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Quem são os mandantes?

Ainda é preciso cobrar punição e descobrir quem são os mandantes do assassinato de Marielle Franco e quais seus verdadeiros interesses e motivos. Isto é o que se espera numa democracia: que crimes de qualquer natureza não fiquem impunes

Por Tribuna

13/03/2019 às 06h49- Atualizada 13/03/2019 às 07h19

A prisão dos dois suspeitos da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em uma ação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, é um alento às vésperas de se completar um ano do brutal crime, que indignou milhares de pessoas pelo país e pelo mundo. O sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46, foram presos na madrugada dessa terça-feira, faltando dois dias para que os assassinatos ocorridos na capital fluminense completassem um ano.

De acordo com as promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, o crime foi “meticulosamente” planejado três meses antes do atentado. Em certo trecho da denúncia, as representantes do Ministério Público afirmam: “É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia. A barbárie praticada na noite de 14 de março de 2018 foi um golpe ao Estado Democrático de Direito”.

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Mas ainda é preciso cobrar punição e descobrir quem são os mandantes do crime e quais seus verdadeiros interesses e motivos. Isso é o que cobra a viúva de Marielle, Mônica Benício. Isso é o que toda a sociedade precisa cobrar. Isto é o que se espera numa democracia: que crimes de qualquer natureza não fiquem impunes e, neste caso, um crime que afeta todos aqueles que defendem as minorias e as vozes diferentes que incomodam muitos interesses. Não esqueçamos que Marielle tinha uma agenda ativa na defesa dos direitos humanos. Quando morreu, vítima de bala, a vereadora fazia críticas à intervenção federal no Rio e dizia que “segurança pública não se faz com armas”.

Precisamos também cobrar respostas para tantos outros crimes sem esclarecimentos a fim de que as pessoas não tenham medo de se calar e também não precisem optar por deixar o país por receio de morrer diante de suas opções sexuais, ideológicas, políticas ou religiosas. A resolução completa desse crime de execução de Marielle e Anderson é emblemática para o país neste momento.

Frear um possível estado paralelo que atua no Rio de Janeiro e em outros pontos do país, frear as ações de milicianos que ameaçam a população diariamente são ações importantes para que não se amplie ainda mais o escritório do crime. Que se faça justiça e que a verdade venha à tona. Afinal, já são quase 365 dias de espera… O que virá agora? Que a força-tarefa que chegou aos suspeitos da morte de Marielle e Anderson se fortaleça agora e não demore outros quase 365 dias para chegar aos mandantes.

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