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As pegadas da onça

Felino já está solto em um habitat ideal, mas a cidade pode continuar discutindo a sua presença ao colocar em pauta medidas conjuntas e cuidado com o meio ambiente

Por Tribuna

15/05/2019 às 07h01- Atualizada 15/05/2019 às 08h40

A onça-pintada, que durante 17 dias ocupou corações e mentes na cidade, já está livre num habitat adequado, com quatro outros felinos da mesma espécie, mas suas pegadas ainda estão na cidade com lições que podem ser tiradas do acontecimento. Uma delas é a ação integrada de várias entidades, a partir da Universidade Federal, que teve um desfecho positivo, sobretudo por unir expertise dos participantes, paciência para agir no tempo certo e preocupação com o animal, que, nas suas andanças pela madrugada, poderia ter sido alvo de algum incauto disposto a dar-lhe fim à vida, sem se preocupar com as consequências. Os vários atores envolvidos na operação de caça não se submeteram à pressão da opinião pública que defendia a captura do animal a qualquer tempo. O uso da sedação só ocorreu após o felino ter sido capturado por uma armadilha, ao contrário do discurso recorrente de que bastava um dardo para resolver o problema sem considerar os efeitos colaterais, isto é, o animal poderia fugir e até cair no rio com chances de morrer. Por isso, a paciência foi vital.

E a expertise se manifestou na ponderação dos participantes que agiram com transparência e informaram à comunidade o que estava sendo feito e como eram desenvolvidas estas ações. O animal ainda desperta curiosidade pela sua origem, mas o principal foi feito: livre, leve e solto em local adequado. Mas, a partir daí, há espaço para novas questões. A busca da onça encetou discussões em vários espaços sobre o cuidado ambiental. O animal, ao sair da mata para périplos inusitados pelas margens do Paraibuna, indicou o que já é comum em outras regiões: os bichos estão procurando comida por conta da depredação de seus locais de morada. Defender o meio ambiente, portanto, tornou-se uma causa coletiva para proteger o ecossistema e, em última instância, o próprio homem.

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O tema foi para as ruas, mas também para as escolas, num efeito positivo para se colocar em pauta uma agenda que deveria ser recorrente nos bancos escolares. A onça apareceu, provavelmente, por algum desequilíbrio, da mesma forma que se explica um maio com cara de verão. A natureza, em várias manifestações, nos mostra estar carente de cuidado perante o descuido no simples descarte do lixo, no uso inadequado das águas e nos frequentes desmatamentos.

A repercussão da onça abriu os olhos para questões que não podem ser deixadas para depois.

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