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A práxis do ensinar

Por Tamires Cristina dos Reis Carlos Alvim, Graduada em Pedagogia (FMG), especialista em Educação Infantil (UCAM) e mestranda (UFJF); Matheus dos Reis Gomes, bacharel em Ciências Humanas (UFJF), graduando em Filosofia (UFJF) e pós-graduando em Ciência da Religião (Única)

11/02/2019 às 17h01- Atualizada 11/02/2019 às 17h25

Morreu em 2014 o psicanalista, teólogo e escritor mineiro Rubem Alves, um dos fundadores da Teologia da Libertação (TdL) na América Latina e, também, um dos mais importantes educadores brasileiros. Pastor Presbiteriano de uma comunidade do interior de Minas Gerais, doutor em filosofia pelo Seminário Teológico de Princeton (EUA), certa vez disse que há muito tempo estava pensando em propor um novo tipo de professor, “é um professor que não ensina nada, não é professor de Matemática, de História, de Geografia. É um professor de espantos. O objetivo da educação não é ensinar coisas porque as coisas já estão na internet, estão por todos os lugares, estão nos livros. É ensinar a pensar. Criar na criança essa curiosidade”.

De volta ao Brasil após o término do mestrado, se espanta de ter sido acusado como “subversivo” por colegas pastores da Igreja Presbiteriana do Brasil e entregue por seu melhor amigo para o regime ditatorial militar brasileiro. É convidado para cursar o doutorado nos EUA, onde se exila por alguns anos. Natural de Boa Esperança (MG), Rubem Alves publica sua tese de doutorado com o título “A Theology of Human Hope” (A teologia da Esperança Humana) onde inaugura, no ambiente protestante latino-americano, a hermenêutica da TdL. Talvez a esperança seja o substantivo que mais o acompanhou na sua formação, tanto humana, como acadêmica.

Em 1996, Paulo Freire, com 75 anos, publica sua última obra em vida com o título “Pedagogia da Autonomia”, onde afirma que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

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Resguardando suas diferenças tanto por parte de Paulo Freire e de Rubem Alves, eis que a liberdade de Freire e a esperança de Alves se encontram! O advento da educação presente no horizonte onde habita Freire e Alves, talvez seja caracterizado pelo sentimento visceral que emerge tanto da alma daqueles que espantam para uma liberdade, mas para aqueles que indagam em busca de aprendizado. A simples, mas potente, possibilidade de construção de seres mais sensíveis, críticos e, acima de tudo, humanos é a potência que Aristóteles falava da possibilidade da semente se transformar em árvore. A água regada em cima da semente é o espanto que o professor tende a provocar nos alunos, sabendo que haverá, com extrema clareza, que o seu crescimento não será condicionado, aparado e moldado, mas sim, influenciado pela conduta exemplar, por uma constante liberdade de crescimento e de formação humana.

A esperança e a liberdade são a chama que cresce a cada letra que é dificilmente bordada no papel, forças circunstanciais que surgem a cada obstáculo encontrado nas adversidades do ambiente escolar, um amor latente que transforma ao conduzir a construção do sujeito por meio de um lindo imaginário brincante. É a educação, pura e singela, que ultrapassa os muros da escola!

 

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