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Dia Mundial da Água

Na data em que se comemora o Dia Mundial da Água, façamos uma reflexão acerca dos impactos ambientais negativos provocados em nossas águas: aqui em Juiz de Fora é só voltarmos as nossas atenções para a triste situação em que se encontra o Rio Paraibuna!


Por Wilson Acácio, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros dos Rios Preto e Paraibuna

21/03/2021 às 07h00

Em junho de 2015, foi publicada pelo Papa Francisco a encíclica “Laudato si”, que, em português, significa “Louvado seja” e tem como subtítulo: “Sobre o cuidado da casa comum”. Nesta carta doutrinária, o Pontífice condena o consumismo exacerbado, principalmente nos países ricos, além do desenvolvimento irresponsável, e pede mudanças imediatas desse status quo e a unificação global para combater a deterioração da qualidade ambiental em escala mundial.

No que se refere à água, a carta solene de Francisco nos leva a uma reflexão de que se faz necessário e urgente um trabalho de conscientização e de sensibilização junto a governantes, empresários e da sociedade em geral de que a água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos.

Em várias partes do mundo, a procura pela água excede a oferta sustentável, com graves consequências a curto e longo prazo. Dados divulgados pela ONU mostram essa triste realidade: dos 7,6 bilhões de habitantes do planeta, um bilhão não conta com mais abastecimento mínimo diário (20 l); 1,6 bilhão vive em áreas que não têm condições mínimas de captação de água; já dois bilhões residem em regiões onde há escassez de água. Há lugares onde 66% da população, durante um mês ao ano, tem escassez de água; mais de 3,5 bilhões de pessoas, daqui a dez anos, viverão em condições de alto estresse hídrico. Estamos diante de uma iminente “catástrofe hídrica”!

O Brasil é o país do mundo que possui maior quantidade de água doce, com 12% do total existente no planeta. Mas essas reservas encontram-se mal distribuídas: a disponibilidade da região Norte é de 68,5% (com 17,7 milhões de habitantes); já no Sudeste, é de 6%, com uma população de 85 milhões. A situação crítica fica com o Nordeste, porque, segundo o IBGE, 59 milhões de habitantes dispõem apenas de 3,3% dos estoques!

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Outra situação crítica no Brasil refere-se ao saneamento básico, que é uma tragédia nacional: 53,2% da população tem acesso à rede de coleta de esgoto, mas a proporção tratada é de apenas 46,3%. Conforme dados oficiais, 34,7 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada. Esse fato tem consequências desastrosas, porque, em plena pandemia, uma das recomendações básicas é a higienização das mãos. Mas como proceder se nas torneiras das casas de milhões de cidadãos não chega água potável?

Os 30 municípios inseridos em nossa bacia hidrográfica não fogem a essa realidade que acontece pelo Brasil afora. Dentro de nossas possibilidades, temos procurado atenuar os problemas ligados ao saneamento básico. No ano passado, o Ceivap (Comitê de Integração da Bacia do Paraíba do Sul) lançou o edital do Protratar (Programa de Tratamento de Águas Residuárias), e, dos R$ 30 milhões disponibilizados para o programa, concorrendo com SP, RJ e com o comitê mineiro dos rios Pomba e Muriaé, CBH Preto e Paraibuna foi o que mais aprovou projetos e irá receber R$ 21.334.698,98. Como as prefeituras não têm recursos financeiros para as contrapartidas, o comitê repassará para os municípios vencedores do certame (Maripá de Minas, Mar de Espanha e Olaria) cerca de R$ 3,5 milhões.

Na data em que se comemora o Dia Mundial da Água, façamos uma reflexão acerca dos impactos ambientais negativos provocados em nossas águas: aqui em Juiz de Fora é só voltarmos as nossas atenções para a triste situação em que se encontra o Rio Paraibuna!

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