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O novo Congresso

Novos dirigentes terão, agora, que discutir suas propostas com legislativos renovados, dispostos a mostrar serviço, o que vai exigir boa articulação pela via política

Por Tribuna

02/02/2019 às 07h01

Com uma renovação inédita em sua história desde 1986, quando foi eleito o Congresso Constituinte, o Parlamento brasileiro empossado nessa sexta-feira (1°) tem uma série de desafios pela frente, pois o ineditismo não se esgota na Câmara ou no Senado. Há do outro lado da Esplanada um Governo que se elegeu sob o discurso de mudança e que levou para o Planalto um novo conceito de gestão, agora sob o olhar da direita, que durante todo o período da democratização esteve perto do poder, mas sem sentar na cadeira principal.

O que virá dessa relação é uma incógnita. O Governo tem como meta mudar os paradigmas de gestão e implantar conceitos mais conservadores na educação e na instância social, mas aposta na abertura da economia para o mundo e está pronto para se desvencilhar de ativos que durante tempos foram foco de barganhas e de aparelhamento sem a eficiência necessária para cumprir suas propostas.

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Para tanto, porém, terá que contar com o apoio de um Congresso plenamente renovado, mas que corre o risco de, pela inexperiência de vários de seus membros, se perder em questões menores em vez de ter uma visão macro do país. Os primeiros sinais foram de idiossincrasias geradas nos palanques, embora a campanha eleitoral tenha ficado para trás. Não há mais o balcão com o Palácio – pelo menos em tese -, mas, ao se tornar infenso ao processo político, o Executivo corre risco de isolamento. Para ter suas ações respaldadas por deputados e senadores, não precisa, necessariamente, barganhar cargos, mas é fundamental ter diálogo com uma instituição que o presidente Jair Bolsonaro, após dela fazer parte por 28 anos, conhece muito bem.

A nova relação, no entanto, não se esgota em Brasília, embora a capital federal seja a matriz dos problemas e das soluções. Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema se depara, agora, com uma Assembleia Legislativa renovada, disposta a mostrar serviço, o que pode ser bom para o Governo se bem articulado. Para tanto, porém, ele precisa reduzir o distanciamento criado nos palanques, quando a política foi demonizada. Passado um mês, o governador já começa a ver que a política ainda é a via mais adequada de transformação sem precisar abrir mão de seus conceitos.

Terá, no entanto, que acolher os sinais da Assembleia, pois o que menos precisa com um Governo que enfrenta uma das maiores crises econômicas é ter um Legislativo hostil. Aí, sim, terá que ceder os anéis para não perder os dedos.

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