que mereçamos.

Ter então, um atleta local em Tóquio, por si só, já é motivo de orgulho. Afinal, usando Charlie Brown novamente como referência, só os loucos sabem. E de loucuras o esporte anda cheio por aqui.

Juliana Netto

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