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A escritora e terapeuta Rosângela Rossi lança “Deus joga ou não joga dados?”

Por Marisa Loures

13/11/2018 às 12h12 - Atualizada 13/11/2018 às 12h14

Em “Deus joga ou não joga dados?”, a colunista da Rádio CBN Juiz de Fora Rosângela Rossi traz impressões sobre lugares visitador por ela e reflexões que envolvem nossa existência

“Deus joga ou não joga dados? Cartas existenciais” Essa é a pergunta que dá nome ao mais novo livro da escritora, terapeuta e colunista da Rádio CBN Juiz de Fora Rosângela Rossi. A resposta, segundo ela, deve ser dada pelo leitor. “Para Einstein, as coisas são determinadas: Deus não joga dados. Para Bohr, tudo é incerto: Deus joga dados. Durante cinco anos, Einstein e Bohr dialogaram sobre o tema. No fim, Einstein concordou com a Física Quântica. Determinismo ou incertezas? Essência ou existência? Em todas as cartas, apresento essas questões”, conta a autora de 14 obras publicadas.

No novo livro, Rosângela reúne cartas que ela escreveu a amigos durante viagens por cidades, como Roma, Londres, Barcelona, Foz do Iguaçu, Nova York e Paris. Além de trazer suas impressões sobre os lugares que visitou, ela apresenta suas memórias, inquietações, indagações filosóficas e várias outras reflexões que envolvem nossa existência.

“As cartas trazem arte, filosofia, psicanálise, sensações, sentimentos. De forma simples, falam de temas complexos. Trazem o desejo de escrever cartas aos amigos. Trazem memórias e lembranças. Trazem de volta boas conversas mais profundas”, filosofa ela, confidenciando que a obra estava guardada há algum tempo. Foi publicada após o período em que ela se dedicou à elaboração do processo FiloNeuroTerapiaHolística. Hoje, ela também é ativista quântica. Novidades que se refletem em “Deus joga ou não joga dados?”.

“Fiz muitas outras viagens pelo mundo afora, elaborei a FiloNeuroTerapiaHolística, em que a Física Quântica é fundamental para a qualificação da plasticidade cerebral. Meu método nasceu com certeza dos diálogos sobre o tema “ser e existir” e das muitas incertezas existenciais. Floresceu a partir dele este livro”.

Marisa Loures – Explique a escolha do título.

Rosângela Rossi – O titulo nasceu desta reflexão existencial – ser ou existir – que durante um tempo dialogava com o Professor Mário (Mário José dos Santos), coordenador do curso de Filosofia da UFJF, que escreveu um livro sobre os pré-socráticos que buscavam a origem das coisas. Foi ele quem escreveu o prefácio de “Deus joga ou não joga dados?”. Esse tema me vinha a cada viagem na busca de compreender a origem das coisas. Assim nasceram as cartas existenciais para os amigos durante viagens pelo mundo. Na realidade, as cartas são para todos, para cada parte de nosso múltiplo universo interior. A pintura da capa representa quase uma resposta às questões: a essência, que é o amor, se apresenta na existência como amizade. A alma se faz na relação com o outro, jogadores dos dados. Quem ler, entenderá. É um livro para ser degustado.

– Por que compartilhar estas cartas com os leitores?

Os leitores, a cada carta, se identificarão com as questões, aprenderão sobre os lugares, farão uma reflexão sobre suas próprias questões. Grandes amigos se escreviam e criavam juntos. Estas cartas instigam as respostas. Peço ao leitor que me escreva, que responderei. É uma forma intimista de instigar um bom diálogo. Hoje precisamos alimentar as amizades, tão superficiais e frágeis na contemporaneidade.

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 – Poderia selecionar uma carta que mais te marcou e contar a história que está por trás dela?

Escrevo de lugares por onde peregrinei, porém um fato me mexeu muito. O professor Mário, ao prefaciar, disse que eu publicasse o livro antes de ele morrer. “Que bobagem”, disse-lhe. E o livro ficou na gaveta algum tempo. Nisso, ele adoeceu e eu não o visitei por falta de tempo. E ele morreu me deixando as maiores das lições: priorizar as amizades, responder aos convites, retribuir a eles sempre. Então, escrevi a última carta para ele, daqui de Juiz de Fora. Foi a maior das viagens. A sua morte muito me ensinou a valorizar as amizades. Grande lição. Pode não haver o depois.

Rosângela Rossi na Noruega, país de onde ela trouxe algumas das impressões que estão no livro “Deus joga ou não joga dados?” – Foto Divulgação

– No livro “Amando sem censura”, você sentiu uma espécie de estalo. Olhou para o pôr do sol da janela da sua casa e resolveu fazer uma foto daquele momento. Ao vê-la, você notou que havia uma sombra, um gato e um bueiro. E usou a foto na capa do livro. Algum estalo te instigou a lançar “Deus joga ou não joga dados?” neste momento?

A inspiração de lançar o livro agora foi tríplice: o apresentar ao público meu método de FiloNeuroTerapiaHolística, que se baseia na investigação dialógica; o mostrar o livro pronto para o professor  Mário, mas infelizmente ele não esperou; e convocar os amigos a reacender a verdadeira amizade, como dizia Epicuro. Imagine a essência amorosa da amizade pintando a existência no grande salto quântico, abrindo as possibilidades infinitas! É possível.”

 – Este é o seu 14º livro.  Percebe alguma mudança em sua escrita?  Essa mudança é consciente?

A cada livro, vou melhorando. Este livro é uma ponte para um caminho literário ao qual, daqui para frente, me dedicarei com afinco. Chegarão muitos romances e roteiro de filme. Com ele, dou um salto quântico na minha jornada de realmente ser escritora. São 14 livros. Ano que vem publico o romance “Não dá mais para fazer o que não quero”, que acontece no Canadá e Portugal. Surpreenderá!

– Você é colunista na rádio CBN, é terapeuta e escreve livros. A experiência com os ouvintes e com seus pacientes influenciam na sua escrita?

Realmente, sou renascentista, múltipla nas ações, holística mesmo. Terapeuta, hoje FiloNeuroTerapiaHolística, Filósofa Clínica, escritora, comunicadora, etc, porém nunca isso me influenciou. É incrível. As ideias saem por outro viés, sempre intuitivo, pela razão pura. Escrever é para mim a maior das viagens, sou possuída, sou tomada. É meu lazer maior!

 

Marisa Loures

Marisa Loures

Marisa Loures é professora de Português e Literatura, jornalista e atriz. No entrelaço da sala de aula, da redação de jornal e do palco, descobriu o laço de conciliação entre suas carreiras: o amor pela palavra.

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