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Convênio deve ampliar pavimentação da estrada de Ibitipoca

Articulação entre Prefeitura de Lima Duarte e Governo do estado prevê R$ 9 milhões para intervenções no acesso ao distrito de Conceição de Ibitipoca


Por Leticya Bernadete

07/03/2021 às 07h00

Em meio às discussões sobre o processo de concessão do Parque Estadual de Ibitipoca e os possíveis impactos que podem causar na vila local, os moradores e visitantes enfrentam uma questão de anos, relacionada à conservação da LMG-871, estrada que liga Lima Duarte ao distrito de Conceição de Ibitipoca. O tráfego até um dos principais pontos turísticos da região se torna arriscado em meio a pontes estreitas e trechos em más condições. Entretanto, um convênio a ser firmado com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), a partir de articulações entre a Prefeitura de Lima Duarte, o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG) e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra), prevê a destinação de cerca de R$ 9 milhões para a pavimentação de “grande parte” da estrada que liga o município à Conceição de Ibitipoca.

Por meio da assessoria de comunicação, a Prefeitura de Lima Duarte informou que este convênio não engloba a via em sua totalidade por já existirem outras obras concluídas, agendadas ou em andamento. Ainda segundo o Executivo, não há nenhum empecilho ambiental, visto que o licenciamento já foi aprovado juntamente ao Estado de Minas Gerais, bem como a própria proposta do Município e seus projetos técnicos de engenharia.

Para o andamento do convênio, ainda resta a assinatura do secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Scharlack Marcato. A Prefeitura de Lima Duarte repassou à Tribuna a informação de que o titular da pasta deve avaliar a viabilidade orçamentária e dar um retorno sobre a situação até o final de março. De acordo com a Administração municipal, “inexistem pendências técnicas de responsabilidade do município relativas ao projeto”.

Questionada, a Seinfra informou que, em 2020, o DER-MG já havia assinado dois convênios com o Município, com interveniência da pasta. Em relação ao novo acordo, a Secretaria reforçou que o projeto e a documentação foram aprovados pelas equipes técnicas dos órgãos envolvidos, completando que “no momento, a Seinfra está estudando alternativas para viabilizar recursos para dar andamento ao instrumento e viabilizar as obras no trecho”.

Na última segunda, a reportagem da Tribuna constatou vários problemas no trecho entre Lima Duarte e o distrito, como erosões no solo, buracos na pista e falta de canalização para escoamento de água (Foto: Fernando Priamo)

Outras intervenções

Atualmente, o Município está executando obras no trecho inicial da estrada, a partir de um convênio firmado com o Estado no valor de R$ 800 mil. De acordo com a Prefeitura, desde o início da nova gestão, “a Secretaria de Obras, Meio Ambiente, Agricultura e Pecuária tem se desdobrado na manutenção da estrada, fazendo pequenos reparos em problemas causados pelo período chuvoso, apesar do pouco investimento que recebe e dos problemas estruturais que se prolongaram ao longo dos anos sem solução”, aponta.

Por meio da assessoria de comunicação da Prefeitura, o diretor de Convênios e Prestação de Contas de Lima Duarte, Pedro Vitor Souza, informou que o Executivo tem atuado na medida do possível para buscar melhorias para moradores e turistas do distrito de Conceição de Ibitipoca. “Enxergamos as dificuldades, mas não estamos medindo esforços para articular junto ao Estado de Minas Gerais formas de atender as reivindicações e realizar obras e projetos que serão importantes a curto e longo prazo. O distrito é um polo turístico e econômico do município e precisa ser valorizado. Esperamos ter boas notícias em breve”, diz.

Conforme a Seinfra, dos dois convênios firmados no ano passado com Lima Duarte, um diz respeito, justamente, à manutenção e execução das obras de pavimentação, com blocos intertravados, no trecho entre os Km 0 e 2 da estrada. Além deste, outro convênio delegou à Prefeitura a administração, manutenção e operação de trânsito da LMG-871. Neste caso, o trecho compreendido fica entre o km 2 e o Parque Estadual de de Conceição de Ibitipoca, com extensão de 23,7 km.

Más condições de estrada trazem riscos à comunidade

Na última segunda-feira (1º de março), a Tribuna foi ao distrito de Conceição de Ibitipoca para avaliar as condições da LMG-871. Durante o trajeto, a reportagem observou diversos fatores de risco, como pontos de encostas e barrancos com ameaça iminente de queda. Além disso, não há canalização para escoamento de água, o que pode causar erosão do solo e contribuir para a irregularidade da pista. Também verificou-se que a maioria das pontes não possuem guarda-corpo, ou seja, uma proteção lateral, além de serem estreitas e com alto risco para o trânsito nos períodos noturnos. Apenas alguns trechos da via contam com calçamento, mas mesmo nestes, o trajeto apresenta muitos buracos e desníveis.

Morador e proprietário de um sítio à beira da estrada de acesso a Conceição de Ibitipoca, o aposentado Luvercínio Gabriel Borges conta que desde quando tinha cinco anos de idade, seu pai lhe dizia que a estrada seria asfaltada. “Completo 72 esse mês e não devo ver isso aqui calçado”, brinca. “Esse sítio era do meu avô, passou para meu pai, do meu pai para mim e eu estou passando para minha filha agora porque estou no fim de carreira e com a validade vencida. Vamos ver se ela consegue ver isso calçado. Talvez ela consiga.”

