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Trabalhadores ameaçam fechar BR-040 no Dia nacional de lutas


Por Tribuna

30/08/2013 às 07h00

No chamado "Dia nacional de lutas", várias categorias de trabalhadores paralisarão suas atividades nesta sexta-feira (30) e, junto com movimentos organizados, prometem ir às ruas para discutir questões nacionais como o repúdio às terceirizações e a redução da jornada de trabalho. A ação é coordenada pela Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) e pela CUT. Até a noite desta quinta-feira, estavam confirmadas adesões de professores das redes estadual e municipal, docentes e servidores da UFJF, bancários e funcionários de telecomunicações. A concentração está prevista para começar nesta sexta-feira cedo, no Parque Halfeld, mas há expectativa de realização de uma paralisação da BR-040, liderada pelos professores do estado. Para a tarde, está agendado novo ato público para o Calçadão da Rua Halfeld.

 Também será um dia de reivindicações quanto a pautas locais, sendo a primeira vez que elas chegam às ruas após os poderes Executivo e Legislativo terem apresentado respostas às demandas de junho e julho. Em busca de mais diálogo com a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), os movimentos, agora, repudiam a possibilidade de terceirizações no Hospital Regional, cobram transparência na licitação no transporte público e mais soluções em mobilidade urbana. 

No setor de transportes, responsável pelo início das manifestações que tomaram o país, representantes do movimento organizado e do "Junta Brasil" prometem acompanhar de perto a retomada do processo de licitação para estudo do sistema viário do município. Após a conclusão do processo, eles afirmam que vão fiscalizar a transparência na escolha das novas empresas que serão responsáveis pelo transporte público. À frente do Fórum Municipal de Lutas, o líder do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em Juiz de Fora, Geraldeli da Costa Rufino, afirma que as esquerdas definirão uma proposta para o novo modelo de transporte público.

 Já o diretor regional da CUT, Oleg Abramov, afirma que é preciso avançar mais e chegar a uma tarifa menor, sobretudo com a possível redução a zero das alíquotas de contribuições para PIS/Pasep e Cofins, que incidem sobre as empresas e ainda estão em apreciação no Congresso. "Tivemos uma série de desonerações para o setor, e não houve redução, em Juiz de Fora. Com todo este suporte, é preciso reduzir a tarifa." Representantes do "Junta Brasil" esperam que a PJF apresente novidades quanto à criação do bilhete único. Em agosto, o movimento obteve de Bruno a promessa de que o projeto seria implantado em 2014.

 Em relação a manutenção do preço das passagens, a PJF argumenta que, na cidade, não houve aumento em 2013, ao contrário do ocorrido em outras cidades do país, que reajustaram o preço da passagem no início do ano e tiveram de voltar atrás. Quanto à retomada do processo de licitação, o subsecretário de Mobilidade Urbana, Mauro Branco, diz que um novo modelo será fundamental para solucionar problemas como o descumprimento de horários nas linhas de ônibus e a falta de conforto para os usuários. "Só será possível rever esses serviços quando mudarmos nosso modelo de transporte público. O atual foi utilizado à exaustão. Não adianta fazer mais pequenos consertos. Tem de começar do zero."

 Saúde

 Em relação à saúde, o receio dos trabalhadores é de que a gestão do Hospital Regional de Urgência e Emergência privilegie as terceirizações. "Há diversos segmentos na área que atuam com profissionais terceirizados. O Governo se recusa a realizar concursos", afirma Geraldeli. Segundo Oleg, a nova unidade só atenderá plenamente os anseios dos trabalhadores se operar com funcionários públicos concursados. "A pauta contra as terceirizações é nacional, mas reverbera nos assuntos municipais. Não podemos permitir que o Governo empregue profissionais sem realização de concurso e elaboração de plano de carreira."

 A Prefeitura nega a existência de uma política de terceirizações. Segundo o secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, o momento de dificuldade vivido pelo Executivo se deu, entre outros motivos, por causa da vontade dos atuais gestores de realizar contratações mediante concursos. "Quando assumi a pasta, havia terceirização de atividades-fim, como no caso dos convênios com o HU da UFJF e com o Hospital Maternidade Therezinha de Jesus. Interrompemos esses contratos e tivemos dificuldade em repor mão de obra."