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Fotógrafa registra cena que parece ter sido feita de madrugada, mas a verdade leva ao 5º prêmio da foto

Fotógrafa registra raposa caçando sob o sol da meia-noite na Noruega e imagem conquista seu quinto prêmio internacional.


Por Leticia Florenco

03/07/2026 às 13h01

Fotógrafa registra cena que parece ter sido feita de madrugada, mas a verdade leva ao 5º prêmio da foto
Cecilie Bergan Stuedal - Reprodução/Redes Sociais

Uma fotografia que aparenta ter sido registrada durante a escuridão da madrugada conquistou reconhecimento internacional após revelar um detalhe inesperado: a cena foi capturada às 2h da manhã sob plena luz natural.

O registro, feito na região de Finnmark, no extremo norte da Noruega, garantiu à fotógrafa Cecilie Bergan Stuedal o quinto prêmio de sua carreira concedido pela Sociedade Internacional de Fotógrafos de Natureza e Vida Selvagem.

A imagem, intitulada “Caranguejo aerodinâmico sob o sol da meia-noite em Finnmark”, mostra uma raposa-vermelha no instante em que um caranguejo é lançado ao ar durante uma tentativa de caça.

O momento, registrado em uma fração de segundo, chamou a atenção dos jurados pela combinação de técnica, criatividade e capacidade de contar uma história por meio de uma única fotografia.

Sol da meia-noite explica a iluminação da cena

Apesar de muitos acreditarem que a fotografia tenha sido feita ao amanhecer ou durante a noite com iluminação artificial, a explicação está em um dos fenômenos naturais mais conhecidos das regiões polares: o sol da meia-noite.

Durante o verão no norte da Noruega, o Sol permanece acima da linha do horizonte por praticamente 24 horas, proporcionando iluminação natural contínua, inclusive durante a madrugada.

Foi justamente essa condição que permitiu à fotógrafa registrar a cena com excelente qualidade de luz mesmo por volta das duas horas da manhã.

Meses de observação antecederam o registro

Segundo Cecilie Bergan Stuedal, a fotografia é resultado de um longo período de acompanhamento de uma família de raposas que habita a costa de Finnmark.

Ao longo do verão de 2025, ela passou diversas noites observando os animais, acompanhando o desenvolvimento dos filhotes e registrando seus primeiros comportamentos de caça.

De acordo com a fotógrafa, um dos filhotes se destacava por demonstrar maior curiosidade e coragem durante as investidas em busca de alimento, característica que acabou proporcionando a cena premiada.

Momento decisivo aconteceu em poucos segundos

Na noite em que a imagem foi produzida, o filhote havia acabado de se alimentar de um caranguejo e voltou a explorar as algas marinhas em busca de outra presa.

Enquanto observava o comportamento do animal, a fotógrafa percebeu que ele encontrou outro caranguejo e, inesperadamente, lançou o crustáceo para o alto antes de capturá-lo novamente.

O disparo da câmera aconteceu exatamente nesse instante, congelando um movimento que durou apenas uma fração de segundo.

Após cair entre as algas, o caranguejo ainda tentou escapar, mas foi rapidamente recuperado pela raposa, que concluiu a caçada.

Equipamento profissional contribuiu para o resultado

Para registrar uma ação tão rápida, Cecilie utilizou uma câmera Nikon D6 equipada com uma lente Nikkor 70-200 mm, conjunto bastante utilizado por fotógrafos especializados em esportes e vida selvagem.

A fotografia foi produzida com velocidade de obturador de 1/1000 de segundo, abertura de f/2.8 e ISO 3200, configurações que permitiram congelar perfeitamente o movimento da raposa e do caranguejo sem comprometer a nitidez da imagem.

Embora a Nikon D6 tenha sido lançada em 2020 e posteriormente descontinuada pela fabricante, o equipamento continua sendo considerado uma referência entre profissionais devido ao sistema de autofoco rápido, alta velocidade de disparos contínuos e excelente desempenho em ambientes de pouca luz.

Jurados destacaram criatividade e narrativa

Ao anunciar o resultado do concurso, a Sociedade Internacional de Fotógrafos de Natureza e Vida Selvagem afirmou que a imagem se destacou por unir qualidade técnica, criatividade e forte impacto visual.

Segundo Colin Jones, diretor da entidade organizadora, a fotografia representa os momentos extraordinários que a natureza oferece àqueles que dedicam tempo, paciência e respeito para observá-la.

Para os avaliadores, o registro vai além da beleza estética e demonstra como a fotografia de natureza pode revelar comportamentos raros da fauna em ambientes pouco explorados.

A imagem de Cecilie Bergan Stuedal tornou-se um exemplo de como conhecimento sobre o comportamento animal, planejamento e domínio técnico podem transformar um instante efêmero em um registro capaz de ganhar reconhecimento internacional e inspirar admiradores da vida selvagem em diferentes países.