Efeito Orloff

Políticos se unem para forçar o Supremo a rever seus conceitos, pois temem ser a bola da vez em próximas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal

Por Tribuna

15/04/2018 às 07h00 - Atualizada 16/04/2018 às 19h02

O slogan da conhecida bebida “Eu sou você amanhã” tornou-se mote da instância política e base de argumentação de setores do Governo e da oposição para tentar dissuadir ministros do Supremo Tribunal Federal a reverem seus conceitos. Em matéria de capa, na última sexta-feira (13) o jornal “Estado de S. Paulo” revela que o Planalto e o Partido dos Trabalhadores atuam juntos no lobby para reverter o voto dos ministros que hoje apoiam a prisão em segunda instância, como tem sido decidido nas recentes discussões, e que rendeu a prisão do ex-presidente Lula.
Políticos governistas, temendo o efeito Orloff, também estariam agindo na mesma trincheira por saberem que, mais dia, menos dia, podem ser alvo das ações do Ministério Público e da Polícia Federal. O próprio presidente Michel Temer, que a partir de 1º de janeiro perde o foro privilegiado, corre o risco de ser chamado a prestar informações às autoridades, sobretudo por conta das investigações já em curso analisando suas relações com empresas que atuam no Porto de Santos.

Como prevenir é melhor do que remediar, as conversas se desenvolvem com grande celeridade, mas é preciso considerar que não houve, ainda, combinação com os russos. O ministro Alexandre de Moraes, nomeado por Temer e um dos defensores da prisão em segunda instância, tem reagido com bom humor às pressões, mas não se sabe até quando. Seu colega Gilmar Mendes, durante anos alvo preferencial da instância política, tornou-se um defensor da mudança e já não está mais no alvo, especialmente do PT.

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Há, como diz o matutino paulista, preocupação com a ministra Rosa Weber, que pode repetir seu voto a favor da prisão nas próximas sessões do STF, por isso, investir em Moraes é a alternativa mais em conta.

Lobbies existem em todas as instâncias, mas, quando há esse tipo de articulação, buscando-se um “by pass” sobre a legislação, há motivo de preocupação, pois o que se vê, de novo, é a tentativa coletiva do salve-se quem puder.

 

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