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Chuvas deixam uma morte e mais de 1.700 pessoas desalojadas na Zona da Mata

Municípios de Carangola, Divino e Espera Feliz foram atingidos por temporais durante o final de semana

Por Gabriel Ferreira Borges, repórter, e Gabriel Silva, estagiário sob a supervisão de Eduardo Valente

22/02/2021 às 11h56- Atualizada 22/02/2021 às 19h34

Em Divino, algumas regiões, principalmente da Zona Rural, estão sem acesso (Foto: Divulgação)

Ao menos uma pessoa morreu e outra outras 1.766 ficaram desalojadas ou desabrigadas nos municípios de Carangola, Divino e Espera Feliz, na Zona da Mata, após os temporais que atingiram as cidades durante o último fim de semana. Em Carangola e Divino, as enchentes já são consideradas as mais graves a atingir as cidades. De acordo com o boletim divulgado pela Defesa Civil do Estado nesta segunda-feira (22), Minas soma mais de 20 mil pessoas afetadas pelas chuvas desde outubro de 2020, ou seja, no período chuvoso discriminado como 2020/21. São 20 mortos, nove feridos, 1.358 desabrigados, 9.807 desalojados e outros 9.387 afetados.

Em Divino, a cerca de 250 quilômetros de Juiz de Fora, há 92 pessoas desalojadas e 23 desabrigadas desde a última sexta-feira (19). Uma mulher de 55 anos morreu após o deslizamento de um barranco justamente naquela madrugada. “Foi às 5h20. Ela estava em casa, junto ao marido e aos três filhos. Ao acordar mais cedo, o marido escutou o barulho e gritou pelas crianças, que conseguiram correr. A mulher, não. Acreditamos até então que ela não tenha nem acordado. O barranco destruiu toda a casa”, relata a secretária de Assistência Social de Divino, Jandira Valério Dias. “As crianças têm 17, 11 e nove anos de idade.”

De acordo com Jandira, as 115 famílias, entre desalojadas e desabrigadas, estão temporariamente acolhidas na casa de parentes, apesar do abrigo disponibilizado pela Prefeitura em uma creche. “Como há previsão de chuvas até a próxima quinta, estas famílias continuam desabrigadas ou desalojadas. Chegamos a montar um abrigo, mas as famílias tinham parentes que as acolhessem. Demos suporte levando alimentação, porque muitas famílias estavam desprevenidas.” As chuvas tomam Divino desde às 18h da última quinta. Desde então, pancadas de chuvas ocorreram todos os dias, exceto domingo.

É possível, como explica Jandira, que o número de pessoas atingidas aumente, uma vez que a Prefeitura enfrenta dificuldades para acessar comunidades da Zona Rural. “A princípio, focamos a assistência na Zona Urbana, mas muitos lugares da Zona Rural estão sem acesso. Conseguimos atender apenas uma comunidade, porque há muitos locais ainda ilhados. A prioridade do Município agora é refazer as pontes, ao menos uma intervenção paliativa, para que tenhamos acesso a essas comunidades. O setor de Obras está trabalhando.” Divino tem, aproximadamente, 22 mil habitantes.

Segundo a Prefeitura, são 92 pessoas desalojadas e 23 desabrigadas desde a última sexta-feira em Divino (Foto: Divulgação)

Conforme levantamento realizado pela própria Prefeitura no último sábado, as famílias desalojadas e desabrigadas precisam sobretudo de alimentação e material de limpeza. “Fornecemos material de limpeza e cesta básica à população atingida. A comunidade também se organizou para doar móveis. Como muitas pessoas não voltaram ainda para as casas, estamos monitorando para que, quando retornem, ajudemos as famílias a reconstituir as casas com alguns móveis. Já recebemos 20 kits da Defesa Civil (do Estado), com material de limpeza, de higiene, de dormitório e colchões”, detalha a secretária de Assistência Social. Interessados em doações podem entrar em contato por meio do número: (32) 3743-2345.

