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Universidades públicas X concorrência

Cada vez mais as instituições públicas brasileiras têm sido alvo de ataques, muitas vezes baseados em premissas pouco confiáveis. Mais recentemente, as universidades públicas se tornaram a bola da vez, e, diante disso, é imperioso desmistificar a publicidade negativa que lhes é dirigida”

Por Verlan Valle Gaspar Neto, Antropólogo

07/03/2019 às 07h00

Cada vez mais as instituições públicas brasileiras têm sido alvo de ataques, muitas vezes baseados em premissas pouco confiáveis. Mais recentemente, as universidades públicas se tornaram a bola da vez, e, diante disso, é imperioso desmistificar a publicidade negativa que lhes é dirigida.

No ano passado, a Clarivate Analytics, empresa estadunidense que, entre outras coisas, faz análises sobre a produção científica ao redor do mundo, entregou ao Governo brasileiro um extenso relatório sobre a qualidade da pesquisa científica brasileira. Para tanto, analisou a produção acadêmica nacional entre os anos de 2011 e 2016. Em termos gerais, o relatório indica que a ciência brasileira vem fazendo excelentes progressos a ponto de, hoje, ocupar o 13º lugar no ranking mundial (no período, foram 250.680 artigos publicados em revistas especializadas e indexadas internacionalmente).

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Além da quantificação da produção científica brasileira, o relatório também revela outros pontos interessantes, especialmente no que se refere à qualidade da nossa ciência, quer dizer, em que medida os estudos brasileiros são reconhecidos pela comunidade científica internacional. No período analisado, a média de citações de trabalhos brasileiros ficou abaixo da média mundial, mas apresentou um acréscimo de 15%. Segundo o relatório, se mantido esse ritmo, o Brasil alcançará a média mundial daqui a alguns poucos anos: 2021. E, mais, as colaborações internacionais cresceram exponencialmente, e alguns dos artigos mais citados hoje no mundo, em áreas como matemática, ecologia/meio ambiente, física e psicologia/psiquiatria, são de brasileiros. As estimativas da Clarivate Analytics são de que o país se torne líder mundial nessas e em algumas outras áreas caso mantenha o ritmo e a qualidade de suas pesquisas e publicações.

Mas há algo curioso com relação ao quadro descrito no relatório, e que deveria servir de alerta para aqueles que insistem em atacar as universidades públicas: elas respondem por mais de 99% da produção científica/acadêmica nacional. O ínfimo restante advém do setor industrial, com especial destaque para a Petrobras. A iniciativa privada, na forma de universidades particulares, contribui com absolutamente nada de relevante em termos de produção de conhecimento de alto nível. No relatório da Clarivate Analytics, apenas as universidades públicas aparecem entre as melhores e, portanto, são responsáveis pela inserção internacional do Brasil no universo das potências científicas mundiais. Como se pode depreender, mesmo sob ataques de toda sorte e redução de investimentos, as universidades públicas, tanto na quantidade quanto na qualidade, permanecem dando um banho de excelência na concorrência.

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