Além da questão do calçamento da via, Luvercínio explica que, quando chove, a condição da estrada fica ainda pior. Em alguns pontos, como ocorreu há poucos dias em frente sua casa, são descartados restos de construção para cobrir as erosões causadas pelas chuvas. A ação, entretanto, traz novos riscos, visto que o aposentado já recolheu tacos com pregos na pista. “É lixo de casa que demoliram na cidade e não têm onde jogar o entulho, então jogam na estrada”, diz. “Recolhemos muitos tacos porque era absurdo o carro passar em cima disso”.

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Régis Cunha, funcionário da loja de construção Clube da Casa Rivelli, localizada em Conceição de Ibitipoca, é morador de Lima Duarte e viaja diariamente até a vila. Ele reforça que a estrada é insegura, especialmente em dias de chuva. “Tem muitas pontes estreitas, tem lugar que não conseguem passar dois carros e o trânsito de caminhão é muito grande. É muito perigosa, tem que trafegar com cuidado”, afirma. “Nos períodos de chuva, tem dias ruins por causa do barro e alguns morros não são pavimentados. No geral, é uma estrada de buraco. Tem uma parte de calçamento já feita e, saindo de Lima Duarte, vêm fazendo mais um pedaço, mas o acesso é ruim.”

Problemas mecânicos

A falta de manutenção da estrada acaba trazendo problemas também para os visitantes, principalmente em relação ao pneu e roda dos carros. “A estrada é muito ruim, esburacada. Em feriado, o que mais dá aqui é pneu furado que pegou uma pedra ou que rasgou”, conta Bruno Marçal Uruta, mecânico na vila de Ibitipoca.

Conforme Bruno, esses problemas têm sido mais recorrentes, visto que a estrada não tem passado por novas manutenções. “De um tempo para cá, a estrada está horrível. As pontes (estão) com materiais provisórios, e nada está sendo feito”, comenta.

Tamanho do buraco chamou a atenção da repórter Leticya Bernadete, que mediu 1,52 metro de extensão (Foto: Fernando Priamo)

BR-267 tem mais de 1.400 buracos no trecho de JF e Lima Duarte

O problema para chegar em Ibitipoca se estende a quem visita o local partindo de Juiz de Fora e utilizando a BR-267. Também na última segunda-feira, a Tribuna realizou o trajeto de cerca de 45 quilômetros entre o entroncamento da rodovia com a BR-040 e Lima Duarte, na altura da Rua das Magnólias, e contabilizou ao menos 1.405 buracos, desde pequenas depressões a grandes crateras na pista. Em uma delas, a reportagem realizou uma medição e verificou que sua dimensão era de 1,52 metro de diâmetro. No sentido da via, partindo de Juiz de Fora, foram identificados 729, enquanto no oposto, 676 buracos.

A situação na BR-267 é semelhante ao que foi identificado na estrada de Ibitipoca quanto aos problemas para os veículos. De acordo com o borracheiro Josemar João de Souza Júnior, diversos motoristas comparecem ao seu estabelecimento, localizado próximo à rodovia, com problemas nos veículos, especialmente quanto a pneus e rodas. “Às vezes, temos que ir na estrada socorrer porque eles não conseguem vir até aqui”, conta. “Há um tempo, a estrada já ficou bem arrumada. Agora que o pessoal parece que não está se preocupando muito. Nisso, é chuva, é sol, e vai só abrindo o buraco e perdendo a validade”, diz.

O mesmo foi relatado pelo caminhoneiro Wiliam Adriano Correa Cruz. No dia anterior à entrevista para a Tribuna, em 28 de fevereiro, ele chegou a auxiliar dois motoristas que caíram em buracos e cortaram os pneus de seus carros. “Quando eu passava por aqui, a uns três anos atrás, a estrada era um tapete, mas agora acabou tudo. É um problema por conta da chuva, mas a estrada acabou, não presta mais.”

Questionado pela Tribuna, Dnit informou que há uma licitação em andamento para a realização dos serviços no trecho, mas não deu prazo para sua conclusão (Foto: Fernando Priamo)

Perigo com acidentes

O caminhoneiro ainda chama atenção para o alto risco de acidentes na pista, não só pelos próprios buracos, mas porque muitos motoristas se arriscam para desviar dos mesmos. Esse comportamento foi observado pela reportagem durante o trajeto entre Juiz de Fora e Lima Duarte, onde os condutores realizavam manobras para esquivar-se das crateras. “Eu quase caí em um buraco ontem. Tive que dar uma ‘golpeada’ no caminhão quando estava vindo para cá. Era um que, se batesse na roda da frente, fosse capaz do caminhão até capotar”, relata William.

Em 2020, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 33 acidentes no trecho entre os quilômetros 120 e 165, de Juiz de Fora a Lima Duarte. Destes, cinco ocorrências tiveram vítimas fatais, 24 tiveram feridos, e apenas quatro foram sem vítimas. Em 2019, a PRF contabilizou 41 acidentes no mesmo trecho, sendo seis com mortes, 31 com feridos e quatro sem vítimas.

Os buracos, entretanto, não são os únicos problemas identificados na rodovia. A falta de manutenção também é verificada em sua margem. Diversas placas foram encobertas por mato alto, dificultando a visualização das mesmas pelos motoristas.

Resposta do Dnit

Questionado sobre a manutenção do trecho em questão, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) limitou-se a informar que há uma licitação em andamento para a realização desses serviços para o segmento, sendo que a mesma encontra-se em fase final. De acordo com o órgão, “concluídos os trâmites administrativos, os serviços serão iniciados”.

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