Número de atingidos passa de mil em Carangola

A brutalidade das chuvas em Carangola já havia sido noticiada pela Tribuna no sábado (22). A cidade, que fica a cerca de 170 quilômetros de Juiz de Fora, ficou com 1.135 pessoas desalojadas ou desabrigadas após um temporal que atingiu a cidade entre a sexta (22) e o sábado.
O município decretou estado de emergência após as chuvas que atingiram fortemente a nascente do Rio Carangola, que deságua na cidade e também atravessa Divino. “Nós estamos encaminhando as pessoas para os abrigos que nós disponibilizamos na Escola (Municipal) Antônio Marques e na Igreja Nossa Senhora Aparecida. Tendo mais demanda, nós já temos outros abrigos preparados”, explicou o coordenador da Defesa Civil de Carangola, Alessandro Tolentino, em entrevista à Rádio CBN Juiz de Fora nesta segunda.

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Chuva causou estragos no município de Carangola (Foto: Corpo de Bombeiros)

De acordo com Tolentino, a enchente já é considerada a pior da história do município, mas as chuvas foram interrompidas no domingo, e a cidade aproveita a oportunidade para se reorganizar. “Não chove desde domingo, e o nível do rio está voltando à normalidade. A cidade não tem pontos de alagamento mais”, celebra. Os índices meteorológicos, segundo a Defesa Civil de Carangola, apontam para tempo estável na região durante os próximos dias.

 516 atingidos em Espera Feliz

A Defesa Civil de Espera Feliz também contabiliza os danos causados pelas chuvas do final de semana. A cidade, distante 260 quilômetros de Juiz de Fora, teve 516 pessoas afetadas pelas tempestades, entre desalojados e desabrigados. “Nós tivemos muitos danos na área rural. Várias regiões foram alagadas e taludes se romperam. Na cidade, foi a mesma coisa. Entre 60% a 70% do perímetro urbano ficou alagado”, calcula o coordenador da Defesa Civil de Espera Feliz, Wagner Villa Verde, também à CBN Juiz de Fora.

Foram 116 pessoas acolhidas em um abrigo provisório montado emergencialmente pelo município. Dessas, apenas 15 permanecem no local, enquanto as demais já puderam retornar para as residências. O temporal remete ao que foi observado no ano passado em Espera Feliz, quando cerca de oito mil pessoas ficaram desalojadas na cidade. “O município foi afetado pelo segundo ano consecutivo com as duas maiores enchentes da história. Nós nunca tivemos nada parecido até o ano passado, e agora volta a acontecer. A proporção foi menor, mas atingiu muito as cidades”, lamenta Wagner. Segundo ele, foram registrados 198 milímetros de chuvas entre quinta-feira e sábado.

Pelas previsões da Defesa Civil, o município também deve ter um período de trégua das chuvas mais fortes, o que deve permitir a retomada da rotina dos moradores. No entanto, com os diversos prejuízos, a população conta com doações para conseguir conter os danos causados pelos temporais. “A gente precisa, principalmente, de cesta básica e produtos de limpeza para que as pessoas consigam limpar os lares e voltarem para a residência. A gente restabeleceu o abastecimento de água, mas tem um consumo muito grande de água por conta da sujeira que está na cidade”, contabiliza o coordenador. Interessados em realizar doações devem entrar em contato pelo número: (32) 3746-1306.

Zema esteve em Carangola nesta segunda para avaliar estragos (Foto: Pedro Gontijo/Imprensa MG)

Zema garante apoio para reconstrução de Carangola

O governador Romeu Zema esteve, nesta segunda-feira (22), em Carangola, para vistoriar e acompanhar o trabalho e as ações assistenciais do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. “Viemos acompanhar a questão de desabrigados e desalojados, como está esta situação. A Defesa Civil do Estado também vai providenciar aquilo que for necessário a essas pessoas”, afirmou. Foi enviado um caminhão com donativos, com colchões, kits de limpeza e de higiene.

O governador lembrou, ainda, que é necessário encontrar uma solução a longo prazo para que outras situações como esta não se tornem recorrentes. O governador se reuniu com representantes e o prefeito do município, Silas Vieira. Ele afirmou que a declaração de emergência pelo município, com o auxílio da Defesa Civil, vai ajudar o município na sua reconstrução. “Com o estado de emergência, o Estado vai dar total apoio ao município, solicitar verbas para que as vias públicas, pontes e outras estruturas que foram afetadas possam ser reconstruídas o quanto antes.”



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